Anais
Resumo do trabalho
Marketing · Comportamento do Consumidor
Título
Procrastinação na Era Digital: análise de seus antecedentes e consequências para o comportamento de consumo
Palavras-chave
Comportamento do consumidor
Consumo impulsivo
Procrastinação online
Agradecimento:
Os autores agradecem à Universidade de Fortaleza, por meio do seu Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA), pelo apoio e incentivo à realização desta pesquisa.
Autores
-
João Henrique Viana de SousaUNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)
-
Lucas Lopes ferreira de SouzaUNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)
-
Larissa Maria BurmannUniversidade de Fortaleza - UNIFOR
-
Sofia Melo Cunha De Pinha PessoaUNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)
-
Amanda Zara de Souza Bow LtaifUniversidade de Fortaleza - UNIFOR
Resumo
Introdução
A imersão na era digital reconfigurou o consumo, consolidando a internet como infraestrutura central da vida contemporânea. Emerge, contudo, um paradoxo: as mesmas tecnologias que promovem conexão podem fomentar comportamentos disfuncionais. Este estudo foca no "lado sombrio" da conectividade, investigando como hábitos digitais, como a procrastinação online, se desdobram em consequências negativas para o consumidor, como o consumo por impulso e o fomento a valores materialistas, preenchendo lacunas na literatura sobre o tema.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema: A literatura carece de modelos integrados que conectem os hábitos digitais a desfechos de consumo específicos, investigando o papel de mediadores psicológicos como a procrastinação online. Objetivo: O objetivo do estudo é analisar como o uso da internet e a orientação temporal para o presente influenciam o consumo impulsivo e o materialismo, investigando o papel central da procrastinação online como mecanismo mediador nesse processo.
Fundamentação Teórica
O referencial articula teorias do comportamento do consumidor e da psicologia para conectar o uso da internet e a orientação temporal para o presente (presenteísmo) à procrastinação online (cyberloafing). Esta, por sua vez, é teorizada como um antecedente do consumo impulsivo (via esgotamento do ego e regulação emocional) e do materialismo-felicidade (via consumo compensatório). As relações propostas foram detalhadas e testadas em nove hipóteses.
Metodologia
Pesquisa descritiva e quantitativa, com amostragem não probabilística por conveniência (N=370). Os dados foram coletados por questionário online com escalas tipo Likert de 5 pontos. Para o teste das hipóteses, utilizou-se a técnica de Modelagem de Equações Estruturais (SEM), executada no software AMOS, seguindo o processo de análise em duas etapas (validação do modelo de mensuração e teste do modelo estrutural), com verificação dos índices de ajuste do modelo.
Análise dos Resultados
O modelo de mensuração apresentou ajuste adequado. A análise estrutural confirmou 7 das 9 hipóteses. O uso da internet previu positivamente a procrastinação online (β=0,240) e a orientação para o presente (β=0,175). O uso de redes sociais foi um forte preditor da procrastinação (β=0,399). A procrastinação, por sua vez, influenciou significativamente o consumo impulsivo (β=0,170) e o materialismo (β=0,342). A orientação para o presente também influenciou o consumo impulsivo (β=0,335).
Conclusão
O estudo conclui que a procrastinação online é um relevante mecanismo mediador que conecta os hábitos de uso da internet a comportamentos de consumo disfuncionais. Os achados não significantes são igualmente importantes, pois sugerem que a relação entre redes sociais e percepção do tempo é mais complexa, e que o hedonismo presente não é, necessariamente, materialista. Tais resultados refinam a compreensão do comportamento do consumidor na era digital, apontando caminhos para futuras pesquisas.
Contribuição / Impacto
Contribuição Teórica: Apresentação e teste de um modelo integrado que elucida o papel mediador da procrastinação online, um mecanismo pouco explorado no domínio do consumo. Contribuição Prática: Os achados informam debates sobre literacia digital e bem-estar do consumidor, além de levantarem questões éticas sobre marketing em momentos de vulnerabilidade do consumidor, oferecendo insights para educadores, gestores e formuladores de políticas públicas.
Referências Bibliográficas
Baumeister, R. F. (2002). Yielding to temptation: Self-control failure, impulsive purchasing, and consumer behavior. Journal of Consumer Research, 28(4), 670–676. https://doi.org/10.1086/338209
Dittmar, H. (2008). Consumer Culture, Identity and Well-Being. The Search for the “Good Life” and the “Body Perfect”. New York: Psychology Press. https://doi.org/10.4324/9780203496305
Knox, H. (2021). Traversing the infrastructures of digital life (pp. 178–196). Routledge. https://doi.org/10.4324/9781003087885-13
Dittmar, H. (2008). Consumer Culture, Identity and Well-Being. The Search for the “Good Life” and the “Body Perfect”. New York: Psychology Press. https://doi.org/10.4324/9780203496305
Knox, H. (2021). Traversing the infrastructures of digital life (pp. 178–196). Routledge. https://doi.org/10.4324/9781003087885-13