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Anais

Resumo do trabalho

Marketing · Cultura e Consumo

Título

CONSUMO CONSCIENTE DE BEBIDAS ALCOÓLICAS: UM ESTUDO SOB A PERSPECTIVA DAS CONFRARIAS DE CACHAÇAS

Palavras-chave

Consumo Consciente Sensemaking Cachaça Artesanal
Agradecimento: CAPES, CNPq e FAPEMIG

Autores

  • Rodrigo Cassimiro de Freitas
    PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS (PUC MINAS)
  • Luiz Gustavo Neto Resende
    PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS (PUC MINAS)
  • Raphael de Morais
    UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS (UEMG)
  • KELLY CARVALHO VIEIRA
    Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

Introdução

Destaca-se que o consumo de cachaça passou por transformações significativas, impulsionadas por mudanças nas formas de produção e comercialização. Hoje reconhecida como Patrimônio Cultural brasileiro, a cachaça já foi considerada um produto de baixa qualidade e impróprio ao consumo. Segundo Morris (1998), o consumo de bebidas alcoólicas despertou interesse científico, promovendo abordagens ligadas ao aumento do consumo e às suas representações sociais e culturais. Esta pesquisa foca nas confrarias e busca compreender, sob sua ótica, as práticas associadas ao consumo consciente.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Esta investigação tem como objetivo compreender o sentido atribuído ao consumo de bebidas alcoólicas a partir da percepção de integrantes de confrarias mineiras voltadas ao consumo de cachaça de alambique. O tema adquire relevância diante dos estigmas historicamente associados a essa bebida, especialmente no que tange à cachaça.

Fundamentação Teórica

Observa-se uma escassez de estudos que associem consumo consciente ao consumo de cachaça artesanal. Ao dialogar com a Teoria da Criação de Sentido (sensemaking), compreende-se que o consumo consciente e sustentável da cachaça é construído socialmente por meio da interpretação coletiva e experiencial dos consumidores. Como argumentam Maitlis e Christianson (2014), o sensemaking permite compreender como indivíduos atribuem sentido a contextos incertos ou ambíguos, mostrando que o consumo vai além do racional: é uma prática situada, permeada por valores, símbolos e expectativas.

Metodologia

Adotou-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, com método etnográfico. A coleta de dados envolveu observação participante e entrevistas em profundidade com 32 confrades. A análise foi conduzida por meio da técnica de análise de conteúdo, com foco nas narrativas construídas pelos participantes.

Análise dos Resultados

Os resultados indicam que o consumo de cachaça, historicamente estigmatizado, é ressignificado nas confrarias como prática cultural, valorizando tradição, moderação e sustentabilidade. Os consumidores atribuem ao consumo um sentido que extrapola o ato de beber, conectando-se a dimensões simbólicas de pertencimento, identidade e apreciação coletiva. O estudo contribui para ampliar o entendimento sobre práticas de consumo consciente e sustentável em contextos culturais específicos.

Conclusão

O estudo reafirma a importância do sensemaking nos estudos de consumo, tanto para compreender a ação quanto para investigar os significados construídos no processo decisório. Sugere-se, portanto, que novas pesquisas explorem o consumo a partir dessa abordagem, enriquecendo o campo com análises que integrem cultura e prática. As teorias do Sensemaking e da Cultura do Consumo demonstram potencial explicativo robusto para fenômenos sociais e se beneficiam de métodos etnográficos e interpretativos para sua operacionalização.

Contribuição / Impacto

O estudo reafirma a importância do sensemaking nos estudos de consumo, tanto para compreender a ação quanto para investigar os significados construídos no processo decisório.

Referências Bibliográficas

Araújo, E. T. T., Silva, J. K. L., dos Santos, F. C. P., & Ferreira, A. C. (2021). O consumo de cachaça e seus sentidos: uma análise do comportamento do consumidor à luz da teoria do sensemaking. Revista Gestão Organizacional, 14(2), 46–68.
Arnould, E. J., & Thompson, C. J. (2005). Consumer culture theory (CCT): Twenty years of research. Journal of Consumer Research, 31(4), 868–882.
Arnould, E. J., & Thompson, C. J. (2015). Introduction: Consumer culture theory: Ten years gone (and beyond). In Consumer culture theory (pp. 1–21). Emerald Group Publishing.

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