Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Comportamento Organizacional
Título
TRIÂNGULO DO ASSÉDIO: um modelo preditivo
Palavras-chave
Assédio moral
Assédio sexual
Comportamento ético
Autores
-
RENATO ALMEIDA DOS SANTOSS2 Consultoria
Resumo
Introdução
O assédio moral e sexual compromete a integridade psicológica das vítimas e o ambiente institucional. Ainda que amplamente discutido em esferas legais e midiáticas, o fenômeno carece de modelos explicativos comportamentais robustos. Este estudo propõe um novo olhar, investigando os fatores que sustentam a prática do assédio a partir de entrevistas com agressores confessos e dados empíricos que articulam aspectos subjetivos e contextuais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A pesquisa busca responder: quais vetores comportamentais sustentam o assédio moral e sexual? O objetivo é propor e validar o modelo Triângulo do Assédio, composto por escassez, abuso de poder e racionalização. O estudo analisa como esses elementos se expressam no discurso dos agressores e correlaciona suas ocorrências a dados qualitativos obtidos junto à S2 Consultoria, integrando ciência comportamental à ética organizacional.
Fundamentação Teórica
Inspirado no Triângulo da Fraude (Cressey, 1953), o modelo articula três dimensões: motivacional (escassez), estrutural (abuso de poder) e moral (racionalização). Fundamentos teóricos incluem o desengajamento moral (Bandura, 1996), a teoria da escassez (Mullainathan & Shafir, 2013), o poder disciplinar (Foucault, 1975) e a masculinidade hegemônica (Connell, 2005), além de diretrizes institucionais como o Guia Lilás (CGU, 2024).
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa e complementarmente quantitativa. Foram analisadas 27 entrevistas com agressores confessos, totalizando 81 falas literais codificadas. A categorização seguiu análise de conteúdo, baseada no Triângulo do Assédio e nos códigos temáticos. Esses dados foram cruzados com informações da base S2 Consultoria, utilizando análise de frequência, clusterização e matriz de calor.
Análise dos Resultados
A racionalização foi o componente mais recorrente, com destaque para justificativas como "culpa da vítima" e "foi só brincadeira". No assédio moral, prevaleceram códigos como metas inatingíveis e desqualificação profissional; no Assédio sexual, surgiram carência afetiva, ambiguidade de contexto e machismo estrutural. As árvores de associação e a matriz de calor revelaram padrões distintos entre os tipos de assédio e reforçaram a robustez do modelo teórico proposto.
Conclusão
O Triângulo do Assédio demonstrou capacidade explicativa relevante ao integrar fatores individuais, emocionais e institucionais que sustentam condutas abusivas. A escassez aparece como gatilho, o abuso de poder como via de execução e a racionalização como blindagem moral. Os resultados sugerem que o assédio é um comportamento funcional à cultura organizacional permissiva, exigindo abordagens integradas de prevenção, responsabilização e mudança cultural.
Contribuição / Impacto
A pesquisa contribui ao campo da ética organizacional ao propor um modelo inédito com base comportamental. O Triângulo do Assédio permite diagnósticos mais precisos e subsidia políticas institucionais com foco em cultura, liderança e justiça. Sua integração com ferramentas de ciência comportamental como a Roda da Mudança Comportamental (COM-B e BCW) amplia a aplicabilidade prática para o desenvolvimento de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e eticamente sustentáveis.
Referências Bibliográficas
BANDURA, Albert. Moral disengagement: How people do harm and live with themselves. Nova York: Worth Publishers, 1996.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Paris: Gallimard, 1975.
FREITAS, Maria Ester de. Assédio moral e assédio sexual: faces do poder perverso nas organizações. RAE - Revista de Administração de Empresas, v. 41, n. 2, p. 8-19, 2001.
HIRIGOYEN, Marie-France. Assédio moral: a violência perversa no cotidiano. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
MULLAINATHAN, Sendhil; SHAFIR, Eldar. Scarcity: Why Having Too Little Means So Much. New York: Times Books, 2013.
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MULLAINATHAN, Sendhil; SHAFIR, Eldar. Scarcity: Why Having Too Little Means So Much. New York: Times Books, 2013.