Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Finanças Comportamentais
Título
DESAFIOS DA FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO FINANCEIRA: UM OLHAR SOBRE A EVASÃO NO CURSO "FINANÇAS SEM SEGREDOS"
Palavras-chave
Educação Financeira
ENEF
Formação continuada
Autores
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Fabrício Michell SoaresUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
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Ani Caroline Grigion PotrichUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
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Kássia Schneider MaranhãoUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
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Gustavo Fernandes Pires AlmeidaUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
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Ana Luíza ParaboniUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
Resumo
Introdução
No Brasil, diversas iniciativas de educação financeira têm sido implementadas com o objetivo de promover conhecimentos e desenvolver habilidades que favoreçam decisões financeiras mais conscientes e responsáveis. Um marco importante nesse processo foi a criação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), instituída pelo Decreto nº 7.397/2010. Entre as ações desenvolvidas, destaca-se o curso “Finanças sem Segredos”, voltado à formação gratuita de docentes da educação básica, sendo uma das iniciativas pioneiras na área.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Para ampliar o alcance dessas iniciativas, o ensino a distância apresenta-se como alternativa viável, embora enfrente desafios como evasão e necessidade de estratégias que promovam o engajamento dos participantes. Assim, o presente estudo objetiva analisar os fatores que levaram à desistência no curso “Finanças sem Segredos”, ofertado a distância como parte da capacitação docente em educação financeira. Busca-se identificar os motivos da não conclusão, compreender a percepção dos docentes sobre a aplicação dos conteúdos em sala de aula e mapear os aspectos positivos e negativos da formação.
Fundamentação Teórica
A educação financeira é o processo pelo qual consumidores financeiros melhoram sua compreensão de produtos, conceitos e riscos financeiros (OCDE, 2005). Dessa forma, o curso “Finanças sem Segredo” foi criado para capacitar professores da educação básica e multiplicadores sociais (AEF-BRASIL, 2018). Ofertado na modalidade a distância, o curso ampliou o acesso à formação em educação financeira; entretanto, a EaD enfrenta desafios como dificuldades técnicas e ausência de suporte social, fatores que podem gerar isolamento e comprometer o engajamento dos alunos (Rybalko et al., 2023).
Metodologia
Este estudo configura-se como descritivo de abordagem quantitativa. Para a coleta de dados, utilizou-se o banco de dados do curso Finanças sem Segredos, por meio da aplicação de um questionário estruturado. Após o processo de coleta, obteve-se uma amostra final composta por 208 questionários. O foco da análise está principalmente nos participantes cadastrados que não iniciaram o curso e naqueles que o iniciaram, mas não o concluíram. A análise estatística utilizou tabelas de contingência, o teste Qui-Quadrado de Pearson e testes não paramétricos (Kruskal-Wallis e Mann-Whitney).
Análise dos Resultados
s resultados evidenciam que a falta de tempo foi o principal fator para a não adesão e evasão do curso, refletindo a sobrecarga de trabalho enfrentada pelos docentes. Problemas de comunicação, como o não recebimento do e-mail de matrícula, também impactaram negativamente a participação. As respostas abertas reforçam a necessidade de conteúdos mais práticos e contextualizados, alinhados às realidades regionais. Além disso, a percepção de aplicabilidade do curso mostrou-se decisiva para sua conclusão, indicando que o engajamento está fortemente ligado à utilidade percebida da formação.
Conclusão
Este estudo indica que, embora o curso analisado represente seja relevante para ampliar o acesso à formação docente em educação financeira, sua efetividade enfrenta limitações. A falta de tempo, agravada pela sobrecarga de trabalho, e os entraves na comunicação digital foram os principais fatores relacionados à evasão e à não adesão. Além disso, a percepção de aplicabilidade prática do conteúdo se mostrou um elemento central para o engajamento e a conclusão da formação, reforçando a importância de alinhar os cursos às demandas dos professores, tanto em termos de conteúdo quanto de formato.
Contribuição / Impacto
Este estudo aprofunda a compreensão dos fatores que influenciam a adesão e a permanência em cursos EaD de formação docente em educação financeira, oferecendo subsídios para o aprimoramento dessas iniciativas. Os resultados destacam a importância de estratégias como tutoria ativa, conteúdos contextualizados, módulos com certificações parciais e comunicação contínua. Tais elementos podem aumentar o engajamento, reduzir o isolamento e orientar políticas públicas mais alinhadas à realidade do magistério brasileiro.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Decreto nº. 7.397, de 22 de dezembro de 2010. Institui a Estratégia Nacional de Educação Financeira - ENEF.
OCDE. Improving financial literacy: Analysis of issues and policies. OECD Publishing, 2005. Disponível em: https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2005/11/improving-financial-literacy_g1gh5cd2/9789264012578-en.pdf.
AEF-BRASIL. Relatório ANUAL 2017 AEF-Brasil. 2018. São Paulo.
RYBALKO, A.; KOCHETKOVA, I.; KIN, O.; LIULCHAK, S.; KHMIL, N. Ensino a distância 2023: Tendências, desafios, problemas. Revista on line de Política e Gestão Educacional, v. 27, 2023.
OCDE. Improving financial literacy: Analysis of issues and policies. OECD Publishing, 2005. Disponível em: https://www.oecd.org/content/dam/oecd/en/publications/reports/2005/11/improving-financial-literacy_g1gh5cd2/9789264012578-en.pdf.
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RYBALKO, A.; KOCHETKOVA, I.; KIN, O.; LIULCHAK, S.; KHMIL, N. Ensino a distância 2023: Tendências, desafios, problemas. Revista on line de Política e Gestão Educacional, v. 27, 2023.