Logo

Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Governança Corporativa, Risco e Compliance

Título

ANÁLISE DE RISCO OPERACIONAL ASSOCIADO A BANCOS BRASILEIROS NO PERÍODO PANDÊMICO DE COVID-19

Palavras-chave

Choque Exógeno de Covid-19 Risco Operacional Sistema Bancário Brasileiro
Agradecimento: Agradecemos a Capes pelo apoio financeiro essencial à realização desta pesquisa. O incentivo contribuiu significativamente para o desenvolvimento científico e a disseminação dos resultados apresentados neste trabalho.

Autores

  • Maria Vitória Anschau Sperry
    Universidade de São Paulo
  • Maria Rickaely de Andrade Silva
    Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo - FEA

Resumo

Introdução

A pandemia de Covid-19 gerou uma crise econômica global sem precedentes, exigindo respostas rápidas do setor bancário brasileiro frente à queda da atividade econômica e ao aumento do risco de inadimplência (El-Chaarani et al., 2021; Duan et al., 2021; Alkhazali et al., 2024). Os bancos desempenharam papel fundamental na manutenção da liquidez e no apoio a medidas emergenciais (Gofran et al., 2022). A crise evidenciou a vulnerabilidade do sistema financeiro a riscos de crédito, liquidez e mercado (Alam et al., 2025), exigindo maior capacidade de gestão e resiliência.

Problema de Pesquisa e Objetivo

A literatura ainda carece de análises empíricas que associam os indicadores financeiros ao cenário extraordinário observado entre 2020 e 2022, o que limita a capacidade de formulação de políticas públicas mais eficientes e de estratégias de mitigação de risco por parte das instituições financeiras. Assim, a questão central que direciona esta pesquisa é: como a crise econômica impulsionada pela covid-19 afetou os níveis de risco operacional dos bancos brasileiros?

Fundamentação Teórica

Instituições financeiras robustas desempenham um papel indispensável na absorção de choques econômicos. Tendo em vista que durante crises, como a recente pandemia da Covid-19, as empresas buscam recursos financeiros por meio de empréstimos bancários para garantir a sua continuidade (La Rocca et al., 2025). No entanto, elas podem tornar-se um fator desestabilizador após choques reais que atingem a qualidade dos investimentos das empresas. Além disso, a estrutura organizacional de bancos multinacionais impacta a transmissão de choques econômicos (Beqiraj et al., 2025).

Metodologia

A pesquisa utilizou dados secundários de 260 bancos brasileiros, ativos entre 2014 e 2024, obtidos em plataformas oficiais como Bacen e IBGE. Foram construídos dois indicadores de risco operacional com base em demonstrações financeiras. A base em painel estático desbalanceado foi analisada por meio de regressões múltiplas com efeitos aleatórios e erros padrão robustos, escolhidas com base no teste de Hausman. Testes de robustez incluíram fator de inflação de variância e Breusch-Pagan para verificar multicolinearidade e heterocedasticidade.

Análise dos Resultados

No modelo do Índice de Comprometimento Operacional, nenhuma variável foi estatisticamente significativa, e o ajuste foi baixo (R² ≈ 3%), sugerindo pouca explicação do risco operacional. Já o modelo do Índice de Provisão de Perdas teve melhor desempenho (R² ≈ 33%), com significância para tamanho, ROA, liquidez e período pré-pandêmico. No entanto, não houve evidências de que a pandemia tenha impactado significativamente o risco operacional bancário.

Conclusão

Este estudo analisou os determinantes do risco operacional em bancos brasileiros entre 2014 e 2024, com base em dados financeiros e macroeconômicos. Utilizou-se painel estático desbalanceado e regressões com efeitos aleatórios. O modelo para o Índice de Comprometimento Operacional apresentou baixo poder explicativo (R² ≈ 3%), enquanto o modelo do Índice de Provisão de Perdas teve melhor desempenho (R² ≈ 33%) e significância para tamanho, ROA, liquidez e período pré-pandêmico. A pandemia não impactou o risco operacional de forma estatisticamente robusta.

Contribuição / Impacto

Essa pesquisa justifica-se pois visa contribuir com o preenchimento de lacuna sobre análises empíricas do risco operacional durante a pandemia, ainda escassas no contexto brasileiro. Bem como, proporcionar reforço à discussão sobre a resiliência do sistema financeiro em momentos de choques externos, com base em evidências históricas. Ainda mais, fornecer estímulo ao desenvolvimento de uma cultura organizacional voltada à gestão de riscos emergentes (ex: riscos pandêmicos, cibernéticos, climáticos).

Referências Bibliográficas

Beqiraj, E., Cao, Q., De Haas, R., & Minetti, R. (2025). Global banking and macroeconomic stability. Liquidity, control, and monitoring. Journal of International Economics, 155, 104077. https://doi.org/10.1016/j.jinteco.2025.104077.
La Rocca, M., Fasano, F., Staglianò, R., La Rocca, E. T., & Deloof, M. (2025). The financial life cycle of European SMEs before, during and after crisis periods. What is the role of a country’s financial system? International Review of Financial Analysis, 104, 104342. https://doi.org/10.1016/j.irfa.2025.104342

Navegação

Anterior Próximo