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Anais

Resumo do trabalho

Gestão Socioambiental · Sustentabilidade e Desempenho das Organizações

Título

ESG E RELATÓRIOS DE SUSTENTABILIDADE: O ESTADO DA ARTE DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA INTERNACIONAL

Palavras-chave

ESG Relatórios de Sustentabilidade Bibliometria
Agradecimento: Os autores agradecem à Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) pelo apoio financeiro e institucional concedido, fundamental para a realização desta pesquisa. O incentivo proporcionado pela FUNCAP contribuiu ao desenvolvimento científico e a consolidação do presente estudo.

Autores

  • LEON AGOSTINHO FIGUEREDO BARBOSA
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
  • Wibson Gomes
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Resumo

Introdução

A divulgação de relatórios de sustentabilidade tem crescido, impulsionada pela demanda por transparência e pela ampliação do escopo das divulgações não financeiras (Boiral, 2013). O conceito ESG, originado no Pacto Global da ONU, tornou a adoção desses relatórios essencial para empresas que valorizam a ética e a responsabilidade socioambiental. Tais informes funcionam como mecanismos estratégicos de comunicação, demonstrando o comprometimento organizacional com os pilares ambiental, social e de governança.

Problema de Pesquisa e Objetivo

O problema de pesquisa é: Qual é o estado da arte da produção científica internacional sobre ESG e relatórios de sustentabilidade? O objetivo geral é analisar essa produção, mapeando o perfil da autoria, os países mais produtivos, as temáticas correlatas e emergentes, as bases teóricas e os métodos utilizados, a fim de fornecer um panorama estruturado das tendências do campo e identificar lacunas para pesquisas futuras.

Fundamentação Teórica

A literatura mostra que as práticas ESG evoluíram de exigências sociais e simbólicas para estratégias corporativas integradas, impulsionadas pela pressão de stakeholders e pela necessidade de legitimidade institucional (Freeman, 2001; Dowling; Pfeffer, 1975). Relatórios de sustentabilidade passaram de documentos narrativos para mecanismos estruturados e comparáveis, com destaque para o GRI e sua função padronizadora. O campo torna-se cada vez mais pragmático, mensurável e orientado à geração de valor duradouro.

Metodologia

A pesquisa é quantitativa e descritiva, baseada em bibliometria, com dados da base Scopus e uso dos softwares R (Bibliometrix) e VOSviewer. A amostra resultou em 381 artigos (2004–2024), refinados por critérios temáticos e áreas do conhecimento. Aplicaram-se as Leis de Lotka e Zipf para mapear padrões autorais e recorrência de termos. Uma subamostra de 113 artigos com fator de impacto ≥2 foi analisada em profundidade. Os dados foram organizados por técnicas, temáticas, teorias, bases de dados e dimensões ESG.

Análise dos Resultados

Os achados revelam concentração da produção em países desenvolvidos e ascensão de temas como ODS, riscos climáticos, inovação e governança. As teorias dos Stakeholders (22%) e da Legitimidade (15%) dominam a base teórica, mas 21% dos artigos não utilizam arcabouço formal, o que reforça a maturidade empírica do campo (Turzo et al., 2022). As técnicas mais comuns são análise de conteúdo e regressão. A ênfase em desempenho evidencia que o ESG é tratado como diferencial competitivo, e não apenas obrigação regulatória.

Conclusão

O campo sobre ESG e sustentabilidade está em rápida expansão, migrando de justificativas teóricas para abordagens aplicadas que analisam impactos organizacionais tangíveis. A literatura recente destaca a mensuração da materialidade, riscos, desempenho e valor de mercado, sinalizando maior sofisticação analítica. A maturidade do debate evidencia o alinhamento entre ESG, governança e estratégia. Pesquisas futuras devem explorar o uso de inteligência artifical, ampliar a cobertura em regiões periféricas e aprofundar temas como justiça social, diversidade e cadeia de suprimentos.

Contribuição / Impacto

O estudo oferece um mapa abrangente e estruturado da produção científica internacional sobre ESG, revelando lacunas relevantes e tendências emergentes para pesquisadores, formuladores de políticas e gestores. A integração entre ESG e desempenho corporativo consolida-se como eixo estratégico. A análise bibliométrica evidencia padrões temáticos robustos e novas fronteiras, como risco climático, greenwashing, ODS e uso de tecnologias como inteligência artificial nos relatórios, que ganham relevância como ferramentas de accountability e governança.

Referências Bibliográficas

BOIRAL, O. Sustainability reports as simulacra? A counter-account of A and A+ GRI reports. Accounting, Auditing & Accountability Journal, v. 26, n. 7, 2013.
DOWLING, J.; PFEFFER, J. Organizational legitimacy: social values and organizational behavior. The Pacific Sociological Review, v. 18, n. 1, p. 122–136, 1975.
FREEMAN, R. E. A stakeholder theory of the modern corporation. Perspectives in Business Ethics, sie 3, p. 144, 2001.
TURZO, T.; MARZI, G.; FAVINO, C.; TERZANI, S. Non-financial reporting research and practice: Lessons from the last decade. Journal of Cleaner Production, v. 345, 2022.

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