Anais
Resumo do trabalho
Empreendedorismo · Redes de Empreendedores, Desenvolvimento Regional e Microempreendedorismo
Título
EMPREENDEDORISMO DE REFUGIADOS NO BRASIL: TRANSFORMANDO TRAJETÓRIAS DE EXÍLIO EM HISTÓRIAS DE SUPERAÇÃO E INCLUSÃO ECONÔMICA
Palavras-chave
Refugiados
Inclusão socioeconômica
Migração
Autores
-
Ricardo Nascimento FerreiraUNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY (UNIGRANRIO)
-
PAULA FERREIRACENTRO UNIVERSITÁRIO CARIOCA (UNICARIOCA)
Resumo
Introdução
Nos últimos anos, o Brasil tem se consolidado como destino para pessoas forçadas a deixar seus países devido a conflitos, crises econômicas e perseguições. Até o fim de 2024, o país abrigava mais de 156 mil refugiados reconhecidos, com destaque para venezuelanos, cubanos, angolanos, indianos e vietnamitas. Apesar de um marco jurídico relativamente acolhedor, persistem barreiras ao acesso à educação, saúde e trabalho. Nesse contexto, o empreendedorismo tem se mostrado uma alternativa viável para promover autonomia econômica e inclusão social entre refugiados.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Embora o tema ganhe destaque internacionalmente, ainda há escassez de estudos no Brasil que analisem de forma sistemática as trajetórias empreendedoras de refugiados, especialmente no que diz respeito aos programas institucionais de acolhimento e capacitação. Faltam análises que integrem os desafios e oportunidades enfrentados por esses grupos, considerando aspectos culturais, jurídicos, sociais e econômicos. O presente artigo busca preencher essa lacuna ao tratar o empreendedorismo não apenas como resposta à exclusão, mas como mecanismo de reconstrução identitária e resiliência.
Fundamentação Teórica
O empreendedorismo tem se destacado como uma prática transformadora em contextos de vulnerabilidade e migração forçada, especialmente entre refugiados. Para além da exclusão do mercado formal, ele funciona como estratégia de reconstrução identitária, recuperação da autonomia e reinserção socioeconômica. Este estudo fundamenta-se na Teoria da Resiliência (Ungar, 2021), que aborda a superação de adversidades, e na Teoria da Inclusão Econômica (Banco Mundial, 2023), que analisa a participação de grupos marginalizados nos processos produtivos.
Metodologia
Este estudo adota uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, voltada à compreensão das experiências de refugiados em programas de capacitação do CEFET/RJ. A escolha por esse método visa aprofundar a análise das trajetórias empreendedoras, percepções de inclusão e desafios enfrentados em contextos de deslocamento forçado. Conforme Denzin e Lincoln (2020), a pesquisa qualitativa é adequada para explorar temas emergentes e compreender realidades específicas.O estudo foi estruturado em duas etapas complementares: análise documental e entrevistas narrativas com refugiados.
Análise dos Resultados
A análise narrativa dos 20 depoimentos de refugiados que participaram de programas de formação e acolhimento do CEFET/RJ nos meses de maio e junho de 2025 permitiu identificar padrões recorrentes e aspectos singulares das trajetórias empreendedoras desse grupo. Os dados revelam a interseção entre fatores subjetivos (como agência, identidade e trauma) e estruturais (como acesso a direitos, reconhecimento profissional e políticas públicas).Os resultados foram organizados em quatro proposições analíticas, evidências empíricas e diálogo da Teoria da Resiliência e da Teoria da Inclusão Econômica.
Conclusão
Esta pesquisa analisou o papel do empreendedorismo como estratégia de inclusão socioeconômica para refugiados no Brasil, com base nas narrativas de 20 participantes dos programas de capacitação do CEFET/RJ. Os relatos mostraram que, diante de barreiras como a não validação de diplomas, dificuldades com o idioma, discriminação e insegurança documental, o empreendedorismo surgiu como alternativa para reconstruir a autonomia, identidade e alcançar estabilidade financeira.
Contribuição / Impacto
A pesquisa também evidenciou práticas criativas dos refugiados, como o uso de redes sociais, parcerias com brasileiros e adaptação de produtos ao mercado local. Isso confirma o caráter multidimensional do empreendedorismo migrante, que articula competências técnicas, emocionais e sociais. O estudo reforça a importância de políticas públicas específicas e sugere futuras pesquisas comparativas, com abordagem longitudinal e participação de diferentes instituições, para avaliar os impactos de longo prazo na integração de refugiados.
Referências Bibliográficas
Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. (2024). Refúgio em números: Brasil bate recorde de pedidos e reafirma compromisso com acolhida humanitária. https://www.acnur.org/br
Banco Mundial. (2023). Economic Inclusion Framework: Advancing economic opportunities for the forcibly displaced. https://www.worldbank.org
Bastos, G., & Andrade, M. (2015). Narrativas e identidades: Um estudo sobre a construção de sentidos . Editora XYZ.
Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo (Edição revista e atualizada). Edições 70.
Banco Mundial. (2023). Economic Inclusion Framework: Advancing economic opportunities for the forcibly displaced. https://www.worldbank.org
Bastos, G., & Andrade, M. (2015). Narrativas e identidades: Um estudo sobre a construção de sentidos . Editora XYZ.
Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo (Edição revista e atualizada). Edições 70.