Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho
Título
A MONETIZAÇÃO DO INDIVÍDUO: REMUNERAÇÃO E CRIAÇÃO DE SENTIDO NAS ORGANIZAÇÕES
Palavras-chave
Remuneração
Sensemaking
Indivíduo
Autores
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Beatriz Lima ZanoniCENTRO UNIVERSITÁRIO AUTÔNOMO DO BRASIL
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Pablo Henrique Paschoal CapuchoCENTRO UNIVERSITÁRIO AUTÔNOMO DO BRASIL
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Rafael Borim de SouzaUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)
Resumo
Introdução
A remuneração, considerada enquanto um dos elementos que constituem o subsistema de manutenção da área de Gestão de Pessoas, representa normalmente, de forma objetiva, a realização de um pagamento em troca de um resultado esperado. Contudo, ela pode também representar uma forma de reforçar o compromisso do indivíduo com a organização, tanto em relação aos resultados, quanto em relação à dimensão afetiva, no que se refere ao reconhecimento, prestígio e outros aspectos psicossociais.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este artigo tem a intenção de tecer debates sobre a remuneração enquanto um subsistema da Gestão de Pessoas que está relacionado à performance organizacional, à construção de sentidos e à monetização do indivíduo.
Fundamentação Teórica
A remuneração, em sua interpretação mais literal, está relacionada ao pagamento em troca de um resultado esperado. Fundamentada no modelo mais tradicional, pode ser calculada a partir da ideia de dois fatores: salário base e cargo do indivíduo. Sabe-se, contudo, que a remuneração também pode ser interpretada de forma menos objetiva e então ser reconhecida enquanto uma maneira de reforçar o compromisso do indivíduo com a organização em diferentes dimensões, ou seja, tanto no que diz respeito aos resultados, quanto em relação à dimensão afetiva.
Discussão
Neste sentido, entende-se o sensemaking enquanto um elemento central no contexto organizacional e, consequentemente, como um elemento relevante na discussão sobre remuneração, visto que é uma forma de destacar a linguagem como causa e efeito das construções individuais e coletivas. Diante das construções de sentido coletivos, advindas das organizações, entende-se a possibilidade de imposições ideológicas que reforçam a instrumentalização e monetização do indivíduo.
Conclusão
A remuneração compõe uma parte essencial do subsistema de manutenção da organização, sendo extensivamente atrelada como motivador para comprometimento, redução de turnover, e práticas organizacionais, como a preocupação com a Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Ainda assim, a remuneração também faz parte de uma gestão gerencialista na qual o trabalhador é induzido a incorporar uma lógica capitalista que preza pela competitividade e individualidade, uma lógica do lucro e financeira voltada para resultados, e uma lógica métrica, que objetiva o indivíduo a partir de instrumentos “neutros”.
Contribuição / Impacto
Discussões neste sentido podem contribuir, teoricamente e empiricamente, para a sociedade e para as organizações. Para a sociedade, buscamos refletir sobre a construção de sentido em torno da remuneração como meio para instrumentalização e monetização do trabalhador no que tange às percepções de aquisição financeira e poder, poder aquisitivo e realização, benefícios e desempenho. Para as organizações, a discussão permite que o trabalhador compreenda melhor sobre o contexto no qual está inserido, e reflita sobre a gestão gerencialista, seus meios e instrumentos de dominação.
Referências Bibliográficas
Gaulejac, V. de. (2007). Gestão como doença social. São Paulo: Ideias e Letras.
Pagès, M., Bonetti, M., Gaulejac, V., & Descendre, D. (1987). O poder das organizacões: a dominacão das multinadonais sobre os indivíduos. Atlas.
Sandberg, J.; Tsoukas, H. (2020). Sensemaking reconsidered: Towards a broader understanding through phenomenology. Organization Theory, 1(1).
Schildt, H., Mantere, S., & Cornelissen, J. (2020). Power in sensemaking processes. Organization Studies, 41(2), 241–265.
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