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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Diversidade, Diferença e Inclusão nas Organizações

Título

TRABALHO DECENTE E INFORMALIDADE: percepções de costureiras no Agreste Pernambucano sob uma perspectiva de gênero

Palavras-chave

Trabalho decente; informalidade; gênero
Agradecimento: Este trabalho foi apoiado pela Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE) [Edital nº 28, 2022].

Autores

  • Paloma Araújo Rocha
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Francisco Ricardo Bezerra Fonsêca
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Débora Coutinho Paschoal Dourado
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)

Resumo

Introdução

Desde os anos 1980, o mundo do trabalho mudou com a globalização, o neoliberalismo e a tecnologia. Isso gerou precarização, informalidade e aumento das desigualdades. A OIT criou, em 1999, o conceito de "trabalho decente", visando garantir condições dignas. Porém, críticas apontam que ignora a subjetividade dos trabalhadores. Este estudo investiga como mulheres do Polo de Confecções do Agreste de Pernambuco, em situação informal, vivenciam e significam o trabalho decente, buscando ampliar esse conceito.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Problema de pesquisa:
Como mulheres brasileiras em situação de informalidade, especialmente no Polo de Confecções do Agreste Pernambucano, compreendem e vivenciam o conceito de trabalho decente, considerando suas experiências subjetivas e contextos socioculturais?

Objetivo geral:
Investigar as características e os significados atribuídos ao trabalho decente por mulheres brasileiras em situação de informalidade no Polo de Confecções do Agreste Pernambucano.

Fundamentação Teórica

O conceito de trabalho decente, proposto pela OIT em 1999, visa promover empregos dignos com remuneração justa, segurança, proteção social e igualdade. No entanto, críticas apontam que a abordagem tradicional, centrada no emprego formal e em indicadores objetivos, ignora a diversidade de contextos e experiências subjetivas dos trabalhadores, especialmente em cenários de informalidade. Assim, estudos recentes propõem ampliar esse conceito, considerando significados culturais, sociais e individuais atribuídos ao trabalho.

Metodologia

A pesquisa adotou abordagem qualitativa com base na metodologia narrativa, visando compreender como costureiras do PCAP experienciam o trabalho decente. Foram realizadas 19 entrevistas narrativas temáticas, conduzidas presencialmente e online. A análise seguiu a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. As narrativas revelaram categorias emergentes, como remuneração, autonomia, proteção social e bem-estar. Utilizou-se o MAXQDA e estratégias de rigor como triangulação, reflexividade e auditoria.

Análise dos Resultados

A análise de 19 entrevistas revelou sete categorias principais: remuneração justa, flexibilidade no trabalho, proteção social, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, conciliação com cuidados infantis, reconhecimento no trabalho e saúde mental. As mulheres destacam a importância de salários adequados, autonomia, acesso a direitos, apoio social e ambiente livre de assédio. A pesquisa enfatiza que trabalho decente envolve não só ganhos financeiros, mas também qualidade de vida, respeito e suporte emocional.

Conclusão

Este artigo investigou o significado de trabalho decente para mulheres brasileiras na informalidade. Além da remuneração justa, proteção social e segurança, destacam-se a conciliação trabalho-cuidados, reconhecimento simbólico e saúde mental. O trabalho digno respeita limites físicos e emocionais, valoriza o esforço individual e considera o contexto de vida. A pesquisa amplia a visão de trabalho decente, integrando gênero e experiências subjetivas, e reforça a necessidade de políticas públicas que atendam a essas realidades.

Contribuição / Impacto

Este artigo contribui ao ampliar a concepção de trabalho decente para mulheres na informalidade, incorporando dimensões materiais e subjetivas pouco consideradas. Destaca a importância da conciliação entre trabalho e cuidado, reconhecimento simbólico, saúde mental e redes comunitárias. Ao integrar gênero e interseccionalidade, revela lacunas nas definições tradicionais da OIT e reforça a necessidade de políticas e debates que valorizem experiências e contextos de grupos marginalizados, enriquecendo o conceito de trabalho digno.

Referências Bibliográficas

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