Anais
Resumo do trabalho
Estratégia em Organizações · Economia de Empresas, Instituições e Organização Industrial
Título
Meso-instituições e Governança: O papel da FAETERJ Petrópolis na Gestão e Coordenação no processo de organização da Indicação Geográfica no Rio de Janeiro
Palavras-chave
Meso-instituições
Viticultura
Indicação Geográfica
Autores
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Igor Nunes Machado MirandaFundacao Getulio Vargas/EBAPE
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Yasmin Schneider AbdalaFundacao Getulio Vargas/EBAPE
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Enzo de Almeida Schiavinato RodriguesFundacao Getulio Vargas/EBAPE
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Eder de Carvalho JanuarioFACULDADE IBMEC (IBMEC)
Resumo
Introdução
O artigo aborda as Indicações Geográficas (IGs) como ferramentas para o progresso regional, fortalecendo a cultura e identidade territorial. Enfatiza a relevância da integração entre os níveis micro, meso e macro institucionais, com foco na atuação das meso-instituições na governança das IGs dos vinhos de inverno no Rio de Janeiro. A pesquisa examina impactos econômicos, sociais e turísticos, identifica os atores envolvidos, suas metodologias e os desafios de articulação institucional no contexto brasileiro.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A pesquisa parte da pergunta: “Como as meso-instituições auxiliam na organização da governança das Indicações Geográficas dos vinhos de inverno no estado do Rio de Janeiro?”. O objetivo foi compreender o papel dessas instituições na gestão e estruturação da IG, analisando sua atuação como instâncias intermediárias entre normas legais e práticas locais. A partir do caso da FAETERJ, o estudo investiga como essas entidades promovem articulação entre os atores, traduzem diretrizes em ações concretas, reduzem incertezas e fortalecem a governança territorial voltada ao desenvolvimento sustentável.
Fundamentação Teórica
O referencial teórico baseia-se na Nova Economia Institucional, destacando o papel das instituições na redução de incertezas e custos de transação. Aborda a governança das Indicações Geográficas (IGs) sob a ótica das meso-instituições, que atuam como mediadoras entre normas e práticas locais. Destaca a articulação entre os níveis micro, meso e macro, com ênfase na atuação de órgãos como FAETERJ, SEBRAE, INPI e MCTI na estruturação e implementação das IGs no Rio de Janeiro.
Metodologia
A investigação seguiu uma abordagem qualitativa por meio de estudo de caso único, de caráter instrumental e aprofundado, conforme Stake (1994). A entrevista com a gestora Lucimar Cunha, responsável pela solicitação da IG ao INPI, foi realizada com base em roteiro semiestruturado. A amostragem teórica, seguiu os princípios de Eisenhardt (1989), focando em casos ricos em informação. O estudo adota uma perspectiva analítica, utilizando o cruzamento de informações para aprofundar a interpretação dos dados, priorizando consistência teórica e credibilidade em vez de generalizações estatísticas.
Análise dos Resultados
A análise mostra que a FAETERJ atua como meso-instituição ao mediar entre normas institucionais e práticas locais na estruturação da IG dos vinhos de inverno. Sua atuação envolve articulação entre atores, oferta de suporte técnico, tradução normativa e estímulo à inovação territorial. A instituição evita funções fiscalizatórias, reforçando uma governança colaborativa com a VINISERRA. Ao enfrentar desafios de coordenação e diversidade produtiva, a FAETERJ fortalece a coesão institucional e contribui para a sustentabilidade da IG, sendo referência em modelos de governança territorial.
Conclusão
A pesquisa evidencia que a FAETERJ Petrópolis desempenha papel central como meso-instituição na condução da IG dos vinhos de inverno, ao integrar normas institucionais com práticas locais, promover inovação e fortalecer a cooperação entre atores. Sua atuação reduz desigualdades de informação e estimula o desenvolvimento territorial. Contudo, limitações metodológicas exigem investigações futuras mais amplas com foco em análises comparativas, de espectro longitudinal e da perspectiva dos produtores.
Contribuição / Impacto
O artigo se destaca por oferecer uma contribuição prática e teórica ao servir como um roadmap para produtores interessados em implementar uma Indicação Geográfica (IG) em estados não agrícolas. Com base na experiência da FAETERJ, detalha as etapas do processo, os entraves institucionais, as articulações entre os níveis institucionais e os elementos essenciais da governança. A pesquisa permite que produtores antecipem desafios e adotem estratégias adequadas, tornando-se uma referência útil para iniciativas em contextos territoriais diversos e com menor tradição agrícola.
Referências Bibliográficas
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