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Anais

Resumo do trabalho

Métodos e Técnicas de Pesquisa em Administração · Ambientes de Ensino e Aprendizagem

Título

IMPACTOS DA PANDEMIA NO ENSINO SUPERIOR: UMA ANÁLISE COM MICRODADOS DO ENADE (2021 E 2022)

Palavras-chave

ENADE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PANDEMIA

Autores

  • Roberto Brazileiro Paixão
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (UFBA)
  • Clara Valente Serra
    Núcleo de Pós-graduação (NPGA) - Universidade Federal da Bahia (UFBA)
  • Madiã marcela Fernandes vasconcelos
    Núcleo de Pós-graduação (NPGA) - Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Resumo

Introdução

Durante a pandemia de Covid-19, instituições de ensino enfrentaram desafios no Ensino Remoto Emergencial. Este artigo analisa a percepção de estudantes de instituições públicas e privadas, e de cursos presenciais e EaD, sobre os impactos da pandemia, com base nos microdados do Enade (2021-2022). Através de metodologia quantitativa os resultados mostram que alunos de instituições públicas foram mais afetados, enquanto os de EaD sofreram menos impactos. Destaca-se a necessidade de melhor preparo institucional, especialmente nas instituições públicas, para futuras emergências.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Quais as diferenças entre a percepção de discentes de instituições privadas e públicas e de cursos presenciais e a distância acerca dos impactos da pandemia na sua formação?
Objetivo analisar as diferenças entre a percepção de discentes de instituições privadas e públicas e de cursos presenciais e a distância acerca dos impactos da pandemia na sua formação, a partir dos microdados do Enade (2021 e 2022)

Fundamentação Teórica

A pandemia da Covid-19 gerou impactou na educação com a suspensão de aulas que afetou mais de 90% dos estudantes (Bozkurt, Sharma, 2020). Arruda (2020) e Dias (2021) abordaram as desigualdades entre os sistemas de ensino público e privado no Brasil à luz da crise sanitária. No ensino superior, o Ensino Remoto Emergencial foi adotado por IES presenciais de modo distinto ao dos cursos EaD (Bozkurt, Sharma, 2020; Silus et al., 2020). Ambos modelos enfrentaram desafios para apropriação de tecnologias digitais e na busca por condições mínimas de atendimento aos estudantes (Blando et al., 2021).

Metodologia

Foram analisados microdados do Enade (2021–2022), com exclusão de respostas incompletas e cursos com menos de 10 respondentes. A base final contou com 173.247 respostas (2021) e 229.726 (2022). Utilizou-se Análise Fatorial Exploratória para avaliar propriedades psicométricas dos itens sobre a pandemia e, em seguida, Modelagem Linear Multinível (MLM) para analisar os efeitos da modalidade e da categoria da IES. As análises foram realizadas no software R com pacotes específicos para AFE e MLM.

Análise dos Resultados

A Análise Fatorial Exploratória indicou dois fatores para os impactos da pandemia: “Adaptação institucional, docente e discente” e “Desistência e prejuízo na formação”, com bons índices de confiabilidade (KMO ~0,9; Alpha ≥0,73). A modelagem multinível mostrou que a categoria administrativa (pública ou privada) e a modalidade (presencial ou EaD) explicam parte do primeiro fator, sendo alunos de privadas e EaD mais favoráveis. O segundo fator teve tamanho do efeito muito baixo e não foi discutido.

Conclusão

Embora a pandemia tenha acabado, seus efeitos educacionais persistem (Dias, 2021; Gomes et al., 2021). Estudantes de IES públicas foram mais afetados que os de privadas, que tinham melhor infraestrutura (Arruda, 2020). Alunos do EaD sentiram menos impacto que os do presencial (Souza, 2020). IES públicas e presenciais precisam planejar emergências futuras, investindo em tecnologia e capacitação (Xiao & Li, 2020). Limitações incluem dados incompletos e ausência de indicadores socioeconômicos.

Contribuição / Impacto

Este estudo evidencia que estudantes de instituições públicas foram mais impactados pela pandemia que os de privadas, revelando desigualdades estruturais no ensino superior. Mostra também que alunos de cursos EaD sofreram menos que os presenciais, destacando a importância da tecnologia e preparação prévia. Os resultados reforçam a necessidade de planejamento emergencial nas IES públicas e presenciais para futuras crises. Além disso, aponta lacunas nos dados disponíveis, sugerindo a importância de avaliações mais completas para políticas educacionais eficazes.

Referências Bibliográficas

Arruda, P. (2020). EDUCAÇÃO REMOTA EMERGENCIAL: Elementos para políticas públicas na educação brasileira em tempos de Covid-19. EmRede - Revista de Educação a Distância, 7(1), 257–275.
Bozkurt, A., & Sharma, C. (2020). Emergency remote teaching in a time of global crisis due to CoronaVirus pandemic. Asian Journal of Distance Education, 15(1).
Dias, É. (2021). A Educação, a pandemia e a sociedade do cansaço. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 29(112), 565–573.

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