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Anais

Resumo do trabalho

Marketing · Cultura e Consumo

Título

BIOPODER E DISCURSOS DE AUTORIDADE: a influência dos líderes digitais na regulação do consumo de suplementos

Palavras-chave

Biopoder Influência digital Suplementos alimentares
Agradecimento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

Autores

  • Jeferson Mendonça Pereira Filho
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • ELIELSON OLIVEIRA DAMASCENA
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)

Resumo

Introdução

O crescimento do mercado de suplementos alimentares é acompanhado pela atuação de influenciadores digitais que participam ativamente da prescrição de práticas de saúde e bem-estar. Paralelamente, surge uma nova frente de influenciadores que contestam a eficácia e segurança desses produtos. Esse cenário revela um conflito simbólico na esfera digital, onde diferentes vozes disputam legitimidade sobre o cuidado com o corpo. O estudo parte dessa tensão para investigar como se constroem os discursos de oposição à suplementação alimentar.

Problema de Pesquisa e Objetivo

A pesquisa busca compreender como influenciadores digitais constroem e legitimam discursos contrários à suplementação alimentar nas mídias sociais. O objetivo é identificar as estratégias discursivas utilizadas, bem como os elementos persuasivos e simbólicos que sustentam essas narrativas. A investigação também pretende refletir sobre os efeitos desses discursos na normatização dos corpos e práticas de saúde. Trata-se de analisar o poder discursivo exercido no ambiente digital, mesmo quando aparentemente contra-hegemônico.

Fundamentação Teórica

A base teórica do estudo está centrada na noção de biopoder de Michel Foucault, que permite compreender como práticas discursivas regulam condutas e subjetividades. A atuação dos influenciadores é vista como parte de uma rede de poder que produz saberes e modos de vida socialmente aceitos. O discurso sobre saúde, mesmo quando crítico, pode funcionar como dispositivo de controle e normalização. Assim, o biopoder opera não apenas por instituições tradicionais, mas também por sujeitos digitais influentes.

Metodologia

Este estudo é de caráter qualitativo e está embasado no paradigma interpretativista. Além disso, quanto ao seu objetivo, é identificada como pesquisa de tipo exploratória, tendo em vista que pretende proporcionar maior familiaridade com o problema (Gil, 2008). Tratando-se dos procedimentos técnicos desta investigação, recorre-se a pesquisa documental, enquanto técnica de coleta de dados. Para a análise desse material coletado foi utilizada a análise do discurso funcional (Gill, 2015).

Análise dos Resultados

Os resultados indicam que os discursos contrários à suplementação são sustentados por três estratégias principais: apelo à autoridade pessoal, crítica à indústria e valorização da alimentação natural. Os influenciadores se posicionam como figuras confiáveis, utilizando linguagem técnica e relatos de experiências para legitimar sua fala. Apesar da crítica, tais discursos reforçam práticas de autocontrole e vigilância corporal. Verifica-se que a contestação se dá dentro dos limites do discurso da saúde normativa.

Conclusão

Conclui-se que os discursos analisados não rompem com os dispositivos de regulação do biopoder, mas os reconfiguram a partir de novas formas de autoridade discursiva. A atuação dos influenciadores críticos contribui para a renovação dos regimes de verdade sobre o corpo, saúde e consumo. A oposição à suplementação, nesse contexto, não nega a normatização, apenas desloca seus fundamentos simbólicos. A figura do influenciador digital atua como catalisador de condutas desejáveis sob a lógica da autonomia e da performance.

Contribuição / Impacto

O estudo contribui para o debate sobre os efeitos simbólicos da influência digital no campo da saúde e do bem-estar. Ao analisar discursos contrários à suplementação alimentar, revela como influenciadores constroem novas formas de autoridade e produzem sentidos sobre autocuidado. A pesquisa evidencia que, mesmo em narrativas críticas, há reforço de práticas normativas e idealizações corporais. Com isso, o trabalho amplia a compreensão sobre os mecanismos contemporâneos de regulação dos corpos nas mídias sociais.

Referências Bibliográficas

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Arnold, E. J., & Thompson, C. J. (2007). Consumer culture theory (CCT): Twenty years of research. Journal of Consumer Research, 31(4), 868-882.
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