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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Epistemologias e Ontologias em Estudos Organizacionais

Título

AMBIVALÊNCIAS EMOCIONAIS NO ANTROPOCENO: A PERSPECTIVA PSICANALÍTICA EM TEMPOS DE CRISE CLIMÁTICA

Palavras-chave

Antropoceno Crise Climática Matriz Psicanalítica
Agradecimento: Fundação Edson Queiroz

Autores

  • Luisa Janaina Lopes Barroso Pinto
    UNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR)
  • RAQUEL FIGUEIREDO BARRETTO
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ (UECE)

Resumo

Introdução

O colapso transdimensional que atravessa o tecido ecossistêmico e a crescente frequência de eventos extremos impactam vidas e comunidades, dentro da perspectiva global, e têm importantes implicações a longo prazo para a saúde física e mental, como resultado de mudanças ambientais agudas e crônicas, desde tempestades e incêndios florestais até a mudança de paisagens e o aumento das temperaturas (Verplanken, 2020). Evidências científicas indicam que estamos vivendo uma catástrofe ecológica, que revela de maneira brutal a formação de uma grande massa de excluídos do sistema social atual.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Nesse esteio, seria o processo civilizatório, incumbido de assegurar a perpetuação da espécie humana, ou, em contrapartida, teria ele um papel preponderante na aceleração de sua própria decadência?sob o prisma da ambiguidade gerada por sofrimentos psíquicos contêmporâneos , traz-se a seguinte reflexão: Como os sofrimentos relacionados à crise climática são explicados na matriz psicanalítica? O ensaio terá como objetivo investigar através de diferentes textos da matriz psicanalítica, os sofrimentos ambivalentes causados pela crise climática no antropoceno, denominados de ecofobia e ecoansiedade

Fundamentação Teórica

O Relatório Brundtland apontou que, em relação à degradação ambiental, a humanidade já teria ultrapassado os limites necessários para manter o modo de vida como o conhecemos (CMMAD, 1987).Tal constatação conduziu Freud à conclusão de que o mal-estar não constitui um elemento alheio ao processo civilizatório, mas sim um de seus próprios fundamentos estruturais.Nesse ponto que se abre uma possibilidade de intervenção: ainda que não se possa eliminar por completo o sofrimento, haveria a chance de mitigá-lo, o que, no entanto, raramente se realiza, e esse não-fazer revela o fracasso (Freud, 1930)

Discussão

Assim, ao compreendermos que a apropriação da natureza também se dá por meio da violência, da dor e da destruição, torna-se evidente que há, no cerne da sociedade, uma dimensão de fracasso estrutural e mesmo de estranheza, sobretudo quando se analisa a crise ambiental sob múltiplas perspectivas interpretativas, e formas de sofrimento sob à ótica da matriz psicanalítica (De Araújo e Di Giulio, 2020).A ruptura dessa ilusão inaugura não apenas um reconhecimento da finitude, mas também um abalo psíquico e simbólico que desestrutura concepções arraigadas de progresso e controle.

Conclusão

Denominadas de ecofobia e ecoansiedade, compreendeu-se que em suas interpretações psicanalíticas é possível obter respostas psicológicas às crises ambientais. Observou-se que os sofrimentos refletem o crescente impacto da degradação ecológica e das mudanças climáticas na saúde mental, estimulando a exploração clínica e teórica, especialmente em contextos psicanalíticos e psicoterapêuticos. Revelou-se também que os sofrimentos ambivalentes causados pela crise climática no antropoceno, denominados de ecofobia e ecoansiedade, podem ser expostos como um sintoma psíquico-cultural.

Contribuição / Impacto

Propõe-se o conceito de "pulsão climática", que estrutura as manifestações da ecofobia e da ecoansiedade como respostas inconscientes à degradação ambiental. A ecofobia aparece como um impulso de negação e dominação da natureza, enquanto a ecoansiedade reflete a angústia diante da ameaça ecológica, podendo despertar formas de ativismo. Desvelou-se também a força da lógica capitalista, que instaura o apelo incessante por consumismo, hedonismo e reificação das relações e neste esteio deverá patrocinar o cataclisma planetário.

Referências Bibliográficas

CMMAD – Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1987.
DE ARAUJO, Adriano Kasiorowski; DI GIULIO, Gabriela Marques. Desenvolvimento sustentável: uma estratégia narcísica para enfrentar a crise ambiental?. Ambiente & Sociedade, v. 23, 2020.
FREUD, S. O mal-estar na civilização (1930). In: Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996c. v. 21, p. 65-148.
VERPLANKEN, Bas; MARKS, Elizabeth; DOBROMIR, Alexandru I. On the nature of ecoanxiety: How constructi

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