Anais
Resumo do trabalho
Gestão Socioambiental · A Gestão e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODSs)
Título
ENTRE INTENÇÕES E RESULTADOS: O ALINHAMENTO ESG–ODS NAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO
Palavras-chave
ODS
ESG
Stakeholders
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES).
Autores
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Camile Rebeca BrunsUNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ (UNIVALI)
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Anete AlbertonUNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ (UNIVALI)
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Danielle Denes dos SantosPONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ (PUCPR)
Resumo
Introdução
O contexto atual redefine os critérios de avaliação organizacional: agora, desempenho abrange lucro e impacto socioambiental. Lançados em 2015 pela ONU, os 17 ODS propõem uma abordagem integrada para enfrentar desafios globais como pobreza, desigualdades e clima (Gupta & Vegelin, 2016; Van Zanten & Tulder, 2021). Embora conceitualmente relevantes, resultados práticos são limitados: segundo o Sustainable Development Report (2024), o progresso estagnou desde 2020. Empresas são chamadas a agir, mas enfrentam barreiras na incorporação efetiva (García Sánchez et al., 2020; Jun & Kim, 2021).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Estudos recentes enfatizam que alinhar práticas ESG aos ODS intensifica o engajamento dos stakeholders (De Silva Lokuwaduge et al., 2022; Nonet et al., 2022; Sarkar et al., 2023). Contudo, há escassez de estudos sobre as estratégias organizacionais para atingir os ODS, sobretudo em países em desenvolvimento (Ike et al., 2019; Mio & Blundo, 2020; Domingo Posada et al., 2024). Neste contexto, este artigo busca compreender, com base em evidências empíricas e na perspectiva de stakeholders internos, como cooperativas de crédito brasileiras alinham suas práticas ESG aos ODS.
Fundamentação Teórica
O setor empresarial, especialmente o cooperativo, é crucial na implementação dos ODS. As cooperativas promovem inclusão, governança democrática e responsabilidade ambiental, atuando como parceiras relevantes no desenvolvimento sustentável (Iyer, 2020; Polo Garrido et al., 2022). Estudos mostram que ativos intangíveis (reputação, cultura e confiança) são essenciais para gerar valor sustentável. O ESG mitiga riscos, abre mercados e fortalece capital relacional (Dmuchowski et al., 2023). O sucesso a longo prazo também está ligado ao bem estar dos stakeholders (Geldres Weiss et al., 2021).
Metodologia
Pesquisa qualitativa, com cooperativas de crédito, baseou-se em entrevistas semiestruturadas (12 gestores, de forma presencial e online), além da análise de relatórios e informativos das cooperativas. A triangulação dessas fontes aumentou o rigor do estudo. Para as práticas ODS, foram adotadas as metas adaptadas ao contexto brasileiro pelo IPEA. Já as práticas ESG foram mapeadas com base na ABNT PR 2030/2022. A avaliação da aderência e contribuição para os ODS utilizou o modelo de Belinky (2021), adaptado ao contexto de negócio, classificando as evidências como fracas, superficiais ou fortes.
Análise dos Resultados
Das práticas ambientais identificadas, observa-se uma concentração em iniciativas específicas. Nos temas sociais uma forte atuação em ações voltadas ao público de colaboradores, cooperados e comunidades locais. Isso tem grande conexão com os princípios cooperativistas 5 e 7. Em governança, há uma atuação significativa relacionada à conduta empresarial, governança corporativa e de controle. Com base nos critérios de Belinky (2021) as evidências concentram-se nos níveis superficial e fraco, nenhuma forte.
Conclusão
Os dados apontam que a integração do ESG nas cooperativas, sobretudo nas singulares, ainda está em estágio inicial. Apesar da crescente conscientização, a implementação efetiva enfrenta desafios relevantes. Para avançar, é necessário que adoção de abordagens mais proativas, como estabelecer metas claras e destinar recursos específicos para práticas ESG. Embora ainda inicial, muitas cooperativas já desenvolvem ações relacionadas aos ODS, reforçando seu papel como aliadas essenciais, conforme apontado por Iyer (2020) e Polo Garrido et al. (2022).
Contribuição / Impacto
Resultados evidenciam oportunidades de aprimoramento nas práticas de sustentabilidade e reforçam importância do alinhamento entre ESG/ODS como instrumento para geração de valor duradouro e fortalecimento do engajamento dos stakeholders. Teoricamente, ao aplicar e adaptar o modelo de Belinky (2021), contribui com a validação contextual do referencial, bem como seu refinamento, ao revelar que o alinhamento das práticas das cooperativas ainda ocorre majoritariamente em níveis superficial e fraco. Além disso, aprofunda a compreensão da Teoria dos Stakeholders no cooperativismo.
Referências Bibliográficas
Belinky, A. (2021). Seu ESG é sustentável?. GV-EXECUTIVO, 20(4).
Freeman, R. E., Harrison, J. S., & Wicks, A. C. (2007). Managing for stakeholders. Survival, reputation, and success. Yale University Press.
Iyer, B. (2020). Cooperatives and the sustainable development goals. In Waking the Asian Pacific co-operative potential (pp. 59-70). Academic Press.
Polo-Garrido, F., Bollas-Araya, H. M., & Bravo-Sellés, M. (2022). SDGs and cooperatives entities: a study of the biggest financial cooperatives. In 33rd CIRIEC International Congress, Valencia.
Freeman, R. E., Harrison, J. S., & Wicks, A. C. (2007). Managing for stakeholders. Survival, reputation, and success. Yale University Press.
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Polo-Garrido, F., Bollas-Araya, H. M., & Bravo-Sellés, M. (2022). SDGs and cooperatives entities: a study of the biggest financial cooperatives. In 33rd CIRIEC International Congress, Valencia.