Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Valores, Sentidos e Vínculos no/do Trabalho
Título
CONTRIBUIÇÕES DAS RELAÇÕES DE AMIZADE PARA O ENGAJAMENTO NO TRABALHO
Palavras-chave
Amizade
Engajamento
Trabalho
Autores
-
João Victor Tavares LemosUNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
-
Bruno Chaves Correia-LimaUNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)
-
Luis Eduardo Brandão PaivaUNIVERSIDADE NOVE DE JULHO (UNINOVE)
Resumo
Introdução
O engajamento no trabalho configura-se como um fenômeno influenciado por múltiplos fatores, entre os quais se destacam as dimensões individuais e contextuais das relações interpessoais. No âmbito organizacional, os vínculos de amizade podem atuar como um recurso emocional significativo, embora seus efeitos ainda sejam insuficientemente explorados na literatura. Este estudo propõe-se a contribuir para esse campo de investigação ao analisar de que modo tais vínculos impactam o engajamento de trabalhadores terceirizados em uma organização pública brasileira.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Considerando a relevância dos fatores psicossociais para o engajamento no trabalho, as amizades organizacionais configuram-se como recursos potenciais para a motivação e o bem-estar, embora ainda pouco investigadas no contexto do trabalho terceirizado. Esta pesquisa parte da seguinte questão: de que forma as relações de amizade no ambiente de trabalho contribuem para o engajamento dos trabalhadores? O objetivo é analisar as contribuições das relações de amizade no ambiente de trabalho para o engajamento de empregados terceirizados de uma central de logística de um banco público brasileiro.
Fundamentação Teórica
O engajamento é composto por dedicação, vigor e absorção (Schaufeli et al., 2002), sendo influenciado por aspectos como a amizade (Bakker & Demerouti, 2007). Relações amistosas no trabalho promovem bem-estar, motivação e desempenho (Colbert et al., 2016; Argyle, 2013), mas também podem gerar efeitos negativos (Pillemer & Rothbart, 2018). Estudos qualitativos sobre as contribuições da amizade para o engajamento ainda carecem de maior aprofundamento, especialmente em contextos marcados por vínculos terceirizados e baixa integração organizacional.
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva. Foram realizadas 11 entrevistas semiestruturadas com empregados terceirizados de uma central de fiscalização de contratos em um banco público, sendo esse número definido com base na saturação teórica das falas. As categorias de análise foram estabelecidas a partir da literatura sobre amizade e engajamento no trabalho, sendo a análise de conteúdo conduzida com o auxílio do software ATLAS.ti.
Análise dos Resultados
Os dados revelaram que a amizade é percebida a partir de elementos como confiança, comunicação, apoio emocional e afinidade. Essas relações contribuem para a dedicação (motivação e reconhecimento), o vigor (resiliência e ânimo) e, de forma ambivalente, para a absorção (concentração e distração). Também emergiram categorias como limites, contágio emocional e relação hierárquica, as quais interferem na forma como a amizade impacta o engajamento no trabalho.
Conclusão
As relações de amizade exercem papel relevante no engajamento de trabalhadores, especialmente nas dimensões de dedicação e vigor. Embora possam gerar distrações, os vínculos afetivos funcionam como recursos simbólicos e socioemocionais, promovendo pertencimento e apoio mútuo. Em contextos de maior precarização, como o de trabalhadores terceirizados, tais vínculos ganham ainda mais relevância para a permanência e o bem-estar no trabalho.
Contribuição / Impacto
O estudo avança ao investigar a amizade no trabalho por meio de uma abordagem qualitativa, em um contexto marcado por fragilidade contratual. Contribui para os campos da Gestão de Pessoas e da Psicologia Organizacional ao evidenciar como vínculos informais podem favorecer o engajamento no trabalho. Além disso, oferece subsídios práticos para a criação de ambientes organizacionais que estimulem relações positivas e promovam o bem-estar dos trabalhadores.
Referências Bibliográficas
Bakker, A. B., & Demerouti, E. (2007). The job demands‐resources model: State of the art. Journal of Managerial Psychology, 22(3), 309–328.
Colbert, A. E., Bono, J. E., & Purvanova, R. K. (2016). Flourishing via workplace relationships: Moving beyond instrumental support. Academy of Management Journal, 59(4), 1199–1223.
Pillemer, J., & Rothbart, N. P. (2018). Friends without benefits: Understanding the dark sides of workplace friendship. Academy of Management Review, 43(4), 635–660.
Colbert, A. E., Bono, J. E., & Purvanova, R. K. (2016). Flourishing via workplace relationships: Moving beyond instrumental support. Academy of Management Journal, 59(4), 1199–1223.
Pillemer, J., & Rothbart, N. P. (2018). Friends without benefits: Understanding the dark sides of workplace friendship. Academy of Management Review, 43(4), 635–660.