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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Organizações Alternativas

Título

FAIR TRADE: UMA ALTERNATIVA PARA O FORTALECIMENTO DA ECONOMIA SOLIDÁRIA? UMA ANÁLISE SOBRE A COOPERATIVA COOPFAM

Palavras-chave

Economia Solidária Fair Trade Cooperativa
Agradecimento: Agradecemos ao apoio à pesquisa a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Autores

  • Débora Dias Resende
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
  • José Roberto Pereira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)

Resumo

Introdução

A Economia Solidária, compreende diversos tipos de organizações e movimentos solidários, como associações, cooperativas, organizações mutualistas, o sistema fair trade (comércio justo), finanças solidárias, entre outros. O movimento do comércio justo visa promover o bem-estar social, estabelecendo preços aos produtos que permitam salários dignos para os trabalhadores (Bürgin; Wilken, 2021). Para Laville (2023, p.188) o comércio justo “procura enquadrar as relações comerciais de forma a proteger os produtores e a preservar o meio ambiente”.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante esta contextualização, surge o questionamento: qual seria a importância do sistema fair trade para a Economia Solidária e suas organizações? Para aprofundar sobre tal aspecto, esta pesquisa apresenta como objetivo compreender a atuação do sistema fair trade na Cooperativa dos Produtores Familiares de Poço Fundo e Região (COOPFAM), por meio de um estudo qualitativo básico. A COOPFAM é uma cooperativa de cafeicultores de Minas Gerais, certificada desde 1998, sendo a primeira organização brasileira a adentrar no sistema fair trade (Pedini, 2011).

Fundamentação Teórica

O referencial teórico da pesquisa é dividido em três seções. A primeira, apresenta uma breve contextualização da Economia Solidária, no âmbito internacional e nacional. A segunda seção, busca aprofundar os aspectos relacionados a Economia Solidária, como as tipologias, os conceitos e as características - que a torna distinta da Economia Capitalista. Por fim, a terceira seção, detalha sobre as organizações que fazem parte da Economia Solidária, sendo enfatizado o sistema fair trade.

Metodologia

A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo, utilizando o estudo qualitativo básico como método. A coleta de dados foi realizada por meio da entrevista semiestruturada. Ao total entrevistou quatro cooperados, seis cooperadas e uma colaboradora. As entrevistas foram feitas de forma individual, em ambiente virtual. Realizou-se também pesquisa documental para complementar os dados coletados. Para o tratamento dos dados, utilizou-se a análise de conteúdo, na perspectiva de Bardin (2016).

Análise dos Resultados

A inserção da COOPFAM no sistema fair trade proporcionou acesso a mercados diferenciados e a recursos que permitiram a execução de uma ampla gama de projetos voltados para os cooperados, suas famílias, a comunidade e o meio ambiente. Constatou-se, ainda, que os cooperados compreendem e vivenciam os princípios solidários no cotidiano, mesmo que, por vezes, não reconheçam conceitualmente a Economia Solidária. Além disso, identificou-se que a COOPFAM se consolidou como uma organização solidária, ao articular objetivos econômicos com transformações sociais e ambientais.

Conclusão

A análise revelou que o comércio justo foi um fator estruturante para o desenvolvimento organizacional, econômico, social e ambiental da cooperativa, possibilitando o fortalecimento de práticas alinhadas aos princípios da Economia Solidária, como a autogestão, a valorização humana, a solidariedade e a sustentabilidade. Além disso, a trajetória da COOPFAM revela que quando princípios solidários são mais do que palavras e se materializam em ações concretas, torna-se possível construir alternativas reais ao modelo capitalista tradicional — mais justas, humanas e sustentáveis.

Contribuição / Impacto

o artigo reforça a relevância do fair trade como uma estratégia viável para o fortalecimento da Economia Solidária, especialmente no meio rural, e evidencia a capacidade transformadora das cooperativas quando guiadas por valores democráticos e coletivos. No entanto, a pesquisa também apontou limitações importantes, como o conhecimento fragmentado dos membros da cooperativa sobre Economia Solidária, e desafios relacionados à equidade de gênero, má gestão, introjeção dos membros aos valores e princípios solidários, instabilidade do mercado cafeeiro e dependência ao sistema fair trade.

Referências Bibliográficas

BARDIN, L. Análise de conteúdo. (Obra original publicada em 1977). Trad. Luis Antero Reto e Augusto Pinheiro.Lisboa: Edições 70, 2016.
BÜRGIN, D.; WILKEN, R. Increasing Consumers’ Purchase Intentions Toward Fair Trade Products Through Partitioned Pricing. Journal of Business Ethics, Dordrecht, v. 181, n. 4, p. 1015–1040, 2022.
LAVILLE, J. L. Uma Economia para a Sociedade: terceiro setor, economia social e economia solidária. Rio de Janeiro: Ateliê de Humanidades Editorial, p.428, 2023.

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