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Anais

Resumo do trabalho

Empreendedorismo · Empreendedorismo Social

Título

ENTRE CONTAS, SONHOS E REALIDADE: DESAFIOS DO MICROEMPREENDEDORISMO FEMININO NAS PERIFERIAS

Palavras-chave

Empreendedorismo feminino Periferias urbanas Políticas públicas
Agradecimento: O presente trabalho foi realizado com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES)

Autores

  • Thayane Romeiro Belchior
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • JAMINE BRUNO DE OLIVEIRA
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
  • Elizangela Santos de Almeida
    Universidade Federal de Pernambuco
  • Carla Regina Pasa Gómez
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)

Resumo

Introdução

O microempreendedorismo feminino em periferias urbanas é marcado por múltiplas vulnerabilidades, como informalidade, baixa inserção produtiva e ausência de suporte técnico continuado. Com base no Programa Mais Mulheres, promovido pela Prefeitura de São Paulo em 2024, este artigo examina como a atuação de políticas públicas territorializadas pode apoiar o desenvolvimento de competências de gestão entre mulheres empreendedoras em contextos de desigualdade estrutural.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Quais são os principais desafios de gestão enfrentados por mulheres microempreendedoras em territórios periféricos? O objetivo deste estudo é identificar e descrever as limitações técnicas mais recorrentes nas áreas de finanças, planejamento e marketing digital entre participantes do Programa Mais Mulheres, evidenciando como esses obstáculos se manifestam mesmo entre empreendedoras com alto nível de escolaridade.

Fundamentação Teórica

A pesquisa se apoia em estudos sobre microempreendedorismo feminino em territórios vulnerabilizados, discutindo como gênero, classe e território impactam o desenvolvimento de negócios. São abordadas dimensões como empreendedorismo por necessidade, políticas públicas de capacitação e a importância de estratégias interseccionais para inclusão produtiva. O referencial também destaca o papel das redes locais na autonomia econômica feminina.

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e transversal, com base em dados secundários oriundos do Programa Mais Mulheres (n = 241 no diagnóstico inicial; n = 706 nas avaliações dos encontros). Foram analisadas médias de autoavaliação em temas de gestão, taxas de engajamento e desistência nos módulos, bem como padrões entre variáveis como escolaridade, formalização e percepção de rentabilidade.

Análise dos Resultados

Os dados revelam médias modestas de autopercepção em áreas críticas (Gestão Financeira: 6,1; Planejamento: 6,2), altos índices de evasão em módulos técnicos (68% em finanças) e maior engajamento em temas cotidianos. Mulheres com maior clareza estratégica relataram melhores resultados, sugerindo relação entre planejamento e desempenho. A formalização como MEI não eliminou obstáculos relacionados à gestão e acesso a crédito.

Conclusão

As fragilidades observadas demonstram a importância de políticas formativas segmentadas, que considerem o estágio do negócio e o contexto social da empreendedora. O estudo reforça que escolaridade não garante domínio técnico em gestão, e que o sucesso de programas públicos depende da adequação metodológica, sensibilidade territorial e avaliação sistemática de resultados.

Contribuição / Impacto

Este artigo contribui para o aprimoramento de políticas públicas voltadas ao empreendedorismo feminino em contextos periféricos. Ao demonstrar padrões de dificuldade e potencialidades formativas, reforça a importância de estratégias interseccionais e baseadas em evidências para promover inclusão produtiva e equidade de gênero. Também valoriza a coleta sistemática de dados como ferramenta de gestão pública.

Referências Bibliográficas

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