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Anais

Resumo do trabalho

Empreendedorismo · Empreendedorismo Inovador: Startups, Incubadoras e Parques Tecnológicos, Capital de Risco

Título

AGENTES INVESTIDORES E EMPREENDEDORAS NO ECOSSISTEMA DE STARTUPS BRASILEIRO: UM ESTUDO SOBRE O VIÉS DE GÊNERO

Palavras-chave

Empreendedoras Fundraising Viés de Gênero

Autores

  • Gisela Santos de Macedo
    FEAUSP
  • Arnaldo Mazzei Nogueira
    UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP)

Resumo

Introdução

Em 2020 somente 0,04% do valor total investido em startups brasileiras foi direcionados a startups exclusivamente lideradas por mulheres, contudo, elas lideram, sozinhas, só 4,7% do total de startups do ecossistema (B2MAMY; DISTRITO; ENDEAVOR, 2021). Assim, o propósito deste trabalho foi estudar o viés de gênero aos investidores referente ao time de líderes das startups brasileiras. dados primários foram coletados através de entrevistas em profundidade e de roteiro semiestruturado com um total de 25 respondentes, sendo estes empreendedoras, investidores e investidoras.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Conforme apontado, no ecossistema de startups existe uma cada vez maior percepção acerca do viés de gênero por parte do investidor e da investidora. Dito isto, a pergunta de pesquisa que orientou este estudo foi: de que maneira a investidora e o investidor brasileiros fundamentam o viés de gênero quanto o time de líderes das startups? Para responder tal pergunta, o objetivo geral deste estudo foi verificar as razões que as investidoras e investidores utilizam para explicar o motivo das startups lideradas por mulheres receberem um investimento menor.

Fundamentação Teórica

Nelson (2015), em seu artigo, fez uma análise de literatura e concluiu que mulheres são vistas como sendo como menos propensas ao risco do que os homens. Contudo, ela conclui que, estatisticamente, tal questão não existe. Ou seja, tal crença não seria suficiente para justificar um menor aporte de capital nas startups lideradas por mulheres, conforme (B2MAMY; DISTRITO; ENDEAVOR, 2021) indicam em seu estudo. Assim, há indícios que o viés existe, porém a literatura indica que tal questão não deveria existir.

Metodologia

Para estudar o viés de gênero aos investidores referente à liderança das startups brasileiras dados primários foram coletados através de entrevistas em profundidade e de roteiro semiestruturado com um total de 25 respondentes, sendo estes empreendedoras, investidores e investidoras. Considerando isto, o método de Análise de Conteúdo (SALDAÑA, 2015) foi optado pela pesquisadora. Ademais, considerando a extensão da base de dados das entrevistas e o fato de o tema ter relativamente pouco estudo no Brasil, ao contrário de estudos internacionais, foi escolhido o método indutivo.

Análise dos Resultados

A análise dos depoimentos mostra que a literatura está alinhada com a cultura do ecossistema de startups brasileiro, ou seja, que as fundamentações identificadas no referencial teórico foram apontadas pelos respondentes. Foram identificadas as razões que levam os investidores e investidoras a aportarem menos capital nas startups lideradas por mulheres, contudo, também mostra que os investidores e investidoras têm predileção por empreendedoras e listam diversas qualidades em relação aos seus pares.

Conclusão

A análise foi feita através de entrevistas com os três sujeitos envolvidos no fluxo de capital de investimentos nas empreendedoras. Considerando isso, conclui-se que o viés de gênero no empreendedorismo de startups do Brasil efetivamente existe, pois todos os sujeitos concordaram com tal afirmação e suas falas mostraram indícios de tal viés. Vale ressaltar achados inéditos, por exemplo, predileção por empreendedoras por parte dos investidores, que indicam diversas qualidades nelas. Contudo, também foram identificadas questões ligadas a assédio.

Contribuição / Impacto

Este estudo contribuiu constatando que o viés de gênero no empreendedorismo do Brasil existe. Isto foi feito de modo holístico, por entrevistar todos os sujeitos envolvidos no fluxo de capital. Também contribuiu ao mostrar que há assédio no ecossistema e mostra como há predileção por empreendedoras por parte de investidores e geral, dadas as qualidades profissionais delas em relação aos seus pares. Foi identificado também que o problema do viés é ligado à falta de conscientização dos agentes do ecossistema e que políticas de quotas, por exemplo, não são suficientes para erradicar tal questão.

Referências Bibliográficas

B2MAMY; ENDEAVOR; DISTRITO. Female Founders Report 2021. São Paulo, 2021.

NELSON, Julie. Are Women Really More Risk-Averse Than Men? A Re-Analysis Of The Literature Using Expanded Methods. Journal of Economic Surveys, vol. 29, p. 566-585, jul. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1111/joes.12069. Acesso em: 3 jun. 2024.

SALDAÑA, Johnny. The Coding Manual for Qualitative Researchers. 2 ed. Los Angeles; London; New Delhi; Singapore; Washington DC: Sage, 2015.

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