Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
ENTRE CELAS: uma análise do imaginário coletivo das prisões na narrativa midiática.
Palavras-chave
Imaginário Coletivo.
Prisões.
Simbolismo.
Autores
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Luciana Pereira da Rocha SafeFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA (UDESC)
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Aline Regina SantosFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA (UDESC)
Resumo
Introdução
O ambiente prisional, embora distante da realidade da maioria da população, se faz presente em contextos midiáticos (livros, telenovelas, filmes, séries, teatro, músicas e notícias) e entra no imaginário coletivo. Esta narrativa midiática se configura como elemento formador para a construção do modelo mental e, numa instância coletiva, da representação social deste conjunto simbólico que constitui as prisões. Aparentemente inofensivos, tais modelos mentais podem estimular a construção de associações negativas que podem influenciar políticas públicas relacionadas ao sistema prisional.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A narrativa midiática pode ocasionar uma visão divergente da realidade entre as celas. Parte-se do princípio de que as representações sociais entram em um mundo comum e cotidiano em que tudo que as pessoas ouvem, leem, discutem sobre a prisão habitará o imaginário coletivo. Sendo assim, a presente pesquisa busca responder ao seguinte questionamento: Quais elementos simbólicos associados à prisão estão presentes em narrativas midiáticas? O objetivo da pesquisa consiste em analisar os elementos da formação do imaginário coletivo da imagem das prisões no contexto brasileiro.
Fundamentação Teórica
Os símbolos no imaginário coletivo (Aillo-Vaisberg e Machado,2008) são imagens universais no inconsciente coletivo que são percebidas e reproduzidas (Durand,2004). Neste sentido, os símbolos institucionais não são instituídos racionalmente tampouco naturalmente. (Maffesoli,2021) pois são representações sociais (Moscovici, 2003). Portanto, a realidade das prisões tem uma comunicação simbólica e sua reputação (Gray e Balmer,1998) é suscetível à interferência da mídia que pode depreciar as prisões ao generalizar narrativas negativas (Nery, 2012).
Metodologia
Alicerçada na pesquisa qualitativa de estudo exploratório com instrumento de coleta de dados de pesquisa documental e selecionados 51 objetos de análise (filmes, séries, telenovelas, teatro, livros, música e notícias) que utilizam o conceito de prisão. A análise de dados foi realizada por meio da classificação do conteúdo proveniente da teoria da semiótica de Barthes (1990) dentro do contexto de texto, imagem e som de Bauer e Gaskell (2002). Foram identificados os elementos simbólicos que estão presentes na formação da imagem das prisões.
Análise dos Resultados
Os símbolos mais frequentes foram violência e superlotação, seguidos de corrupção, desorganização, caos e insalubridade. Os resultados da pesquisa no Brasil evidenciaram similaridades com os estudos de Jugović e Bogetić (2018) cuja narrativa midiática das prisões globais seria de lugares extremamente violentos com corrupção policial que influenciam a opinião pública nas políticas penais. Os principais resultados indicam que os símbolos apresentam conotação negativa na formação do imaginário coletivo das prisões, situação que se configura como desafio para a gestão do sistema prisional.
Conclusão
Os achados reforçam a ocorrência de estereótipos negativos do sistema prisional, pois além de símbolos inerentes de estrutura física - como celas, cadeados, chaves e algemas - se somam os símbolos que carregam uma mensagem crítica - como superlotação, violência, tortura, desorganização e corrupção. Os resultados do imaginário sobre prisão é um desafio para uma percepção positiva do sistema prisional, não somente no Brasil, mas no mundo, por conter elementos simbólicos negativos arraigados do imaginário coletivo.
Contribuição / Impacto
A contribuição para os gestores de comunicação de organizações vinculadas ao sistema prisional seria a possibilidade de revisitar suas ações de comunicação para observar como os elementos simbólicos negativos apontados neste estudo são tratados com o público. Ainda, o estudo pode suscitar a discussão entre os gestores sobre alternativas de mensagem, incluindo reflexões sobre qual a imagem o sistema prisional deseja fomentar no imaginário da população. Sob o prisma acadêmico o imaginário coletivo e representações sociais estão em contexto pouco explorado: o sistema prisional.
Referências Bibliográficas
Aiello-Vaisberg, T. M. J. & Machado, M. C. L. (2008). Pesquisa psicanalítica de imaginários coletivos. Barthes, R .(2025) Revista Roland Barthes: A semiótica e análise de conteúdo. Bauer, M. W., & Gaskell, G. (2002). Qualitative researching with text, image and sound. .Durand, G. (2004). O imaginário. Gray, E. R., & Balmer, J. M. T. (1998). Corporate image and corporate reputation. Jugović, A., & Bogetić, D. (2018). Medijske konstrukcije zatvora. Maffesoli, M. (2015). O imaginário é uma realidade. Moscovici, S. (2003). Representações sociais. Nery, T. R. A. (2012). Servidor Penitenciário.