Logo

Anais

Resumo do trabalho

Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho

Título

Bem-estar nas Organizações: uma análise de narrativas em mídias de negócios brasileiras.

Palavras-chave

Bem-estar Mídias de negócios Organizações

Autores

  • Leonardo Kussek de Aguiar
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)
  • Vanessa Serafim
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)
  • ALINE MARTY DOS SANTOS
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)
  • Mariane Lemos Lourenço
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR)

Resumo

Introdução

Nas últimas décadas, o debate sobre o bem-estar nas organizações tem ganhado notoriedade, impulsionado não apenas pela crescente atenção das ciências sociais e da psicologia organizacional, mas também pela incorporação do tema em discursos midiáticos e estratégicos empresariais. A promoção do bem-estar deixou de ser compreendida exclusivamente como um elemento de natureza subjetiva, passando a ser ressignificada como fator organizacional estratégico, relacionado diretamente à produtividade, ao desempenho e à sustentabilidade dos negócios (OCASAL et al., 2024).

Problema de Pesquisa e Objetivo

Embora a literatura aborde o bem-estar de forma multidimensional, sob a perspectiva do bem-estar eudaimônico (RYFF, 1989; 2013), as mídias frequentemente adotam uma abordagem mais simplificada, reduzindo o bem-estar a uma condição para alcançar produtividade. Essa contradição é visível quando se observa como o conceito é representado nas revistas de negócios brasileiras. Assim esse estudo propõe uma análise qualitativa das narrativas veiculadas por mídias de negócios brasileiras, a fim de compreender de que maneira essas publicações moldam o conceito de bem-estar nas organizações.

Fundamentação Teórica

O bem-estar envolve seis dimensões do funcionamento positivo das capacidades humanas (RYFF, 2013). Nas organizações, ele impacta diretamente na saúde mental dos trabalhadores (ANDRÉ et al., 2019). Como o conhecimento é construído através da realidade social (BERGER; LUCKMANN, 1989), as mídias de negócios brasileiras são capazes de moldar essa compreensão do bem-estar ao disseminar as narrativas que constroem sentidos. (COULDRY; HEPP, 2017). Investigar tais narrativas permite entender como o conhecimento de bem-estar é construído e legitimado e disseminado. (CZARNIAWSKA, 2004; GIBBS, 2009).

Metodologia

O trabalho é enquadrado como uma pesquisa qualitativa feita a partir de uma revisão bibliográfica e utilizando a análise de narrativas. Foi delimitado um recorte temporal a partir da declaração do fim da pandemia da COVID-19, até o dia 31 de março de 2025, caracterizando esse delineamento como transversal e com uma aproximação longitudinal. Foram analisadas reportagens de sete revistas de negócios que tratassem a respeito do campo do ‘bem-estar’ em contexto organizacional.

Análise dos Resultados

O sentido de bem-estar é desenvolvido por uma relação entre as organizações e os trabalhadores, utilizado como uma estratégia organizacional que, para alcançar melhores níveis de produtividade, necessita promover melhores condições de bem-estar aos seus trabalhadores. O discurso propagado pelas mídias de negócios possui uma visão dualista e remediadora a respeito do bem-estar, utilizando o conceito sem o aprofundamento teórico do que de fato são as suas dimensões e apenas como uma forma de diminuir o impacto na saúde dos trabalhadores para aumentar a produtividade e os resultados organizaciona

Conclusão

Entre os principais achados, destacam-se a redução do bem-estar a um meio para fins empresariais, como engajamento, inovação e lucratividade, em detrimento de uma visão mais ampla e humanista do conceito, a responsabilização quase exclusiva das organizações pela promoção do bem-estar, com ênfase em ações institucionais, programas estruturados e liderança empática, a ausência de questionamentos sobre condições estruturais de trabalho, como sobrecarga, precariedade ou desigualdades, reforçando um discurso normativo, positivo e apaziguador.

Contribuição / Impacto

O estudo contribui ao dialogar com os autores ao evidenciar como o bem-estar é socialmente construído e institucionalizado por meio de narrativas midiáticas. Além disso, reforça a importância da abordagem eudaimônica como contraponto à visão funcionalista predominante. Já na dimensão empírica, a pesquisa avança ao examinar um conteúdo pouco explorado nos estudos organizacionais: o conteúdo de revistas de negócios com grande circulação. Ao fazer isso, oferece uma visão crítica sobre a influência das mídias na formação de práticas, valores e políticas nas organizações brasileiras contemporâneas.

Referências Bibliográficas

BERGER, P. L.; LUCKMANN, T. A construção social da realidade: tratado de sociologia do conhecimento. Petrópolis: Vozes, 2005.

COULDRY, N.; HEPP, A. The mediated construction of reality. Cambridge: Polity Press, 2017.

RYFF, C. D. Psychological well-being revisited: advances in the science and practice of eudaimonia. Psychotherapy and Psychosomatics, Basel, v. 83, n. 1, p. 10-28, 2013. DOI: 10.1159/000353263. Disponível em: <https://www.karger.com/Article/FullText/353263>. Acesso em: 16 mai. 2025.

Navegação

Anterior Próximo