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Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Apreçamento de Ativos

Título

FUNDOS DE INVESTIMENTO EM AÇÕES: RELAÇÃO ENTRE TAXAS DE ADMINISTRAÇÃO E RETORNOS ATRAVÉS DE UM MODELO SIMPLIFICADO

Palavras-chave

Fundos de Investimento em Ações Retornos Taxas de Administração

Autores

  • Júlio Reyes
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)
  • Boris Asrilhant
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)
  • Marco Antonio Cunha de Oliveira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)

Resumo

Introdução

Fundos de investimento em ações (ou fundos de ações) formam uma classe de ativos financeiros populares no Brasil e no mundo, cuja principal fonte de receita das gestoras desses fundos, sejam gestoras bancárias ou independentes, é a taxa de administração. Tendo em vista que investidores buscam maximizar seus retornos líquidos, surge um dilema entre o valor da referida taxa cobrado pelas gestoras e o objetivo de maximização do retorno pelo investidor, o que torna relevante avaliar até que ponto as taxas de administração afetam os retornos dos fundos de ações.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Estudos realizados sobre as taxas de administração e os retornos brutos dos fundos de ações indicaram uma correlação negativa entre as duas variáveis, que utilizaram modelos multifatoriais, como os modelos de Carhart (1997) e de Fama e French (2015), para determinar o retorno ajustado bruto dos fundos. Este artigo visa testar a hipótese de que há correlação negativa entre taxas de administração e retornos brutos dos fundos de ações, incluindo-se o Índice de Sharpe, a partir de um modelo simplificado, estratificando em gestoras independentes, bancárias e os quatro maiores bancos brasileiros.

Fundamentação Teórica

Cummings (2010) observou que diferentes taxas de administração cobradas pelos fundos dos EUA afetam suas rentabilidades. Dalmácio, Nossa e Zanquetto Filho (2007) indicaram que não existe correlação ou correlação fraca entre a taxa de administração e o Índice de Sharpe. Silva, Roma e Iquiapaza (2018) utilizaram modelos multifatoriais (Carhart, 1997; Fama e French, 2015) para indicar que o retorno ajustado foi afetado negativamente pela taxa de administração. Já o estudo de Ferreira, Matos e Pires (2018) observou que as gestoras independentes oferecem retorno final maior que as bancárias.

Metodologia

Foram analisados 708 fundos de ações brasileiros, estratificados em total, gestoras independentes, gestoras bancárias e quatro maiores bancos. Foram coletados, para o período de 2015-2024, as taxas de administração, retornos líquidos (transformados em brutos) e Índices de Sharpe. As médias globais das três variáveis foram calculadas, sendo utilizadas tabelas ANOVA e teste de Tukey para verificar a significância estatística dos resultados. As correlações entre as taxas de administração e os retornos brutos e o Índice de Sharpe foram calculadas e aplicados testes estatísticos.

Análise dos Resultados

Os resultados apontaram que os fundos independentes apresentaram maiores retornos brutos, maiores índices de Sharpe e cobraram taxas de administração menores, se comparados aos fundos bancários. Ao serem comparados os bancos entre si, o Banco 2 apresentou taxas de administração mais baixas para os fundos sob sua gestão dentre os quatro bancos analisados. Entretanto, se verificaram correlações extremamente baixas entre retornos brutos e os Índices de Sharpe com as taxas de administração, em todas as situações analisadas.

Conclusão

Não foi possível determinar, com significância estatística, uma correlação entre as taxas de administração cobradas e os retornos brutos ou os Índices de Sharpe dos fundos de ações brasileiros, a partir da aplicação de um modelo simplificado, que não calcula o retorno ajustado através de modelos multifatoriais. O trabalho sugere que sejam aplicados modelos multifatoriais para os dados utilizados nesta pesquisa, além de replicar o modelo simplificado para testar a correlação entre as taxas de performance e retornos brutos, que também parte da hipótese de correlação negativa entre as variáveis.

Contribuição / Impacto

A contribuição deste artigo é a aplicação de um modelo simplificado para avaliar a correlação entre o retorno bruto e o Índice de Sharpe com as taxas de administração dos fundos de ações brasileiros, de modo a trazer insights e material de discussão para o meio acadêmico e para gestores de fundos de investimento. Além disso, este artigo, de forma inovadora em relação a estudos anteriores realizados para fundos de ações no Brasil, estratificou as amostras em fundos de ações com gestão bancária, gestão independente e para os quatro maiores bancos brasileiros.

Referências Bibliográficas

DALMÁCIO, F. Z.; NOSSA, V.; ZANQUETTO FILHO, H. Avaliação da relação entre performance e taxa de administração dos fundos de ações ativos brasileiros. REPeC, v. 1, n. 3, p. 1–20, 2007.
FERREIRA, M. A.; MATOS, P.; PIRES, P. Asset Management within Commercial Banking Groups: International Evidence. Journal of Finance, v. 73 n. 5, p. 1971-2001, 2018.
SILVA, S. E. da; ROMA, C. M.; IQUIAPAZA, R. A. A Taxa de Administração Sinaliza o Desempenho dos Fundos de Investimento em Ações no Brasil? REPeC, v. 12, n. 3, p.286-302, 2018.

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