Anais
Resumo do trabalho
Administração Pública · Gestão em Saúde
Título
GESTÃO DE CUSTOS EM HOSPITAIS PÚBLICOS: UMA ANÁLISE INSTITUCIONAL DO PROGRAMA NACIONAL DE GESTÃO DE CUSTOS (PNGC) E DO PROJETO OTIMIZASUS DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Palavras-chave
Teoria Institucional
Gestão de Custos
Sistema Único de Saúde (SUS)
Autores
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Ana Paula Silva AlmeidaUNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
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Márcia Mascarenhas AlemãoUNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)
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Antonio Sérgio Torres PenedoUNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA (UFU)
Resumo
Introdução
Na esfera da gestão pública, é possível identificar artefatos de controle gerencial frequentemente empregados em organizações do setor privado. A gestão de custos é um desses artefatos, cujo uso eficiente fornece informações cruciais para a tomada de decisões. Com o avanço da tecnologia e das regulamentações, que têm tornado as informações sobre gastos públicos mais transparentes para os cidadãos, é fundamental que o setor público administre seus recursos de maneira eficaz, especialmente diante da escassez em muitos casos (Almeida et al., 2019).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como a teoria institucional pode explicar as diretrizes sobre gestão de custos em hospitais públicos brasileiros, presentes no PNGC e no Projeto Otimiza SUS do Estado de Minas Gerais? O objetivo geral é analisar, à luz da Teoria Institucional, as diretrizes de gestão de custos em hospitais públicos brasileiros estabelecidas pelo PNGC e pelo Projeto OtimizaSUS. Busca-se identificar e categorizar os principais conceitos da Teoria Institucional aplicáveis à gestão hospitalar e mapear os elementos institucionais presentes nos documentos do PNGC e do OtimizaSUS; e interpretar.
Fundamentação Teórica
Segundo Tolbert e Zucker (1999) a Teoria Institucional propõe uma revisão no entendimento das estruturas formais, consideradas como meios racionais e eficientes para coordenar e controlar as atividades organizacionais, conforme preconiza a tradição sociológica funcionalista. Nessa releitura, a teoria institucional parte do pressuposto que as estruturas formais possuem propriedades simbólicas em sua composição, que poderiam sinalizar a legitimidade e conformidade com as normais sociais na qual determinada organização está inserida e essas independem da eficácia produtiva das estruturas formais.
Metodologia
Nesse estudo, pretende-se analisar as diretrizes sobre gestão de custos em hospitais públicos brasileiros, presentes no PNGC e no Projeto Otimiza SUS, sob a perspectiva da Teoria Institucional. Assim, quanto ao objetivo, esse estudo é considerado explicativo. Quanto à abordagem do problema, essa pesquisa foi classificada como qualitativa. Em relação aos procedimentos de coleta de dados, realizou-se pesquisa documental. Para operacionalizar as fases da análise, adotou-se a técnica de análise de conteúdo, conforme Bardin (2011).
Análise dos Resultados
Os conceitos da Teoria Institucional utilizados na pesquisa foram os Estágios da Institucionalização Tolbert e Zucker (1999) e os Tipos de Isomorfismo. A análise mostrou que os documentos estavam na fase de objetificação (semi-institucionalização). A pesquisa identificou características de isomorfismo coercitivo em todos os documentos, devido às normas e regulamentos para a gestão de custos. Foram identificadas características do isomorfismo mimético em todos os documentos analisados. Identificaram-se poucas características do isomorfismo normativo.
Conclusão
Infere-se que a fase de habitualização pode ter ocorrido antes da formalização das normas e que, com a aplicação dessas normas (objetificação), pretende-se alcançar a fase de sedimentação. O Projeto Otimiza SUS, com seu incentivo financeiro, exemplifica isomorfismo coercitivo. Os documentos analisados possuem diversos trechos onde foram observadas propostas de utilização de práticas de gestão privada na gestão pública, consideradas como modelos a serem seguidos para se atingir a eficiência e melhorar o desempenho, o serviço, caracterizando assim, isomorfismo mimético.
Contribuição / Impacto
Este estudo contribui para a literatura ao analisar a gestão de custos hospitalares à luz da Teoria Institucional, abordagem ainda incipiente na área contábil brasileira, especialmente no contexto do SUS. Ao adotar esse referencial, a pesquisa amplia a compreensão sobre os processos de institucionalização das práticas de contabilidade gerencial em organizações públicas complexas, como os hospitais universitários. No plano prático, oferece subsídios para a formulação de políticas públicas e diretrizes gerenciais voltadas à implementação efetiva da gestão de custos.
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, José Henrique Matias de; AQUINO, Cíntia Vanessa Monteiro Germano; SILVA, Clayton Robson Moreira da. Quanto custa um aluno do ensino superior? Um estudo na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Educação Online, v. 14, n. 30, p. 93-111, 30 mar. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.36556/eol.v14i30.505. Acesso em: 2 abr. 2024.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
TOLBERT, P. A.; Zucker, L. G. A institucionalização da Teoria Institucional. In: Clegg, S.; Hardy, C.; Nord, W. R. (Orgs.). Handbook de estudos organizacionais. São Paulo: Atlas, 1999.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
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