Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Liderança e suas Dimensões
Título
Fatores Hierárquicos e Interculturais que influenciam a Ascensão e Permanência de Mulheres C-Level: percepções comparadas de líderes luso-brasileiras
Palavras-chave
Liderança
C-level
Mulheres
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001
Autores
-
Solange Maria da SilvaUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
-
Luciana FrigoUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
-
Graziela Dias AlperstedtFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA (UDESC)
-
Helena Kuerten de SallesUNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA (UFSC)
-
Ana Paula Grillo RodriguesFUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA (UDESC)
Resumo
Introdução
A igualdade de gênero na alta direção segue um desafio global. No Brasil e em Portugal, mulheres permanecem sub‑representadas no C‑level e enfrentam barreiras à ascensão e permanência. Ancorado na Teoria dos Papéis Sociais, na Abordagem da Liderança Feminina e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o estudo compara evidências luso‑brasileiras para explicar como fatores hierárquicos e interculturais moldam carreiras executivas femininas e quais estratégias elas adotam para superar tais obstáculos.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema: quais barreiras e estratégias determinam a ascensão e a retenção de mulheres em cargos C-level em contextos interculturais?
Objetivo: examinar fatores hierárquicos e culturais que influenciam trajetórias de líderes brasileiras e portuguesas, contrastando desafios, competências, iniciativas organizacionais e estratégias e redes de apoio, a partir da percepção de mulheres líderes de um programa internacional de formação da liderança feminina.
Objetivo: examinar fatores hierárquicos e culturais que influenciam trajetórias de líderes brasileiras e portuguesas, contrastando desafios, competências, iniciativas organizacionais e estratégias e redes de apoio, a partir da percepção de mulheres líderes de um programa internacional de formação da liderança feminina.
Fundamentação Teórica
Ancora‑se na Teoria dos Papéis Sociais, base da Abordagem da Liderança Feminina que integra traços agênticos e comunais (Eagly & Karau, 2002), articulada a perspectivas identitárias de gênero (Ely, Ibarra & Kolb, 2011) e corroborada pela meta‑análise de Paustian‑Underdahl et al. (2024). A revisão discute teto de vidro, labirinto, estereótipos implícitos, conciliação trabalho‑vida e impactos de políticas de diversidade vinculadas à agenda ODS, evidenciando que tais iniciativas, ao favorecer a presença de mulheres na liderança, ampliam o desempenho financeiro e a inovação (Buss et al., 2025).
Metodologia
Trata‑se de estudo exploratório, descritivo e comparativo, conduzido com amostra intencional de 40 respondentes, sendo 23 brasileiras e 17 portuguesas, das quais 13 ocupam posições C‑level. Os dados foram coletados on‑line, em dezembro de 2024, por meio de questionário validado por especialistas e analisados mediante estatística descritiva (frequências e percentuais) com cruzamentos país versus nível hierárquico. O TCLE foi aplicado eletronicamente, assegurando anonimato às participantes.
Análise dos Resultados
As barreiras concentram‑se em culturas masculinas (BR 74%, PT 82%), vieses implícitos e conciliação trabalho‑vida. Estratégias envolvem metas de diversidade, mentoring/patrocínio e trabalho flexível, com maior adesão no Brasil. Inteligência emocional (BR 83%, PT 94%) e resiliência sobressaem, embora persistam lacunas em ESG e tecnologia. Brasileiras privilegiam redes femininas, enquanto portuguesas C‑level recorrem a redes mistas. Pressão de investidores e marcos regulatórios distintos explicam estágios divergentes de institucionalização da equidade de gênero.
Conclusão
Conclui‑se que fatores hierárquicos e interculturais configuram trajetórias femininas de modo diferenciado. No Brasil, metas de diversidade monitoradas por investidores e patrocínio executivo aceleram o acesso ao C‑suite; em Portugal, o desafio reside em converter marcos legais em práticas avaliativas efetivas. Competências socioemocionais sustentam o avanço em ambos os países, mas defasagens em tecnologia, ESG e finanças estratégicas exigem capacitação contínua. Recomenda‑se um ecossistema de redes híbridas aliado a políticas contextuais sensíveis às distintas etapas da carreira.
Contribuição / Impacto
O estudo amplia a literatura comparada luso-brasileira sobre liderança feminina C-level e oferece diagnóstico para políticas públicas, programas de desenvolvimento e métricas de diversidade alinhadas aos ODS. As organizações podem usar os insights para acelerar inclusão e melhorar desempenho socioeconômico; pesquisadores ganham agenda sobre interseccionalidade e redes estratégicas.
Referências Bibliográficas
Buss, M., Andler, S., & Tiberius, V. (2025). Female leadership: An integrative review and research framework. The Leadership Quarterly, 36, Article 101858.
Ely, R. J., Ibarra, H., & Kolb, D. M. (2011). Taking gender into account: Theory and design for women's leadership development programs. Academy of Management Learning & Education, 10(3), 474 493.
Paustian‑Underdahl, S. C., Smith Sockbeson, C. E., Hall, A. V., & Halliday, C. S. (2024). Gender and evaluations of leadership behaviors: A meta‑analytic review of 50 years of research. The Leadership Quarterly, 35, Article 101822.
Ely, R. J., Ibarra, H., & Kolb, D. M. (2011). Taking gender into account: Theory and design for women's leadership development programs. Academy of Management Learning & Education, 10(3), 474 493.
Paustian‑Underdahl, S. C., Smith Sockbeson, C. E., Hall, A. V., & Halliday, C. S. (2024). Gender and evaluations of leadership behaviors: A meta‑analytic review of 50 years of research. The Leadership Quarterly, 35, Article 101822.