Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Finanças Comportamentais
Título
The Disposition Effect Bias Across Cultures: Insights from a 15-Year Global Stock Market Analysis
Palavras-chave
Disposition Effect
Cultural Dimensions
Behavioral Finance
Agradecimento:
Este trabalho foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código Financeiro 001 e pelo FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., pelos projetos UIDB/04630/2020 (DOI: 10.54499/UIDP/04630/2020) - Portugal
Autores
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Wilson Eduardo IkedaUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
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Denis ForteUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE (MACKENZIE)
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Ana Paula GamaUniversidade da Beira Interior (UBI)
Resumo
Introdução
O efeito disposição (DE) é um viés comportamental que leva investidores a vender ativos valorizados cedo demais e manter os desvalorizados por mais tempo. Este estudo investiga como o DE varia entre culturas, usando dados diários de 64 mercados ao longo de 15 anos e relacionando-os às seis dimensões culturais de Hofstede. A análise mostra que fatores culturais influenciam diretamente o comportamento dos investidores e devem ser considerados em políticas financeiras.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O estudo parte da lacuna sobre variações culturais do efeito disposição, um viés que leva investidores a vender ganhos cedo e manter perdas por mais tempo. Embora amplamente documentado, desconhece-se como as seis dimensões de Hofstede (Individualismo-IDV, Aversão à Incerteza-UAV, Distância ao Poder-PDI, Masculinidade-MAS, Orientação a Longo Prazo-LTO e Indulgência-IDG) moldam esse comportamento. O objetivo é avaliar essa influência em 64 mercados globais (2010–2024), aplicando regressão logística multinomial e modelos aditivos generalizados para mensurar o impacto de cada dimensão no viés
Fundamentação Teórica
A Teoria do Prospecto proposta por Kahneman and Tversky (1979) descreve decisões financeiras sob risco, explicando como ganhos e perdas são percebidos. O efeito disposição, identificado por Shefrin e Statman (1985), reflete a tendência a vender ganhos cedo e deter perdas. Estudos de Odean (1998) e Kaustia (2010) ampliam esse viés, apontando papéis de arrependimento e contabilidade mental. Pesquisas recentes incorporam fatores culturais de Hofstede, sugerindo que dimensões como aversão à incerteza e orientação de longo prazo modulam o viés.
Metodologia
Foram coletados os volumes diários de negociação de 2010 a 2024 em 64 mercados (Capital IQ) e índices de Hofstede Insights. O efeito disposição foi calculado pela razão entre volumes de setores com alta e baixa. Os DE foram classificados em baixo (≤Q25), neutro (Q25–Q75) e alto (>Q75). Utilizou-se regressão logística multinomial com as seis dimensões culturais e winsorização nos percentis 1 e 99. Para capturar efeitos não lineares, aplicou-se modelo aditivo generalizado (GAM).
Análise dos Resultados
Na regressão logística multinomial, investidores de países com cultura de alto individualismo, masculinidade, orientação de longo prazo e indulgência reduziram o DE, enquanto aversão à incerteza o aumentou; distância de poder não foi relevante. Pelo GAM, surgiram relações não lineares: curvas em U para individualismo, indulgência e masculinidade; S reverso para incerteza; e U para PDI, mostrando a complexidade cultural do viés.
Conclusão
Este estudo analisou o efeito disposição (DE) em investidores de 64 países (2010–2024), evidenciando que alta aversão à incerteza (UAV) e elevada distância de poder (PDI) aumentam o viés, enquanto forte orientação de longo prazo (LTO) o reduz. O modelo GAM também revela padrões não lineares em individualismo (IDV), indulgência (IDG) e masculinidade (MAS). Os resultados apontam para a adaptação de políticas financeiras às especificidades culturais.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui ao comprovar que o efeito disposição (DE) dos investidores varia conforme dimensões culturais (UAV e PDI aumentam o viés; LTO reduz), ao aplicar regressão logística multinomial e GAM para capturar padrões lineares e não lineares, e ao evidenciar a necessidade de customizar políticas financeiras, regulação e normas contábeis às culturas locais. Os resultados impactam formulação de estratégias de investimento, regulação de mercados e educação financeira.
Referências Bibliográficas
Hofstede Insights (2024). The Culture Factor. Online https://www.hofstede-insights.com/
Kahneman, D., & Tversky, A. (1979). Prospect theory: An analysis of decision under risk. Econometrica, 47(2), 363-391
Kaustia, M. (2010). Prospect theory and the disposition effect. Journal of Financial and Quantitative Analysis, 45(3), 791-812
Odean, T. (1998). Are investors reluctant to realize their losses? The Journal of Finance, 53(5), 1775-1798
Shefrin, H., & Statman, M. (1985). The disposition to sell winners too early and ride losers too long: Theory and evidence. The Journal of Finance, 40(3), 777
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Shefrin, H., & Statman, M. (1985). The disposition to sell winners too early and ride losers too long: Theory and evidence. The Journal of Finance, 40(3), 777