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Anais

Resumo do trabalho

Estudos Organizacionais · Organizações Alternativas

Título

“SE AINDA EXISTE BELEZA NO RIO, AGRADEÇA A NÓS QUE ESTAMOS AQUI”: ORGANIZAÇÕES DE RESISTÊNCIAS MEDIANTE CONFLITOS HÍDRICOS ENVOLVENDO REPRESENTANTES DO AGRONEGÓCIO E COMUNIDADES TRADICIONAIS

Palavras-chave

organizações de resistência conflitos pela água agronegócio

Autores

  • José Vitor Palhares dos Santos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)
  • Alice de Freitas Oleto
    Fundacao Dom Cabral

Resumo

Introdução

Os conflitos socioambientais têm se intensificado nas últimas décadas no Brasil e no mundo, especialmente em torno do acesso, uso e controle de recursos naturais, como a água (Peixoto et al., 2022). Nesse cenário de tensões e assimetrias de poder, emergem organizações de resistências formadas ou lideradas por populações afetadas, movimentos sociais, coletivos territoriais e redes de apoio. Essas organizações têm desempenhado papel central na mobilização política, na produção de saberes contra-hegemônicos e na construção de alternativas para a gestão da água (Rodríguez-Labajos et al., 2015).

Problema de Pesquisa e Objetivo

O problema de pesquisa que este estudo busca responder é: Como se dá a atuação de organizações de resistências frente ao conflito pela água na Bacia Hidrográfica do Médio São Francisco envolvendo representantes do agronegócio e comunidades tradicionais? O objetivo deste artigo é apresentar organizações de resistências mediante o conflito pela água envolvendo representantes do agronegócio e comunidades tradicionais na Bacia Hidrográfica do Médio São Francisco, bem como compreender o papel dessas organizações perante o conflito hídrico.

Fundamentação Teórica

Os conflitos socioambientais são foco de análise da Ecologia Política e são caracterizados como uma disputa/confronto entre diferentes atores sociais que possuem interesses e lógicas distintas em torno do uso e da apropriação dos recursos naturais. Já o conceito de resistência tem sido abordado há algum tempo e de maneira diversa no campo dos Estudos Organizacionais, refletindo distintas concepções teóricas sobre poder, controle e agência dos sujeitos, ainda que nos últimos anos tem havido um interesse renovado na resistência em torno das organizações (Mumby et al., 2017).

Metodologia

Foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo. A coleta de dados foi realizada por meio de pesquisa documental e de 14 entrevistas semiestruturadas com sujeitos envolvidos no conflito. Já a análise dos dados foi realizada através da Análise Temática.

Análise dos Resultados

Foi visto que há múltiplas organizações de resistências envolvidas no conflito hídrico e que elas se manifestam de diversas formas, empreendendo práticas heterogêneas de resistências, como manifestações sutis, cotidianas e simbólicas de contestação até reações de oposição mais diretas e visíveis, como no caso de protestos, o que evidencia o caráter multifacetado das organizações de resistência.

Conclusão

A mobilização dessas organizações de resistências na região constitui uma resposta política para a permanência de modos de vida tradicionais e pela defesa do direito ao acesso à água de qualidade (Rodríguez-Labajos; Martínez-Alier, 2015; Zhouri; Laschefski; Pereira, 2005). Nesse contexto, a solidariedade entre os diferentes grupos sociais que constituem as organizações de resistências é importante para evitar que a resistência seja marginalizada e para que o debate e a luta continuem articulados na esfera pública.

Contribuição / Impacto

Buscamos contribuir com a literatura sobre organizações de resistências mediante os conflitos socioambientais ao explicá-las utilizando insights teóricos da ecologia política, um campo de estudo que tem recebido pouca atenção nos estudos organizacionais (Banerjee et al., 2021). Este estudo também permite dar continuidade ao esforço de proposição de um projeto científico para inserir uma agenda efetivamente ecológica nos Estudos Organizacionais no Brasil, repensando a relação sociedade-natureza na área (Marquesan; Figueiredo, 2018), bem como dar mais visibilidade as organizações de resistência.

Referências Bibliográficas

Banerjee, B.; Maher, R.; Krämer, R. Resistance is fertile: Toward a political ecology of translocal. Organization, v. 30, n. 2, p. 264-287, 2021.
Martínez-Alier, J. O Ecologismo dos Pobres. São Paulo: Editora Contexto, 2009.
Mumby, D. K.; Thomas, R.; Martí, I.; Seidl, D. Resistance Redux. Organization Studies, v. 38, n. 9, p. 1157-1183, 2017.
Peixoto, F. da S., Soares, J. A., & Ribeiro, V. S. Conflicts over water in Brazil. Sociedade & Natureza, v. 34, e59410, 2022.
Rodríguez-Labajos, B.; Martínez-Alier, J.Politicalecology of waterconflicts. WIREs Water, v. 2, n. 5, p. 537-558, 2015.

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