Anais
Resumo do trabalho
Turismo e Hospitalidade · Dimensões e Contextos do Turismo e da Hospitalidade
Título
A CRIAÇÃO DA EXPERIÊNCIA TURÍSTICA SOB A PERSPECTIVA FOUCAULTIANA
Palavras-chave
Experiência turística
Michel Foucault
Relações de poder
Agradecimento:
O segundo autor agradece à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) pela concessão de bolsa pesquisador produtividade.
Autores
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Gabriel Brioschi CalimanINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO (IFES)
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Daniel Lanna PeixotoINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO (IFES)
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Paola Brusco RibetaINSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO ESPÍRITO SANTO (IFES)
Resumo
Introdução
Este ensaio analisa a experiência turística como um campo de disputas simbólicas, moldado por práticas discursivas e relações de poder. Considera-se que os destinos atuam como espaços biopolíticos, onde corpos e identidades são disciplinados (Minca & Oakes, 2018; Foucault, 2015a). A experiência, portanto, não é neutra, mas construída por múltiplos agentes e mecanismos de normalização. Com base em Foucault, discute-se o papel desses agentes na criação e organização do turismo, ampliando o debate crítico sobre as práticas que estruturam esse fenômeno.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Problema de pesquisa: como a experiência turística é construída a partir das relações de poder e das práticas discursivas que envolvem os agentes responsáveis pela sua organização?
Em vista desse problema, o objetivo deste ensaio é discutir a concepção e o papel dos agentes envolvidos na criação da experiência turística sob a perspectiva foucaultiana, enfatizando os mecanismos de normalização e controle que permeiam o turismo.
Em vista desse problema, o objetivo deste ensaio é discutir a concepção e o papel dos agentes envolvidos na criação da experiência turística sob a perspectiva foucaultiana, enfatizando os mecanismos de normalização e controle que permeiam o turismo.
Fundamentação Teórica
O turismo é compreendido como prática social mediada por discursos que moldam experiências simbólicas e afetivas. O turista participa ativamente da cocriação dessas vivências, influenciado por agentes públicos, privados e comunitários, que atuam como stakeholders na construção do ambiente turístico. A gestão eficiente depende da cooperação entre esses atores. A partir de Foucault, analisa-se como o poder opera nos discursos, normalizando comportamentos e produzindo subjetividades por meio de dispositivos institucionais e mecanismos de coerção social, que moldam condutas e reforçam padrões.
Discussão
Sob a ótica foucaultiana, o turismo é compreendido como prática social atravessada por discursos, relações de poder e dispositivos de normalização. A experiência turística é moldada por instituições, políticas públicas, narrativas e saberes que regulam comportamentos e definem o que deve ser vivenciado. Os discursos turísticos, longe de neutros, produzem verdades, ordenam territórios e subjetividades. Assim, o turismo torna-se campo de disputa simbólica e instrumento de controle social, configurando modos de ser, agir e experimentar o mundo.
Conclusão
A partir da ótica foucaultiana, este ensaio evidenciou que a experiência turística é atravessada por relações de poder, discursos e práticas de normalização. O turismo se configura como um espaço cultural e discursivo, no qual a percepção do visitante e dos agentes é moldada por mecanismos que regulam sentidos e comportamentos. Discursos de autenticidade e exclusividade operam como estratégias de controle, revelando a complexidade do setor. Ao lançar luz sobre essas dinâmicas, a abordagem foucaultiana permite reflexões críticas e aponta caminhos para práticas turísticas mais responsáveis.
Contribuição / Impacto
O artigo contribui ao aprofundar a compreensão do turismo como fenômeno atravessado por relações de poder, mostrando como discursos moldam experiências e subjetividades. Ao aplicar a perspectiva foucaultiana, oferece uma lente crítica para analisar as estratégias discursivas que orientam práticas turísticas, evidenciando mecanismos de normalização. Essa abordagem amplia o debate acadêmico sobre turismo e poder, incentivando a construção de experiências mais éticas, reflexivas e sensíveis aos sujeitos e contextos envolvidos nas dinâmicas turísticas.
Referências Bibliográficas
FOUCAULT, M. Ditos e escritos IV: estratégia, poder-saber. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2015a.
FRANÇA, A. P. Normalização e poder disciplinar em Foucault. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, v. 2, n. 1, p. 45-60, 2014.
MINCA, C.; OAKES, T. Tourism and the biopolitics of otherness. Annals of Tourism Research, v. 70, p. 1-12, 2018.
SILVA, P. T.; TRICÁRICO, L. T.; SILVA, Y. F. Michel Foucault na pesquisa em turismo: problematizando práticas e vivências. RBTUR: Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, São Paulo, v. 18, e-2961, 2024.
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