Anais
Resumo do trabalho
Turismo e Hospitalidade · Dimensões e Contextos do Turismo e da Hospitalidade
Título
O desejo que a norma não suporta: sobre a hostilidade nas instituições, corpos dissidentes e a ética da hospitalidade
Palavras-chave
Desejo
Hospitalidade
Corpos dissidentes
Agradecimento:
Este trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.
Autores
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Rodrigo dos Santos OliveiraUNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI (UAM)
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Sênia Regina BastosUNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI (UAM)
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Fabio Raddi UchôaUNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI (UAM)
Resumo
Introdução
Este artigo teórico parte da hipótese de que práticas institucionais de exclusão e silenciamento a corpos dissidentes operam como sintomas de um desejo não reconhecido. Com base em uma ontologia relacional e epistemologia ética e decolonial, propõe-se uma escuta simbólica dos afetos interditos que atravessam os vínculos institucionais. A hospitalidade é aqui pensada não como inclusão, mas como ética do risco diante do que desorganiza, convoca e excede a norma.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como práticas institucionais de recusa a corpos dissidentes expressam um desejo recalcado? E como essa tensão desloca os contornos éticos da hospitalidade? O artigo busca interpretar a exclusão simbólica como sintoma daquilo que a norma tenta silenciar. O objetivo é analisar as implicações éticas desse deslocamento, propondo uma escuta do desejo como fundamento para vínculos institucionais não normativos, abertos ao risco e à alteridade.
Fundamentação Teórica
A análise articula autores como Laplanche (1987), Derrida (2003), Levinas (2008), Kilomba (2019), Foucault (1979), Ricoeur (1991) e Anzaldúa (1987) para pensar o desejo como força recalcada que retorna como sintoma, a norma como exclusão simbólica travestida de neutralidade, e a hospitalidade como ética da vulnerabilidade. Os núcleos simbólicos tensionam linguagem, identidade e vínculo como zonas de conflito institucional.
Discussão
O corpo dissidente desestabiliza a norma ao revelar o desejo que ela reprime. A norma institucional exclui por meio do silêncio e da pretensa neutralidade. O silêncio, nesse campo, não é ausência, mas recalque discursivo. A hospitalidade emerge como ruptura ética, convocando instituições a se abrirem ao que as desorganiza. Políticas de inclusão que ignoram o desejo repetem a hostilidade simbólica que dizem combater. O vínculo exige escuta e risco.
Conclusão
Conclui-se que a hospitalidade exige mais do que protocolos inclusivos: demanda escutar o desejo que a norma silenciou. O desejo recalcado retorna como sintoma institucional e só pode ser acolhido por meio de uma ética que tolere a desorganização. Propor a escuta ética é abrir espaço para uma reinvenção simbólica das instituições, em que o vínculo não se baseie na adequação, mas na interrupção e no reconhecimento do outro como excesso.
Contribuição / Impacto
O artigo oferece uma chave teórica para pensar políticas públicas e gestão institucional a partir do desejo e da alteridade. Propõe a escuta ética como prática simbólica capaz de transformar relações institucionais marcadas por hostilidade em vínculos sensíveis à presença dissidente. Ao articular psicanálise, filosofia, decolonialidade e hospitalidade, contribui para campos como administração pública, educação, saúde e cultura.
Referências Bibliográficas
Anzaldúa, G. (1987). Borderlands/La Frontera: The New Mestiza. Aunt Lute.
Derrida, J. (2003). Da hospitalidade (M. C. Sá, Trad.). Estação Liberdade. (Original publicado em 1997)
Foucault, M. (1979). Microfísica do poder. Graal.
Kilomba, G. (2019). Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano. Cobogó.
Laplanche, J. (1987). Novas fundações para a psicanálise. Martins Fontes.
Levinas, E. (2008). Totalidade e infinito (J. C. R. Mendes, Trad.). Edições 70. (Original publicado em 1961)
Ricoeur, P. (1991). Do texto à ação (M. G. D. Peixoto & E. L. P. Oliveira, Trads.)
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