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Anais

Resumo do trabalho

Estratégia em Organizações · Processo Estratégico nas Organizações

Título

CONFIAR (OU EVITAR)? Antecedentes do uso de IA em decisões estratégicas

Palavras-chave

Inteligência artificial Tomada de decisão estratégica UTAUT
Agradecimento: Agradecimento ao Instituto Federal do Maranhão - IFMA, pelo fomento à pesquisa.

Autores

  • Marcos Alexandre Sousa Martins
    Fucape Business School (São Luis/MA)
  • Silvestre de Jesus Cunha Paixão Júnior
    INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO MARANHÃO (IFMA)
  • Rafaella Oliveira da Silva
  • ANTONIO VITOR RIBEIRO DOS SANTOS
    INSTITUTO FEDERAL DO MARANHÃO
  • Jhonny Silva Gomes
    IFMA - Campus Santa Inês

Resumo

Introdução

A aplicação da inteligência artificial (IA) tem se mostrado como oportunidade para as organizações melhorarem seu desempenho por meio da melhoria da tomada de decisão (Yang & Wibowo, 2022). Nesse sentido, o uso IA para tomada de decisão pode auxiliar as organizações permitindo aos empregados melhorarem sua capacidade analítica e criatividade. Assim, compreender os antecedentes do uso da IA se mostra importante, dado que é um passo necessário para a adoção desta ferramenta pelas empresas (Venkatesh, 2022).

Problema de Pesquisa e Objetivo

Diante desse cenário, questiona-se: quais fatores afetam a intenção e o comportamento de uso de inteligência artificial por gestores na tomada de decisão estratégica? Para responder a essa pergunta, este estudo tem como objetivo analisar os antecedentes da intenção e do comportamento de uso da IA nas decisões estratégicas por gestores, a partir da Teoria Unificada de Aceitação e Uso de Tecnologia (Venkatesh et al., 2003), considerando também a confiança e a aversão à inteligência artificial no modelo.

Fundamentação Teórica

A Teoria Unificada de Aceitação e Uso de Tecnologia (UTAUT) é um dos modelos mais completos para predizer a intenção e o uso de novas tecnologias (Venkatesh, 2022). No caso da IA, a confiança é fator crítico, pois o risco inerente à interação com algoritmos torna essa relação sensível (Glikson & Woolley, 2020). Soma-se a isso a aversão à IA, uma resistência que ultrapassa a simples aceitação de tecnologias tradicionais. Este estudo integra UTAUT, confiança e aversão à IA para investigar os antecedentes da adoção dessa tecnologia em decisões estratégicas.

Metodologia

Foi realizada uma pesquisa quantitativa, descritiva, com corte transversal e uso de dados primários. O campo de estudo foi formado por organizações públicas e privadas. A população-alvo foi composta de gestores que tomam decisões estratégicas. A técnica de amostragem foi a não probabilística por acessibilidade. Os dados foram coletados por questionário eletrônico, cujas perguntas utilizaram escalas já validadas. A amostra final foi de 245 respostas. Foi utilizada Modelagem de Equações Estruturais como método de análise. Foi verificada a confiabilidade, validade convergente e discriminante.

Análise dos Resultados

A expectativa de desempenho, expectativa de esforço e influência social afetam positivamente a intenção de uso de IA em decisões estratégicas. A intenção afeta de modo positivo o comportamento de uso da IA nesse contexto. A confiança na IA teve efeito contrassensual: ao tempo que exerce influência positiva sobre a intenção e o comportamento de uso da IA nas decisões estratégicas, modera negativamente a relação entre intenção e comportamento. A aversão à IA afeta negativamente a intenção e o comportamento de uso, mas não tem papel moderador na relação.

Conclusão

A utilização da IA no processo de tomada de decisão organizacional está ligada à percepção individual de benefícios gerados por essa utilização e pela influência que o meio social do gestor exerce sobre ele. O uso da IA na tomada de decisão de alta gestão também está ligado a características individuais de confiança e aversão. Os achados da pesquisa indicam que o uso da IA nas decisões mais arriscadas pelas organizações depende não apenas de fatores racionais, mas também da gestão ativa de percepções emocionais como confiança e aversão, variáveis críticas para sua adoção.

Contribuição / Impacto

A pesquisa contribui com a literatura por meio da expansão da capacidade de explicação do uso da inteligência artificial, agregando a confiança e a aversão à IA como antecedentes na UTAUT. Destaca o papel complexo da confiança na intenção e comportamento de uso da IA. Do ponto de vista prático, os achados orientam o desenho de estratégicas organizacionais de aculturamento digital para gestores que levem em conta não apenas as habilidades técnicas, mas também aspectos emocionais ligados à aceitação da inteligência artificial.

Referências Bibliográficas

Glikson, E., & Woolley, A. W. (2020). Human trust in artificial intelligence: review of empirical research. Academy of Management Annals, 14(2), 627–660.
Venkatesh, V. (2022). Adoption and use of AI tools: a research agenda grounded in UTAUT. Annals of Operations Research, 308(1), 641–652.
Yang, R., & Wibowo, S. (2022). User trust in artificial intelligence: a comprehensive conceptual framework. Electronic Markets, 32(4), 2053–2077.

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