Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Simbolismos, Culturas e Identidades
Título
CAPITAL CULTURAL E AS HIERARQUIAS (IN)VISÍVEIS: uma análise fílmica de Parasita a partir de Pierre Bourdieu
Palavras-chave
Capital cultural
Desigualdade de classe
Análise fílmica
Autores
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Dimitri Augusto da Cunha ToledoUNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS (UNIFAL-MG)
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Bruna Cristina EvaristoUNIVERSIDADE FEDERAL DE ALFENAS (UNIFAL-MG)
Resumo
Introdução
O filme Parasita (2019), de Bong Joon-ho, como objeto de estudo/análise oferece um terreno fértil para a representação da teoria bourdieusiana. Através da atuação das personagens, a desigualdade de classe se apresenta de forma indireta e incômoda. Dito isso, neste trabalho a obra é lida pela teoria de Pierre Bourdieu, buscando, a partir do capital cultural, compreender as hierarquias sociais representadas no enredo e refletir como os códigos simbólicos operam para tornar invisíveis os mecanismos de dominação no cotidiano.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como o capital cultural, articulado ao habitus e ao campo, opera na construção das hierarquias sociais representadas no filme Parasita? O objetivo do trabalho é investigar como as formas de capital cultural — incorporada, objetivada e institucionalizada — estruturam relações de poder e naturalizam desigualdades no filme, evidenciando os mecanismos simbólicos que sustentam as barreiras de classe.
Fundamentação Teórica
A análise se ancora nos conceitos de Pierre Bourdieu: capital cultural (em suas três formas), habitus, campo e violência simbólica. O estudo parte da premissa de que o capital cultural só encontra eficácia quando reconhecido pelo campo, sendo legitimado por instituições e convertido em capital simbólico. Ao tratar o capital cultural em articulação com outros capitais e disposições sociais, a teoria revela as engrenagens sutis da reprodução da desigualdade de classe.
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo que utiliza a análise fílmica interna, com base em Manuela Penafria (2009). O filme foi segmentado em seis cenas-chave e analisado a partir de três frentes: visual/sonora (enquadramentos, arquitetura e gestos), textual/narrativa (estrutura e símbolos), e ideológica (crítica social implícita), relacionando os elementos estéticos aos conceitos de Bourdieu.
Análise dos Resultados
O resultado da análise fílmica sob a lente de capital cultural revelou que, por mais que o capital cultural incorporado esteja presente, o mesmo não se mostra suficiente para garantir reconhecimento ou ascensão aos personagens, quando não ancorados pelas formas institucionais e/ou simbólicas de outros capitais. Mesmo quando há inclusão artificial dos personagens, o campo não os aceita plenamente se houver dissonância entre seus habitus e o meio.
Conclusão
A análise fílmica de Parasita, por meio da teoria de capital cultural de Pierre Bourdieu, mostrou que, mesmo quando presente, o capital cultural não garante ascensão se não houver sintonia entre habitus e campo. Parasita evidencia que diplomas e saberes pouco valem sem legitimação simbólica, e com isso demonstra o esforço dos subalternos em se adaptar a campos que os rejeitam, resultando em frustração ou violência, como representado no longa.
Contribuição / Impacto
A pesquisa contribui ao demonstrar como o cinema pode ser utilizado como ferramenta teórico-metodológica para estudar desigualdades de classe sob a ótica bourdieusiana. Além disso, oferece subsídios para os Estudos Organizacionais ao evidenciar como disposições incorporadas e credenciais acadêmicas operam nas dinâmicas de exclusão e privilégio. Propõe ainda o uso da análise fílmica como recurso pedagógico e analítico na compreensão crítica das hierarquias.
Referências Bibliográficas
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