Anais
Resumo do trabalho
Turismo e Hospitalidade · Dimensões e Contextos do Turismo e da Hospitalidade
Título
HOSPITALIDADE UNIVERSITÁRIA COMO PRÁTICA ORGANIZACIONAL: Uma meta-síntese sociológica sobre estudantes migrantes
Palavras-chave
hospitalidade
estudos organizacionais
meta-síntese
Agradecimento:
Agradecemos à CAPES e ao Programa de Pós-graduação em Administração pela Universidade Federal de Lavras (MG)
Autores
-
Beatriz Flexa RibeiroUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
Resumo
Introdução
O estudo aborda a hospitalidade universitária como uma prática organizacional complexa, que transcende sua concepção tradicional vinculada ao setor hoteleiro. Analisa-se esse fenômeno como um dispositivo ético-político e simbólico, capaz de estruturar relações de poder, pertencimento e reconhecimento no ambiente acadêmico, especialmente em contextos de migração e diversidade cultural.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A pesquisa parte do reconhecimento de que as universidades, diante do aumento de estudantes migrantes e refugiados, enfrentam desafios para implementar políticas de acolhimento efetivas. Seu objetivo é investigar como o conceito de hospitalidade tem sido construído e mobilizado nas ciências sociais e estudos organizacionais, com foco em estratégias de integração que promovam inclusão e justiça social no ensino superior.
Fundamentação Teórica
O estudo articula quatro pilares teóricos para compreender a hospitalidade universitária. Derrida evidencia a tensão entre a hospitalidade incondicional e sua aplicação institucional, sempre condicionada. Habermas aponta para a necessidade de diálogos intersubjetivos que superem relações instrumentais. Bourdieu revela como habitus e capital simbólico estruturam inclusões seletivas. Mauss, por fim, expõe as trocas e expectativas implícitas na acolhida. Juntos, mostram a hospitalidade como campo ético, simbólico e político permeado por disputas e contradições.
Discussão
A hospitalidade universitária, embora anunciada como prática inclusiva, revela contradições ao ser regulada por normas institucionais que frequentemente reproduzem exclusões. O acolhimento de estudantes estrangeiros é atravessado por assimetrias de poder, habitus acadêmicos excludentes e expectativas implícitas de reciprocidade. As políticas formais, ao negligenciarem o cotidiano e a escuta ativa, limitam o pertencimento real e produzem formas sutis de hostilidade simbólica.
Conclusão
A pesquisa evidencia que a hospitalidade universitária é tensionada entre discursos inclusivos e práticas que perpetuam desigualdades. A abertura ao outro, longe de ser incondicional, é mediada por regras institucionais que reforçam exclusões simbólicas. Os relatos revelam a urgência de políticas mais dialógicas, que reconheçam a alteridade dos estudantes estrangeiros e promovam pertencimento real, afetivo e institucional.
Contribuição / Impacto
O estudo aprofunda os debates nos campos da hospitalidade e dos estudos organizacionais ao revelar como a inclusão universitária se dá em meio a trocas desiguais e habitus excludentes. Ao integrar Derrida, Habermas, Bourdieu e Mauss, oferece um arcabouço teórico potente para repensar o acolhimento. Contribui para a formulação de práticas institucionais mais éticas, comunicativas e transformadoras no contexto da internacionalização.
Referências Bibliográficas
Derrida, J. (2000). Da hospitalidade. UFMG.
Habermas, J. (1987). Teoria do agir comunicativo. Tempo Brasileiro.
Bourdieu, P. (1999). A dominação masculina. Bertrand Brasil.
Mauss, M. (2003). Ensaio sobre a dádiva. Cosac Naify.
Habermas, J. (1987). Teoria do agir comunicativo. Tempo Brasileiro.
Bourdieu, P. (1999). A dominação masculina. Bertrand Brasil.
Mauss, M. (2003). Ensaio sobre a dádiva. Cosac Naify.