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Anais

Resumo do trabalho

Artigos Aplicados · Estratégia

Título

Concentração e Oferta de Salas de Cinema nos Distritos de São Paulo

Palavras-chave

Estrutura-Conduta-Desempenho (ECD) Varejo Localização

Autores

  • Rodolfo Ribeiro
    Escola de Negócios Fatec-Sebrae
  • Alexander Homenko Neto
    Escola de Negócios Fatec-Sebrae
  • Daniel Kusters
    Escola de Negócios Fatec-Sebrae
  • Caio Flavio Stettiner
    Centro Paula Souza - Fatec Registro

Resumo

Introdução

A abordagem ECD analisa como a estrutura de mercado afeta conduta e desempenho das empresas. Mercados concentrados tendem a ter menor rivalidade e maior rentabilidade (Besanko et al, 2012). Estudos mostram que a concentração melhora desempenho em setores como saúde, telecom e varejo (Ribeiro et al, 2014; Kamia e Vargas, 2023). No varejo, localização é decisiva para vantagem competitiva (Parente e Barki, 2014). O objetivo desse trabalho é analisar a concentração e a distribuição da oferta de salas de cinema na cidade de São Paulo, destacando os fatores de microrregiões que influenciam na oferta

Contexto Investigado

Diferenças territoriais impactam decisões organizacionais, exigindo adaptações conforme renda e infraestrutura locais (Ghemawat, 2007). Em São Paulo, há grandes desigualdades entre distritos: expectativa de vida varia 24 anos, oferta de empregos formais pode ser 200 vezes maior entre extremos e 25% dos distritos não têm equipamentos culturais (RNSP, 2024). A distribuição desigual de renda e mobilidade reflete-se no acesso ao cinema. Segundo a ANCINE (2025), 40% da população vive em cidades sem salas e 82,5% das exibições vêm de 4 distribuidoras.

Diagnóstico da Situação-Problema

Em São Paulo, diferentes ambientes competitivos impactam serviços que exigem presença do consumidor, como cinemas. A localização é decisiva e difícil de reverter (Parente e Barki, 2014). A ANCINE (2025) aponta concentração no setor e escassez de salas em cidades pequenas, mas sem detalhar a distribuição por tipo de empreendimento. Estudos mostram relação entre renda, localização e concentração (Bezerra & Agner, 2021). Compreender esses padrões apoia políticas públicas de acesso à cultura e decisões empresariais sobre expansão (Clarke et al., 1994)

Intervenção Proposta

Foram mapeadas salas de cinema em SP por meio da API Places (Google, 2025), com buscas em 3 coordenadas por distrito. Após limpeza e adição de cinemas públicos, 393 salas foram identificadas em 100 estabelecimentos. Atribuiu-se cada cinema a um distrito com base em coordenadas oficiais (PMSP, 2025). Variáveis como renda, população, mobilidade e segurança foram combinadas de fontes secundárias (RNSP, 2025; Metro, 2025a). Usaram-se os índices CC e HHI para medir concentração e modelos de árvores de decisão e para analisar a distribuição das salas de acordo com as condições das regiões da cidade.

Resultados Obtidos

A maioria das salas é privada (91,8%) e está nas regiões Sul e Oeste. Porém, 64,7% do território tem apenas 5% das salas. Usando os índices CC e HHI, confirmou-se estrutura oligopolista. Modelos de classificação (C5.0) testaram a influência de variáveis como renda, fluxo e homicídios sobre a distribuição da oferta. A renda/km² foi a variável mais relevante: distritos mais ricos concentram redes privadas; regiões de baixa renda dependem da oferta pública. O fluxo também influencia a presença de redes.

Contribuição Tecnológica-Social

Os resultados mostram que a renda dos distritos é o principal fator para existência e perfil da oferta de cinemas em SP. A estrutura de mercado, com concentração moderada, favorece grandes redes e limita o acesso em áreas periféricas. Isso indica necessidade de políticas públicas e estratégias adaptativas para cinemas independentes. A análise territorial orienta decisões de gestão. Futuras pesquisas podem incluir variáveis como shoppings e segurança, além de estudar preços e estratégias de cinemas independentes frente à concentração de mercado.

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