Anais
Resumo do trabalho
Gestão Socioambiental · Sustentabilidade e Desempenho das Organizações
Título
ASSOCIAÇÃO DA REMUNERAÇÃO EXECUTIVA E DESEMPENHO ESG: UMA ABORDAGEM AO LONGO DO CICLO DE VIDA ORGANIZACIONAL
Palavras-chave
ESG Score
Remuneração executiva
Teoria do Ciclo de Vida
Agradecimento:
Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES) pelo apoio financeiro concedido, o qual foi fundamental para a realização deste projeto.
Autores
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Luan Gomes RochaUNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES)
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Diane Rossi Maximiano ReinaUNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES)
Resumo
Introdução
Empresas que apresentam índices de sustentabilidade maiores tendem a mitigar os conflitos com os stakeholders e, consequentemente, alcançam retornos maiores para os acionistas. Nesse contexto, o aumento da remuneração dos executivos como incentivo à adoção de práticas sustentáveis tem se mostrado uma estratégia relevante para incorporar critérios ESG na administração de empresas. Há uma carência de pesquisas que evidenciam como a estratégia de incentivar os executivos para a melhoria dos níveis de ESG funciona em diferentes estágios do ciclo de vida das empresas.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O problema de pesquisa é: Há associação entre a remuneração executiva no nível de ESG das empresas em diferentes estágios do ciclo de vida? O objetivo desta pesquisa é analisar a associação da remuneração executiva no nível de ESG das empresas em diferentes estágios do ciclo de vida.
Fundamentação Teórica
A remuneração executiva tem sido vinculada ao desempenho ESG como forma de alinhar os interesses dos gestores às metas sustentáveis (Velte, 2024). Contudo, as empresas passam por diferentes estágios do ciclo de vida que influência diretamente em fatores como a escolha de estratégia, a alocação de recursos financeiros e a capacidade de gestão (Dickinson, 2011). Assim, os estágios do ciclo de vida possuem implicações significativas para a compreensão do desempenho ESG das empresas (Moreira, 2023).
Metodologia
Como variável dependente utilizou-se o ESG Score, como variável independente o logaritmo da remuneração total dos executivos e como varáveis de controle o tamanho da empresa, folga financeira, crescimento de vendas, lucro por ação, quantidade de executivos, idade média dos executivos e a porcentagem de mulheres executivas. O período estudado foi de 2019 a 2023. A amostra final contou com 473 observações sobre 108 empresas. Foi analisado pelo método MQO ajustado para erros robustos com os dados em um painel desbalanceado visando conseguir o máximo de observações.
Análise dos Resultados
Na análise da remuneração (RTE) no nível de ESG da empresa, a variável RTE não foi significativa, semelhante a Ferrell et al. (2016) que também não encontrou significância estatística e argumentam que as restrições de caixa têm um impacto maior na sustentabilidade. Na análise da RTE em ESG em cada ciclo de vida, só foi estatisticamente significativa com o coeficiente negativo no estágio de turbulência. Uma possível explicação é que nesse estágio as empresas enfrentam uma crise devido à queda nos lucros e, para não seguirem para o estágio de declínio, são obrigadas a se reinventar.
Conclusão
Na hipótese H¹ os resultados obtidos não foram significantes, logo, rejeita-se a hipótese de associação positiva entre a RTE e o nível de ESG. Na hipótese H², a análise da estratégia de remuneração executiva revela uma associação significativa com o coeficiente negativo no nível de ESG das empresas no estágio de turbulência. O estudo revelou que o tamanho da empresa foi a variável que mais está associada ao nível de ESG, visto que só não é significativa no estágio de nascimento.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui para ampliar o alcance da teoria do ciclo de vida empresarial ao integrá-la com a remuneração executiva e os critérios ESG, um campo ainda pouco explorado sob essa ótica (Velte, 2024). Em termos práticos, colabora com formuladores de políticas corporativas ao fornecer evidências que podem orientar a implementação de incentivos remuneratórios alinhados às metas de sustentabilidade, ajustados às particularidades de cada estágio do ciclo de vida da empresa.
Referências Bibliográficas
Dickinson, V. (2011). Cash Flow Patterns as a Proxy for Firm Life Cycle. The Accounting Review, 86(6), 1969–1994. https://doi.org/10.2308/accr-10130 .
Cohen, S., Kadach, I., Ormazabal, G., & Reichelstein, S. (2023). Executive Compensation Tied to ESG Performance: International Evidence. Journal of Accounting Research, 61(3), 805–853. https://doi.org/10.1111/1475-679X.12481.
Cohen, S., Kadach, I., Ormazabal, G., & Reichelstein, S. (2023). Executive Compensation Tied to ESG Performance: International Evidence. Journal of Accounting Research, 61(3), 805–853. https://doi.org/10.1111/1475-679X.12481.