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Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Apreçamento de Ativos

Título

INTEGRAÇÃO DO FATOR ESG EM MODELOS DE PRECIFICAÇÃO DE ATIVOS NO MERCADO DE AÇÕES BRASILEIRO

Palavras-chave

ESG Modelos multifatoriais Mercado acionário brasileiro

Autores

  • Igor Henrique Garcia
    USP - Universidade de São Paulo
  • Leandro dos Santos Maciel
    Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA

Resumo

Introdução

A integração de fatores ESG (ambiental, social e de governança) na análise de investimentos tem se tornado cada vez mais relevante no mercado financeiro global, destacando-se pelo potencial de mitigar riscos e capturar anomalias de precificação. No Brasil, embora a discussão sobre ESG tenha avançado, ainda são poucos os estudos que exploram sua relevância como fator de risco na formação dos retornos acionários.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Apesar do avanço teórico, persistem lacunas sobre o papel dos fatores ESG no mercado brasileiro, especialmente em relação à sua capacidade explicativa nos modelos multifatoriais tradicionais. O objetivo deste estudo é avaliar se os fatores ESG – considerados de forma agregada e desagregada – são relevantes na precificação de ativos no mercado acionário brasileiro, utilizando extensões dos modelos CAPM e Fama-French.

Fundamentação Teórica

A literatura sugere que práticas ESG podem reduzir conflitos com stakeholders e melhorar o desempenho ajustado ao risco (Kempf; Osthoff, 2007; Statman; Glushkov, 2009). Estudos como o de Becchetti, Ciciretti e Dalò (2018) evidenciam a existência de prêmios de risco distintos associados às dimensões ESG, mas resultados divergentes em mercados emergentes apontam a necessidade de aprofundamento (Diniz, 2023).

Metodologia

A pesquisa adota uma abordagem quantitativa com aplicação de modelos econométricos multifatoriais. Utilizando dados da Refinitiv para o período de 2010 a 2024, foram construídos portfólios baseados nos pilares ESG e aplicadas regressões na forma de Fama e MacBeth (1973) para avaliar a capacidade explicativa desses fatores sobre os retornos dos índices IBOV e SMLL.

Análise dos Resultados

Os resultados indicam que, enquanto o fator ESG agregado apresenta relevância limitada, a decomposição em seus pilares evidencia efeitos estatisticamente significativos e diferenciados. A governança corporativa se destaca como o componente mais sistematicamente premiado, enquanto os pilares ambiental e social exibem prêmios de risco negativos nos índices analisados.

Conclusão

O estudo demonstra que fatores ESG desagregados contribuem para explicar os retornos de ativos no mercado brasileiro, com destaque para a governança como determinante relevante dos prêmios de risco. Esses achados reforçam a importância de considerar a sustentabilidade corporativa nos modelos de precificação, especialmente em economias emergentes.

Contribuição / Impacto

Os resultados contribuem para o avanço da literatura ao oferecer evidências empíricas sobre o papel dos fatores ESG na precificação de ativos em mercados emergentes. Além disso, fornecem subsídios para investidores e formuladores de políticas interessados na integração de critérios ESG às estratégias de investimento.

Referências Bibliográficas

DINIZ, M. A. Precificação de fatores ESG no mercado brasileiro: uma adaptação do modelo de Fama-French. 2023. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2023.

BECCHETTI, L.; CICIRETTI, R.; DALÒ, A. Fishing the Corporate Social Responsibility risk factors. Journal of Financial Stability, v. 37, p. 25–48, ago. 2018.

KEMPF, A.; OSTHOFF, P. The effect of socially responsible investing on portfolio performance. European Financial Management, v. 13, n. 5, p. 908–922, 2007.

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