Anais
Resumo do trabalho
Gestão Socioambiental · Gestão Ambiental
Título
RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL NO SETOR DE TECNOLOGIA: EVIDÊNCIAS DAS PRÁTICAS ESG NO PORTO DIGITAL QUE CONTRIBUEM COM OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA ONU
Palavras-chave
Porto Digital
Environmental, Social and Governance
ODS
Autores
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Jéssica Ruana Barbosa LimaUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO (UFRPE)
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Irlan Ximenes
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Lucas LindozoUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO (UFRPE)
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Maria de Fátima da SilvaAutarquia Educacional do Belo Jardim - AEB
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Ana Regina Bezerra RibeiroUNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO (UFRPE)
Resumo
Introdução
A incorporação de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) tornou-se estratégica para organizações que buscam responder às demandas contemporâneas por responsabilidade socioambiental. Entretanto, pouco se conhece sobre como empresas de base tecnológica inseridas em ecossistemas de inovação comunicam tais iniciativas. Nesse cenário, o Porto Digital (parque tecnológico situado no Recife) oferece um campo fértil para analisar a sinergia entre relatórios corporativos de sustentabilidade e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O artigo considera a importância crescente do ESG e o papel-chave do Porto Digital como ecossistema de inovação, respondendo o seguinte questionamento: como as empresas do Porto Digital, que divulgam relatórios de sustentabilidade, contribuem para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU por meio de ações alinhadas aos pilares ambiental, social e de governança. Como objetivo tem-se, analisar o grau de alinhamento, maturidade e impactos das práticas ESG em relação aos ODS, identificando lacunas e evidenciando contribuições de 12 empresas do Porto Digital.
Fundamentação Teórica
A trajetória da sustentabilidade consolidou o ESG como critério para a tomada de decisão de investidores (BASSETTO, 2010). As dimensões ambiental, social e de governança abrangem ações de energia limpa, carbono neutro, resíduos (GALLEGO-ALVAREZ, 2011; WALKER E JONES, 2012), de valorização da diversidade, equidade, inclusão e responsabilidade social corporativa (BEAR et al., 2010; CARROLL E SHABANA, 2010; AL AMOSH, 2023) e, por fim, de ética, à transparência e à prestação de contas, com práticas como: publicação de relatórios de sustentabilidade (KAPLAN e SCHULTZ, 2007; CHEN e DELMAS, 2017).
Metodologia
Adotou-se pesquisa qualitativa, exploratória-descritiva e explicativa, de caráter documental. Examinaram-se relatórios de sustentabilidade de 12 empresas do Porto Digital, disponíveis em seus sites, referentes ao período 2021-2024. Os documentos foram codificados no software ATLAS.ti e tabelados no Excel. Aplicou-se análise de conteúdo temática (Bardin, 2002) com quatro categorias: métricas ambientais, sociais, de governança e ODS. Essa abordagem permitiu identificar padrões, frequência e intensidade das práticas relatadas.
Análise dos Resultados
Dos 12 relatórios analisados, todos agrupam-se em quatro categorias: Ambiental, Social, Governança e ODS. A dimensão ambiental somou 214 ocorrências, centradas em energia renovável, neutralidade de carbono e gestão de resíduos. A esfera social trouxe 137 referências relativas a educação, igualdade de gênero e trabalho decente. Governança contabilizou 89 menções sobre códigos de conduta, auditorias e relatórios padronizados. As ações ligam-se sobretudo aos ODS educação, gênero, trabalho decente e clima, revelando progresso consistente, ainda que desigual, entre as empresas.
Conclusão
Constata-se que o ESG já norteia as 12 empresas analisadas, gerando avanços nos ODS educação, gênero, trabalho decente e clima, mas com maturidade desigual. As lacunas constatadas foram a falta de métricas padronizadas, relatórios globais sem foco regional e com poucos dados de impacto local e raras auditorias de governança. As restrições são temporais, foram analisados relatórios de 2021 a 2024 e a dados autorrelatados, a pesquisa requer reporte regional, verificação de auditoria externa e estudos de campo para medir efeitos reais.
Contribuição / Impacto
Para a academia, oferece primeiro mapeamento ESG em parque tecnológico brasileiro, revelando assimetrias entre eixos e agenda de pesquisa regional. Para o Porto Digital, indica avanços e lacunas, apoiando planejamento e criação de selos internos. Para as empresas, fornece benchmark de 214 registros ambientais, 137 sociais e 89 de governança, reforçando valor da transparência das informações. Para o ecossistema, demonstra sinergias, hackathons sustentáveis e maior atração de talentos. Para políticas públicas, sustenta exigência de métricas locais e estímulos a relatórios padronizados.
Referências Bibliográficas
DAUGAARD, D.; DING, L. ESG as strategic information: the value relevance of environmental, social, and governance disclosures. Sustainability Accounting, Management and Policy Journal, v. 13, n. 6, p. 1420-1442, 2022.
ECCLES, R. G.; IOANNOU, I.; SERAFEIM, G. The impact of corporate sustainability on organizational processes and performance. Management Science, v. 60, n. 11, p. 2835-2857, 2014.
FATEMI, A.; GLAUM, M.; KAISER, S. ESG performance and firm value: the moderating role of disclosure. Global Finance Journal, v. 38, p. 45-64, 2018.
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