Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Organizações Alternativas
Título
SINGULARIDADES DA AGRICULTURA FAMILIAR DO SEMIÁRIDO ALAGOANO A PARTIR DAS LÓGICAS INSTITUCIONAIS
Palavras-chave
Agricultura familiar
Semiárido alagoano
Lógicas institucionais
Autores
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Carlos Everaldo Silva CostaUNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL)
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Thainá Vitória Silva dos SantosUNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL)
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Livia Maria Alves SantosUNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (UFAL)
Resumo
Introdução
O semiárido ocupa 15% do Brasil (INSA, 2024). Escassez de chuva e baixa umidade geram perdas agrícolas e de renda e dificuldades alimentares (Melchiori; Rodrigues; Aoqui, 2022). O Estado que apenas focava em combater a seca com abastecimento de água por carros-pipa e entrega de cestas básicas (Silva; Leite; Souza, 2023), desde 1999, com a criação da Articulação do Semiárido Brasileiro, ações de convivência, tecnologias sociais, foram legitimadas, junto ao Ministério de Desenvolvimento Social e a Federação Brasileira dos Bancos (Ferreira; Gregolin, 2017) que beneficiaram a Agricultura Familiar.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O semiárido de Alagoas, 3,4% do brasileiro (Brasil, 2024), não traz unicidade de dados sobre sua Agricultura Familiar (AF). O sistema da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) apresenta organizações de 4 municípios (OCB, 2024) e a ASA, de 6. Deste cenário inicial de 10 municípios, dos 42 existentes, o estudo questiona: nesse recorte socioeconômico e institucional, com ações de combate e convivência, que aspectos são singulares à AF no semiárido de Alagoas? O objetivo do estudo é identificar, no semiárido alagoano, as singularidades sobre sua AF, a partir das lógicas institucionais.
Fundamentação Teórica
Na AF o “familiar” combina conhecimentos transmitidos por gerações (Wanderley, 2009) e o trabalho familiar é superior ao contratado (Santos et al, 2013). Até os anos 1970, eram denominados agricultores de subsistência ou de baixa renda. Em 1990 se legitima a expressão AF (Dias; Rocha, 2014) e em 2006, foi constituída a Lei da AF, nº11.326, que deu acesso a programas públicos e incentivo à subsistência e comercialização do excedente produtivo. No semiárido, programas como o PNAE e PAA estimularam esse processo, incluindo o protagonismo feminino (Carvalho; Lago, 2020).
Metodologia
O estudo é de abordagem qualitativa, do tipo indutivo e utilizou dados secundários sobre a Agricultura Familiar (AF) no semiárido de Alagoas na perspectiva de 11 organizações, classificadas, para fins didáticos, em lógicas institucionais, a partir de Thorton, Ocasio e Lounsbury (2012). O corpus do estudo foi de 66 arquivos, cerca de 200 páginas e para constituir as singularidades sobre a AF no semiárido de Alagoas, os dados foram analisados pelo método Análise de Conteúdo, de Bardin (2011), nas etapas: pré-análise; exploração do material; e tratamento dos resultados.
Análise dos Resultados
Dos elementos semânticos e das unidades de registro constituídas, o estudo gerou 28 categorias, onde a maioria retrata aspectos socioeconômicos e institucionais do semiárido brasileiro. No entanto, para a AF do semiárido alagoano tem como categorias destaques: “organizações comunitárias”, a ASA; “tecnologias sociais hídricas”, as cisternas de placa; “banco de sementes”, as sementes crioulas pelo Programa Estadual Banco de Sementes; “desenvolvimento agrícola e segurança alimentar/ federal”, o PNAE; e os municípios, em que se destacam os da mesorregião Sertão em relação à Agreste.
Conclusão
Do objetivo do estudo foram identificados, a partir dos dados coletados, as singularidades da AF no semiárido alagoano, a partir das lógicas do Estado, da Comunidade e do Mercado: a ASA (na categoria “organizações comunitárias”), que mais aproxima atores estatais aos comunitários; o PNAE (na categoria “desenvolvimento agrícola e segurança alimentar/ Federal”) sobre comercialização dos produtos às escolas. E como unânimidade, o Programa Estadual Banco de Sementes Crioulas (na categoria “Desenvolvimento Rural Sustentável/ Estadual”), que une aspectos materiais e imateriais/simbólicos.
Contribuição / Impacto
Na teoria, foram acessados, da plataforma Sucupira da Capes, 312 artigos, nacionais e internacionais, para embasar o estudo sobre AF no semiárido de Alagoas, entre os estratos A1 e C, no evento de classificação 2017-2020. Porém, em nenhum havia associação direta ao semiárido, nem brasileiro e alagoano, o que reforça sua contribuição científica. E, na prática, a contribuição está no fato de o estudo identificar aspectos singulares ao contexto semiárido de Alagoas, capazes de informar associações, cooperativas e o Estado sobre sua Agricultura Familiar.
Referências Bibliográficas
BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3. reimp. Lisboa: Edições, 2011.
INSA. Semiárido Brasileiro. Disponível em: https://www.gov.br/insa/pt-br/semiarido-brasileiro. Acesso em: 12 mar. 2024.
SILVA, J.; LEITE, A.; SOUZA, C. Apropriação social da água nas comunidades rurais do semiárido: os desafios da governança (2020-2022). Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, v. 19, n. 2, p. 645-669, maio-ago. 2023.
THORNTON, P.; OCASIO, W.; LOUNSBURY, M. The institutional logics perspective: A new approach to culture, structure, and process. Oxford University Press, 2012.
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