Anais
Resumo do trabalho
Gestão de Pessoas · Bem-Estar e Mal-Estar no Trabalho
Título
“GESTÃO DO CANSAÇO”: O impacto do gerencialismo e do neoliberalismo no trabalho de gestores escolares
Palavras-chave
Exaustão
Gestão como Doença Social
Neoliberalismo
Agradecimento:
Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais
Autores
-
Daniela Aparecida Braga AraujoUNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG)
-
Jefferson Rodrigues PereiraCentro Universitário Unihorizontes - MG
Resumo
Introdução
Na educação escolar, a implementação de modelos gerencialistas enfatiza a eficiência e a produtividade em detrimento da formação integral dos(as) estudantes e da igualdade de oportunidades (MENDES et al., 2020). Essa influência gerencialista neoliberal também se manifesta em políticas educacionais, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de 2017, revelando a prevalência de interesses econômicos sobre as necessidades educacionais dos(as) estudantes (CAETANO, 2020).
Problema de Pesquisa e Objetivo
Esta pesquisa tem como questão norteadora: como a lógica gerencialista neoliberal de gestão têm impactado o trabalho de gestores(as) escolares?
O objetivo desta pesquisa é analisar de que maneira a lógica de gestão, fundamentada no contexto gerencialista neoliberal, impacta os aspectos do trabalho de gestores(as) escolares em escolas estaduais de Minas Gerais.
O objetivo desta pesquisa é analisar de que maneira a lógica de gestão, fundamentada no contexto gerencialista neoliberal, impacta os aspectos do trabalho de gestores(as) escolares em escolas estaduais de Minas Gerais.
Fundamentação Teórica
A hiperatividade no trabalho é experimentada como uma resposta a uma demanda de organização, embora, na realidade, seja resultado de uma escolha pessoal em um contexto no qual os limites da carga de trabalho são vagos ou inexistentes. Essa hiperatividade é fonte de orgulho, acompanhada por queixas pouco convincentes de vitimização: “não aguento mais”, “estou esgotado”, “não tenho mais tempo para mim” (GAULEJAC, 2014), caracterizando assim a "Sociedade do Cansaço" (HAN, 2015).
Metodologia
Trata-se de uma pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, cujo método foi um estudo de caso. Os dados foram coletados a partir da realização de 20 entrevistas semiestruturadas com gestores escolares da Região Metropolitana de Belo Horizonte e analisados a partir da Análise Crítica do Discurso (ACD).
Análise dos Resultados
. Os discursos dos(as) gestores(as) escolares revelaram como a lógica gerencialista e neoliberal perpetua a sobrecarga e o adoecimento social, demonstrando a influência da lógica neoliberal nas práticas de gestão e seus efeitos na saúde mental dos(as) gestores(as). A romantização do cansaço e a normalização da exaustão como sinal de dedicação evidenciam a necessidade urgente de repensar as políticas e práticas de gestão educacional, adotando uma abordagem mais humana e sustentável que valorize o bem-estar dos(as) profissionais.
Conclusão
A urgência de uma reforma que priorize a saúde e o equilíbrio dos(as) gestores(as) é clara, rompendo com a cultura de exaustão e pressão incessante. Apenas com tais reformas será possível garantir uma gestão escolar que não só alcance seus objetivos educacionais, mas também cuide efetivamente de seus(suas) gestores(as) e, por extensão, de toda a comunidade escolar. Essa relação reflete a identificação dos principais impactos da gestão escolar orientada por princípios gerencialistas neoliberais.
Contribuição / Impacto
A contribuição teórica deste estudo reside na identificação do fenômeno da “gestão do cansaço” entre gestores(as) escolares, evidenciando que o cansaço não é uma questão meramente subjetiva, mas sim um fenômeno institucionalizado que reflete as práticas e exigências do gerencialismo e do neoliberalismo nas escolas. Essa perspectiva amplia a compreensão do impacto das políticas educacionais sobre a saúde mental e emocional dos gestores, sugerindo que o cansaço é uma consequência direta das condições de trabalho impostas por um modelo de gestão que prioriza resultados.
Referências Bibliográficas
BRESSER-PEREIRA, L. C. A democracia não está morrendo. Foi o neoliberalismo que fracassou. Lua Nova, n. 111, p. 51-79, 2020.
GAULEJAC, V. A gestão como doença social. São Paulo: Ideias & Letras, 2007.
GAULEJAC, V. A sociedade do desempenho. São Paulo: Ideias & Letras, 2014.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2018.
HAN, B. C. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2015.
LAVAL, C. A escola não é uma empresa. Editora Cortez, 2011.
LAVAL, C. Foucault, Bourdieu et la question néolibérale. La découverte, 2018.
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