Logo

Anais

Resumo do trabalho

Finanças · Finanças Quantitativas

Título

Conselho de Administração, Concentração de Mercado e Desempenho Empresarial

Palavras-chave

Conselho de Administração Concentração de Mercado Desempenho Empresarial

Autores

  • Jairo Taufick
    Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA
  • Claudio Antonio Pinheiro Machado Filho
    Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA
  • Eduardo Kazuo Kayo
    Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo - FEA

Resumo

Introdução

O mercado de capitais brasileiro é marcado por concentração de propriedade e emissão de ações sem voto, contrastando com modelos dispersos. A governança corporativa mitiga conflitos de agência, com o conselho de administração central no monitoramento. A competição de mercado modera essa eficácia: em ambientes competitivos, reforça governança; em concentrados, substitui. Este estudo explora como o HHI influencia a relação entre conselho e desempenho em firmas listadas na B3, de 2013-2022, integrando teorias de agência e organização industrial.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Qual a influência do ambiente competitivo na relação entre conselho de administração e desempenho empresarial no Brasil? Em mercados emergentes, governança interna compensa fragilidades externas, mas faltam análises sobre moderação pela competição. Objetivo: investigar se características do conselho (independência, diversidade, tamanho, remuneração, dualidade) impactam desempenho (ROA, ROE, ROIC, Q de Tobin, lnVM), moderadas pelo HHI, usando dados de 266 firmas de 2013-2022, para entender dinâmica em contextos de alta/baixa concentração.

Fundamentação Teórica

Baseada na teoria da agência (Jensen & Meckling, 1976), que destaca conflitos entre acionistas e gestores, mitigados por governança. Conselho monitora decisões (Fama & Jensen, 1983). Teoria da organização industrial (Tirole, 1988) introduz competição como moderador: em mercados competitivos, complementa governança; em concentrados, substitui (Giroud & Mueller, 2010). Hipóteses: H1 - características do conselho afetam positivamente desempenho; H2 - HHI relaciona-se negativamente; H3 - baixa concentração reforça efeitos positivos.

Metodologia

Amostra: 266 empresas não financeiras listadas na B3, 2013-2022, com 1.922 observações. Dados de Economática e CVM. Variáveis: dependentes (ROA, ROE, ROIC, Q de Tobin, lnVM); independentes (DIVGEN, INDEP, lnTCA, DUAL, REMVAR); moderadora (HHI); controles (tamanho, alavancagem, estatal). Modelos dinâmicos via System GMM para endogeneidade. Testes: AR(1)/AR(2), Hansen. Winsorização a 1% para outliers. Análise em painel com efeitos fixos.

Análise dos Resultados

Persistência no desempenho confirmada. H1 não corroborada: INDEP negativa em várias métricas; DIVGEN afeta ROIC negativamente; DUAL ambígua. H2 parcialmente: HHI negativo em rentabilidade (ROA, ROE, ROIC), positivo em valor de mercado. H3: moderação positiva para INDEP x HHI em todos; negativa para REMVAR x HHI. Competição alta disciplina, mitigando efeitos adversos mais que potencializando benefícios. Achados variam por métrica contábil vs. mercado.

Conclusão

Estudo confirma que competição modera governança: em mercados concentrados, independência do conselho melhora desempenho; remuneração variável perde eficácia. Contribui integrando teorias, mostrando competição como disciplinador em emergentes. Limitações: foco em capital aberto, métricas específicas de conselho e HHI. Sugere ajustes setoriais em governança para maximizar desempenho, ampliando compreensão em contextos brasileiros.

Contribuição / Impacto

Teoricamente, integra agência e organização industrial, evidenciando moderação por competição em emergentes. Praticamente, orienta empresas a adaptar conselhos ao HHI; reguladores a normas setoriais; investidores a avaliações contextualizadas. Impacto: fortalece mercado de capitais brasileiro, promovendo governança eficaz. Abre caminhos para estudos comparativos em outros emergentes, com foco em causalidade de longo prazo e dimensões adicionais de conselho.

Referências Bibliográficas

Jensen, M. C., & Meckling, W. H. (1976). Theory of the Firm... Journal of Financial Economics, 3(4), 305-360.
Fama, E. F., & Jensen, M. C. (1983). Agency problems... Journal of Law and Economics, 26(2), 327-349.
Tirole, J. (1988). The theory of industrial organization. MIT Press.
Giroud, X., & Mueller, H. M. (2010). Does corporate governance... Journal of Financial Economics, 95(3), 312-331.

Navegação

Anterior Próximo