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Anais

Resumo do trabalho

Gestão de Pessoas · Relações de Trabalho

Título

O EMARANHAMENTO ENTRE HUMANOS E NÃO HUMANOS: Escravização contemporânea multiespécie na indústria da carne

Palavras-chave

Escravização contemporânea Direitos animais Indústria da carne
Agradecimento: O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001

Autores

  • Tiago Franca Barreto
    UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO (UPE)
  • Leticia Dias Fantinel
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO (UFES)
  • Lucas Casagrande
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS)
  • Bárbara Eduarda Nóbrega Bastos
    UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)

Resumo

Introdução

Este trabalho discute a escravização contemporânea como uma prática ilegal persistente em diversos setores econômicos globais. No Brasil, a indústria da carne é um dos principais setores envolvidos, mostrando crescimento significativo e condições de trabalho degradantes. O trabalho em frigoríficos e matadouros é intensamente prejudicial, não apenas devido aos danos físicos e psicológicos aos trabalhadores, mas também pelo impacto negativo na comunidade. No artigo analisamos como a exploração de humanos e animais se entrelaça na cadeia da carne, caracterizando uma escravização multiespécie.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Este artigo tem como problema de pesquisa: De que forma as relações de exploração entre animais humanos e não-humanos interseccionam vulnerabilidades e se reforçam mutuamente na indústria da carne, contribuindo para a perpetuação da escravização contemporânea multiespécie? Por isso, nosso objetivo principal é: analisar os cruzamentos entre exploração humana e animal que sustentam a escravização contemporânea multiespécie na indústria da carne.

Fundamentação Teórica

Este trabalho posiciona-se no campo dos estudos organizacionais críticos. Em “O emaranhamento entre animais humanos e não humanos”, discutimos como as relações entre espécies são moldadas por sistemas opressores interligados, como especismo, patriarcado e capitalismo. Em “Escravização contemporânea e condições de trabalho na indústria da carne”, evidenciamos a exploração de trabalhadores humanos nesse setor, marcada por precarização, sofrimento físico e psicológico, revelando a interdependência entre a opressão de animais humanos e não humanos, especialmente na indústria da carne.

Metodologia

O trabalho realiza uma pesquisa qualitativa crítica animalista, aquela que levanta questões de espécie (inclusão da consideração moral dos animais não-humanos) e suas intersecções com relações de poder e opressão. A metodologia incluiu entrevistas semiestruturadas com especialistas da cadeia produtiva da carne (MAPA, ADAGRO, MPPE e WAP), além de pesquisa documental, das empresas: documentos oficiais, propagandas, etc - e relatórios, dossiês, processos do Ministério Público, Justiça do Trabalho, dentre outros. A análise da pesquisa foi realizada a partir de uma análise qualitativa de dados.

Análise dos Resultados

A análise dos resultados mostra que a indústria da carne envolve precarização extrema, violência e sofrimento físico e psicológico de trabalhadores e animais, com a brutalidade como elemento estruturante. A insalubridade, o ritmo intenso e o desprezo pelo bem-estar são evidentes. As práticas produtivas exigem insensibilidade, especialmente no abate de bovinos, reforçando normas de gênero. Mulheres são excluídas ou precisam performar uma postura “masculinizada”. A formação acadêmica contribui para a insensibilização, moldando sujeitos aptos à lógica produtiva e à dominação.

Conclusão

Analisamos o emaranhamento entre a exploração humana e animal na indústria da carne, evidenciando um ciclo de brutalização mútua sustentado por desigualdades de classe, gênero e espécie. A objetificação do animal não-humano estimula, simbólica e materialmente, a instrumentalização do trabalhador. A performatividade de gênero no setor reforça papéis violentos e insensíveis. A formação acadêmica dos profissionais contribui para a dessensibilização. Concluímos que a indústria da carne não apenas permite, mas naturaliza uma ontologia da exploração multiespécie.

Contribuição / Impacto

O artigo contribui ao evidenciar como a exploração multiespécie na indústria da carne está enraizada em uma lógica de instrumentalização que atravessa humanos e não humanos, demonstrando como estão emaranhados, reforçando um ciclo de brutalização. Ao articular gênero, classe e espécie, propõe uma nova perspectiva para os estudos organizacionais. Seu impacto está em desafiar modelos produtivos naturalizados e reforçar a urgência de abordagens multiespécies. incentivando pesquisas que podem influenciar políticas públicas, práticas organizacionais e movimentos sociais relacionados a temática.

Referências Bibliográficas

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