Anais
Resumo do trabalho
Administração Pública · Relação Governo-Sociedade: Transparência, Accountability e Participação
Título
Sentindo-se responsável: uma abordagem construtivista da accountability no setor público
Palavras-chave
Accountability
Construtivismo Social
Responsabilidade Subjetiva
Autores
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Marckus Barros da Assumpção Santos NunesUniversidade Federal Fluminense
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Frederico José Lustosa da CostaUNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE (UFF)
Resumo
Introdução
Tradicionalmente focada em mecanismos técnico-formais, a accountability no setor público desconsidera as experiências subjetivas dos agentes. Este ensaio propõe uma abordagem construtivista, compreendendo a accountability como fenômeno vivido e intersubjetivamente construído nas práticas cotidianas, incorporando o conceito de felt accountability como central para essa perspectiva.
Problema de Pesquisa e Objetivo
O artigo questiona a limitação das abordagens técnico-normativas da accountability e busca reconceituá-la como fenômeno simbólico e subjetivo. O objetivo é ampliar o escopo teórico por meio do construtivismo social, valorizando sentidos, afetos e práticas vividas pelos agentes públicos, a partir da internalização normativa e da experiência institucional cotidiana.
Fundamentação Teórica
A base teórica articula autores como Berger e Luckmann, Giddens, Bourdieu, Foucault e Elias. Discute-se a constituição social da realidade, a teoria da estruturação, o habitus e o processo civilizador, que contribuem para entender a accountability como prática simbólica, relacional e internalizada nas rotinas institucionais, e não apenas como controle externo.
Discussão
A felt accountability representa uma resposta afetiva e cognitiva dos agentes às expectativas normativas, orientando sua conduta mesmo sem supervisão. Essa vivência molda o comportamento por meio de disposições éticas, internalização de valores e construção simbólica da responsabilidade, mostrando a centralidade da subjetividade na ação pública.
Conclusão
A accountability deve ser vista como um fenômeno intersubjetivo, vivido e culturalmente situado, e não apenas como dispositivo técnico. Para ser efetiva, deve envolver sentido, ética e pertencimento institucional. O artigo propõe uma virada analítica que integra estrutura e agência, norma e prática, reforçando o papel das disposições simbólicas e morais.
Contribuição / Impacto
O ensaio oferece uma ampliação do conceito de accountability, valorizando sua dimensão subjetiva. Contribui para práticas administrativas mais humanas e reflexivas, sugerindo políticas que integrem cuidado, ética e pertencimento. Essa abordagem favorece uma gestão pública mais sensível às experiências dos servidores.
Referências Bibliográficas
Berger & Luckmann (2004), Bourdieu (1994), Bovens (2007), Corcuff (2001), Denhardt & Denhardt (2003), Dubet (1998), Elias (1994), Fischer (2003), Foucault (2014), Freidson (2001), Giddens (1984), Hall et al. (2011; 2017), Mead (1934), Overman & Schillemans (2021, 2022), Power (1997), Sanderson (2002), Schillemans et al. (2020), Shore & Wright (1999), Wendt (1999).