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Anais

Resumo do trabalho

Empreendedorismo · Empreendedorismo Social

Título

Escala de mensuração do empreendedorismo social aplicada ao contexto brasileiro

Palavras-chave

Empreendedorismo social Escala Modelo de mensuração

Autores

  • Valéria Gonçalves Vieira
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (UFBA)
  • Fernando Antonio de Melo Pereira Lhamas
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (UFBA)
  • Luiza Reis Teixeira
    EAUFBA - ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DA UFBA

Resumo

Introdução

Compreendido como um processo orientado por indivíduos que apresentam traços pró-sociais motivados a promover impacto social positivo por meio de soluções inovadoras para desafios sociais e/ou ambientais, o empreendedorismo social tem ganhado reconhecimento como uma estratégia relevante para desafios sociais, sobretudo para o desenvolvimento de economias e sociedades emergentes. Apesar do seus destaque e relevância, a dificuldade em compreender seu papel de forma contextualizada, ainda representa um desafio para o avanço teórico e prático da área.

Problema de Pesquisa e Objetivo

As definições sobre empreendedorismo social foram majoritariamente desenvolvidas em países desenvolvidos, dificultando sua aplicação em contextos em desenvolvimento, como o Brasil. Além disso, há concentração de estudos na dimensão individual, com pouca integração aos níveis organizacional e institucional. Assim, esse estudo teve como objetivo testar empiricamente uma escala baseada nessas três dimensões, verificando sua validade como fator latente do empreendedorismo social no contexto brasileiro.

Fundamentação Teórica

A forma como o empreendedorismo social é definida reflete uma pluralidade de visões. (Monteiro et al., 2022). Embora enriqueça o campo, essa heterogeneidade, torna desafiadora a consolidação de uma compreensão mais integrada do fenômeno. Saebi et al. (2019) chamam atenção para a articulação entre as dimensões que caracterizam o empreendedorismo social: individual, organizacional e institucional para o avanço do campo. Uma vez que essa abordagem amplia a compreensão do fenômeno ao reconhecer que ele é influenciado por múltiplos fatores que coexistem e se articulam em contextos específicos.

Metodologia

A construção da escala seguiu diretrizes consolidadas para o desenvolvimento de instrumentos de mensuração. O processo foi dividido em cinco etapas principais: (1) definição dos domínios do construto, (2) geração e validação dos itens, (3) coleta de dados, (4) análise fatorial exploratória (AFE) e (5) análise fatorial confirmatória (AFC). A amostragem foi não probabilística, com mapeamento de participantes a partir de instituições de apoio ao empreendedorismo social e contato realizado via LinkedIn. A escala foi validada a partir das respostas de 233 empreendedores sociais.

Análise dos Resultados

Apenas o nível institucional foi confirmado como fator latente do empreendedorismo social no Brasil, sobretudo por variáveis ligadas à capacidade de promover mudanças estruturais e sistêmicas, em detrimento daquelas associadas ao ambiente legal e normativo. O achado reflete a realidade latino-americana, onde insere-se o Brasil, marcada pela atuação dos empreendimentos sociais frente a desafios como desemprego, exclusão e pela ausência de marco regulatório, políticas públicas consolidadas e normatização do campo.

Conclusão

O resultado dessa pesquisa, evidencia-se que na perspectiva brasileira, o empreendedorismo social pode ser compreendido menos como um atributo individual e mais como uma expressão coletiva voltada à transformação social estrutural. Essa configuração reforça a centralidade do impacto social contextualizado como elemento definidor do empreendedorismo social em países em desenvolvimento, como o Brasil, distinguindo-o de modelos mais centrados em características individuais, como o norte-americano.

Contribuição / Impacto

A escala validada tem potencial de uso estratégico por investidores, aceleradoras e formuladores de políticas, ao apoiar decisões e monitoramento com base na capacidade institucional de gerar impacto. Contribui para identificar empreendimentos com maior aderência territorial e potencial transformador. Teoricamente, amplia o entendimento do campo em países em desenvolvimento, ao evidenciar configurações distintas do modelo dominante do Norte Global.

Referências Bibliográficas

Marquez, P., Reficco, E., & Berger, G. (2009). Inclusive Businesses in Latin America (Spanish Version). Harvard Business Review.
Monteiro, A. A., Sánchez-García, J. C., Hernández-Sánchez, B. R., & Cardella, G. M. (2022). Social Entrepreneurship Conceptual Approaches. Encyclopedia, 2(2), 1004–1018.
Saebi, T., Foss, N. J., & Linder, S. (2019). Social Entrepreneurship Research: Past Achievements and Future Promises. Journal of Management, 45(1), 70–95.

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