Logo

Anais

Resumo do trabalho

Marketing · Comportamento do Consumidor

Título

Adoção da Telemedicina no Pará: Evidências a Partir do Technology Readiness Index (Tri 2.0)

Palavras-chave

Technology Readiness Index (TRI 2.0) Telemedicina Adoção

Autores

  • Antonio Cordeiro
    UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA (UNAMA)
  • Hudson Augusto Silva de Castro
    UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA (UNAMA)
  • Everaldo Marcelo Souza da Costa
    UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA (UNAMA)

Resumo

Introdução

A pesquisa avalia a propensão tecnológica de usuários da telemedicina no Pará via TRI 2.0, frente aos desafios de acesso à saúde em regiões remotas. Por meio de 251 entrevistas, realizadas em 29 cidades do estado do Pará, investigou-se como experiência prévia, IDH e gênero influenciam essa prontidão. A abordagem é quantitativa e exploratória, articulando o TRI 2.0 à realidade amazônica, com contribuições metodológicas para políticas públicas sensíveis ao contexto digital e territorial da região.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Apesar da expansão da telemedicina no Pará, barreiras socioterritoriais e a baixa prontidão digital da população limitam sua efetividade. Fatores como resistência cultural, acesso precário à internet e desigualdades estruturais desafiam a adoção tecnológica em regiões remotas. Diante disso, esta pesquisa tem como objetivo mensurar o nível de propensão tecnológica dos usuários paraenses à telemedicina, por meio da aplicação do TRI 2.0, propondo um índice adaptado à realidade amazônica.

Fundamentação Teórica

Embora o Technology Readiness Index 2.0 seja amplamente utilizado em contextos de saúde digital, há lacunas quanto à sua aplicação em regiões remotas e vulneráveis. No Pará, onde limitações socioterritoriais e desigualdades digitais persistem, vê-se como importante compreender os fatores que influenciam a adoção da telemedicina. Este estudo busca mensurar a predisposição tecnológica dos usuários paraenses, testando hipóteses associadas a motivadores, experiência prévia, IDH e gênero.

Metodologia

A pesquisa, de natureza exploratória e abordagem quantitativa, aplicou survey com 251 usuários do SUS no Pará para mensurar a prontidão tecnológica via TRI 2.0. Utilizou-se análise fatorial exploratória (AFE) para investigar a validade da estrutura em contexto amazônico. Realizou-se, então, a extração dos fatores com base no método de componentes principais, acompanhada de rotação ortogonal Varimax. A técnica permitiu identificar as dimensões motivadoras e inibidoras, gerando o Índice de Prontidão Tecnológica (IPUST).

Análise dos Resultados

Os resultados confirmam que as dimensões motivadoras (otimismo 82,5% e inovatividade 67,46%) superam as inibidoras (desconforto 52,73% e insegurança 57,36%). Ademais, foi verificado que usuários com experiência prévia em telemedicina possuem maior intenção de uso (51,1% versus 30,9%). Além disso, foi refutada a hipótese de que município com maior IDH teria maior propensão à adoção de serviços de telemedicina. Por fim, foi confirmado que mulheres demonstram 23% mais propensão à adoção da telemedicina do que homens, resultado este que se alinha à literatura sobre gênero e cuidados em saúde.

Conclusão

O estudo avaliou a prontidão tecnológica de usuários paraenses frente à telemedicina via TRI 2.0, revelando maior peso das dimensões motivadoras. Apesar das vulnerabilidades, experiências positivas ampliam a aceitação. A correlação inversa entre IDH e IPTUST indica a necessidade de leituras contextualizadas. O modelo mostrou-se aplicável em regiões periféricas, com avanços metodológicos. Limitações incluem foco geográfico restrito e ausência de dados qualitativos, sugerindo triangulação em pesquisas futuras.

Contribuição / Impacto

A pesquisa contribui ao adaptar e validar o TRI 2.0 em contexto amazônico, propondo o IPUST como índice sensível às realidades socioterritoriais. Destaca-se o avanço metodológico ao aplicar análise fatorial exploratória em população periférica, revelando fatores contextuais que afetam a aceitação tecnológica. Os achados subsidiam políticas públicas mais precisas, voltadas à inclusão digital em saúde, e indicam caminhos para monitoramento e avaliação de programas como o TELEAMES no SUS.

Referências Bibliográficas

Blut, M.; Wang, C. Technology readiness: A meta-analysis of conceptualizations of the construct and its impact on technology usage. Journal of the Academy of Marketing Science, 48(4), 649–669, 2020.
Parasuraman, A. Technology readiness index (TRI): A multiple-item scale to measure readiness to embrace new technologies. Journal of Service Research, 2(4), 307–320, 2000. https://doi.org/10.1177/109467050024001.
Parasuraman, A.; Colby, C. L. An updated and streamlined Technology Readiness Index: TRI 2.0. Journal of Service Research, 18(1), 59–74, 2015.

Navegação

Anterior Próximo