Anais
Resumo do trabalho
Tecnologia da Informação · Transformação Digital e Inovação em Negócios Digitais
Título
COLONIALISMO DE DADOS E HIPERPERSONALIZAÇÃO: PODER, CONTROLE E ÉTICA NO CONSUMO DIGITAL
Palavras-chave
Hiperpersonalização
colonialismo de dados
pós-estruturalismo
Autores
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Carolline Candeias da SilvaUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
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Adrianne Paula Vieira de AndradeUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
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Anatália Saraiva Martins RamosUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE (UFRN)
Resumo
Introdução
A coleta massiva de dados permite níveis inéditos de personalização, redefinindo relações de poder no consumo digital, com implicações éticas, econômicas, políticas e sociais. Destacam-se questões como privacidade, transparência e responsabilidade algorítmica. O debate envolve se consumidores são autônomos ou sujeitos a manipulação digital, e como o colonialismo de dados e a hiperpersonalização apresentam perspectivas antagônicas de exploração e conveniência. O artigo propõe uma reflexão crítica do tema à luz do pós-estruturalismo.
Problema de Pesquisa e Objetivo
A hiperpersonalização agrega valor à experiência do consumidor e promove controle e influência? Ela legitima o colonialismo de dados? O objetivo é analisar criticamente a relação entre hiperpersonalização e colonialismo de dados, enfocando suas implicações para autonomia e privacidade no consumo digital, adotando a lente teórica dos estudos críticos e do pós-estruturalismo para compreender as dinâmicas de poder e controle no ambiente digital.
Fundamentação Teórica
A hiperpersonalização evolui da personalização tradicional, utilizando IA, Machine Learning, big data, IoT e LLMs para prever e adaptar em tempo real interações de consumo. O colonialismo de dados, associado ao capitalismo de vigilância, implica apropriação desigual de dados pessoais, especialmente do Sul Global, reforçando controle psicopolítico. A exploração invisível e contínua de dados gera impactos estruturantes nas relações sociais, evidenciando tensões entre benefícios da personalização e riscos à autonomia.
Discussão
A interseção entre hiperpersonalização e colonialismo de dados revela um paradoxo entre valor percebido e apropriação invisível de dados. A coleta integrada de dados por múltiplas plataformas sustenta controle descentralizado e preditivo, configurado como governamentalidade algorítmica. Debate-se o limite ético da personalização e a necessidade de transparência, educação digital e regulação para mitigar práticas opacas, promovendo responsabilidade e empoderamento dos consumidores.
Conclusão
A Hiperpersonalização e colonialismo de dados constituem formas atuais de controle digital que ameaçam autonomia e agência, ao moldar preferências por meio de sistemas opacos e algoritmos. É urgente repensar governança e ética, conciliando inovação tecnológica com transparência e proteção ao consumidor. A educação digital e práticas éticas são essenciais para resistir a abusos e promover um consumo digital mais justo. Pesquisas futuras devem aprofundar essa complexidade multidisciplinar.
Contribuição / Impacto
O artigo contribui com uma análise crítica que amplia a compreensão do impacto do colonialismo de dados e hiperpersonalização, destacando desafios éticos no marketing algorítmico. Oferece subsídios para políticas públicas, educação digital e design ético, visando maior transparência e responsabilidade na economia digital. Ressalta a importância da colaboração interdisciplinar para formular regulamentações e práticas que equilibrem inovação, privacidade e autonomia do consumidor.
Referências Bibliográficas
Incluem autores fundamentais como Zuboff (2015) sobre capitalismo de vigilância; Couldry e Mejias (2018, 2019) sobre colonialismo de dados; Morozov (2018) sobre big tech; Foucault (1979) sobre governamentalidade; Guendouz (2024) e Davenport (2023) sobre hiperpersonalização e IA; além de diversas contribuições recentes que abrangem temas de ética, regulação, tecnologia e comportamento do consumidor no ambiente digital.