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Anais

Resumo do trabalho

Gestão Socioambiental · Sustentabilidade, Sociedade, Tecnologia e Inovação

Título

E o Vento Levou? Desenvolvimento, Poder e a (In)Visibilidade dos Stakeholders na Transição Energética do Sertão

Palavras-chave

Energia eólica Stakeholders Transição energética

Autores

  • Adriano Olivier de Freitas e Silva
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ (UESPI)
  • Felipe Moura Oliveira
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ (UESPI)
  • Helano Diógenes Pinheiro
    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ (UESPI)

Resumo

Introdução

A transição energética rumo a uma economia de baixo carbono tem consolidado a expansão das fontes renováveis, especialmente eólica e solar, como elementos centrais nas estratégias globais de mitigação climática. Embora esses projetos tragam benefícios ambientais globais, como a redução das emissões de carbono, seus efeitos sociais, econômicos e ambientais locais são frequentemente heterogêneos e mal compreendidos.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Mesmo nos países com forte expansão renovável, como o Brasil, predominam análises fragmentadas sobre a transição energética, que não integram variáveis sociais, ambientais e econômicas em abordagens comparáveis e mensuráveis, principalmente a nível local. Este estudo realiza um mapeamento dos stakeholders envolvidos no processo de transição energética em nível local (Simões, Piauí), buscando compreender quem são os atores e agentes, quais papéis desempenham e como suas responsabilidades se distribuem ao longo do processo.

Fundamentação Teórica

Apesar da importância das energias renováveis na transição energética, elas geram externalidades negativas que afetam desproporcionalmente comunidades vulneráveis. Avila-Calero (2017) destaca os conflitos com povos indígenas no México, evidenciando violações de direitos e impactos territoriais. Broto e Calvet (2020), por sua vez, analisam como desigualdades espaciais e zonas de sacrifício emergem em contextos urbanos, revelando que a justiça energética requer participação efetiva e distribuição equitativa dos benefícios e impactos.

Metodologia

A pesquisa adota abordagem qualitativa e construtivista, com lógica indutiva e método fenomenológico, por meio de estudo de caso no município de Simões-PI. Os dados foram coletados via documentos (EIA/RIMA, reportagens e relatórios) e analisados por análise de conteúdo (Bardin, 2002), com triangulação. Os stakeholders foram identificados e classificados, permitindo mapear seus perfis e compreender suas interações no contexto da energia eólica local.

Análise dos Resultados

Os resultados evidenciam uma assimetria na visibilidade e influência dos stakeholders envolvidos na transição energética em Simões-PI. As empresas e o poder público concentram a maioria das menções nos documentos analisados, indicando centralidade no processo. Em contraste, comunidades locais, instituições de ensino e proprietários de terras apresentam baixa presença, revelando fragilidades na representatividade e participação. Discutiu-se diferentes perfis de atuação e destacou-se a urgência de estratégias de governança mais inclusivas e equitativas.

Conclusão

A pesquisa revelou que a transição energética em nível local ocorre sob uma lógica de assimetria sociopolítica, marcada pela centralidade das empresas e do poder público e pela invisibilização de atores locais diretamente afetados. Tal desequilíbrio compromete a justiça socioambiental e dificulta uma transição verdadeiramente inclusiva. Futuros estudos poderão aprofundar a escuta comunitária e ampliar a análise comparativa entre territórios, fortalecendo modelos mais equitativos de transição energética.

Contribuição / Impacto

A relevância científica deste estudo reside em sua articulação entre teoria e empiria para compreender a transição energética a partir da escala local. Conceitualmente, integra os marcos das transições sociotécnicas, do desenvolvimento regional e da justiça energética, ressaltando a influência das estruturas de governança e das desigualdades territoriais na sustentabilidade. Empiricamente, contribui ao mapear e analisar os stakeholders envolvidos, suas funções, interesses e capacidades de influência, oferecendo subsídios para políticas mais justas, participativas e sensíveis ao território.

Referências Bibliográficas

Avila-Calero, S. (2017). Contesting energy transitions: wind power and conflicts in the Isthmus of Tehuantepec. Journal of Political Ecology, 24(1), 992-1012.
Bardin, L. (2002). Análise de conteúdo (3a ed). Ediciones Akal S.A.
Broto, V., & Calvet, M. (2020). Sacrifice zones and the construction of urban energy landscapes in Concepción, Chile. Journal of Political Ecology, 27(1), 279-299.

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