Anais
Resumo do trabalho
Estratégia em Organizações · Governança Corporativa
Título
Comitê de Pessoas nos Conselhos de Administração nas Empresas da B3
Palavras-chave
comitê de pessoas
gestão de recursos humanos
conselho de administração
Autores
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Maria Rita SerranoUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
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Edilson TeixeiraUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
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Eduardo de Camargo OlivaUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
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Karina Costa Paltrinieri RonquiUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
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Andre Aparecido Policeno JuniorUNIVERSIDADE MUNICIPAL DE SÃO CAETANO DO SUL (USCS)
Resumo
Introdução
O Comitê de Pessoas atua como órgão de assessoramento estratégico do Conselho de Administração, contribuindo para decisões críticas sobre remuneração, sucessão e gestão de talentos nas grandes empresas brasileiras. Sua atuação é fundamental para alinhar políticas de Recursos Humanos às estratégias corporativas e fortalecer a governança organizacional. Apesar do papel central desses comitês, observa-se considerável heterogeneidade na forma como suas práticas e informações são divulgadas e implementadas no contexto nacional.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este estudo investiga como o Comitê de Pessoas/Remuneração atua concretamente como agente orientador das práticas estratégicas de Gestão de Recursos Humanos nas maiores empresas da B3. O objetivo principal é analisar de que forma esses comitês direcionam políticas relacionadas à sucessão, remuneração, gestão de talentos e cultura organizacional, e em que medida suas ações e informações evidenciadas contribuem para a transparência e alinhamento estratégico organizacional.
Fundamentação Teórica
A literatura destaca o papel do Conselho de Administração e dos comitês de assessoramento na governança corporativa, promovendo transparência, legitimidade e alinhamento estratégico (Aguilera, Marano & Haxhi, 2019; IBGC, 2022). Estudos como Zucco et al. (2018) e Marquezan et al. (2023) ressaltam os benefícios de comitês atuantes e políticas claras de sucessão e remuneração, bem como a importância da divulgação de práticas para fortalecer a governança e mitigar conflitos de agência.
Metodologia
A pesquisa é descritiva, com delineamento documental e abordagem qualitativa, analisando os relatórios de sustentabilidade e anuais de 2023/2024 das dez maiores empresas listadas na B3, selecionadas por receita líquida. Utilizou-se a técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2011), fundamentada em categorias previamente definidas, como sucessão, remuneração, gestão de talentos e cultura organizacional. A análise priorizou o grau de disclosure, abrangência e frequência das informações, avaliando a aderência às recomendações do IBGC (2022).
Análise dos Resultados
Os resultados indicam que, embora todos os comitês estejam formalmente instituídos, existe grande variação no nível de transparência e detalhamento das informações divulgadas. Empresas como Petrobras, Vale e Raízen apresentam maturidade e ampla aderência às categorias propostas pelo IBGC, enquanto JBS, Assaí e Marfrig demonstram lacunas em sucessão, gestão de talentos e educação continuada. A frequência de termos como “governança”, “gestão” e “estratégia” confirma a centralidade do tema, mas revela oportunidades de avanço em políticas de capital humano.
Conclusão
Conclui-se que os Comitês de Pessoas e Remuneração desempenham papel relevante para a eficácia organizacional, porém ainda enfrentam desafios de transparência, comunicação e abrangência em práticas estratégicas. O grau de maturidade varia entre as empresas analisadas, com destaque para a necessidade de aprimoramento em sucessão e desenvolvimento de talentos. A governança de pessoas robusta e transparente mostra-se essencial para a sustentabilidade e o alinhamento de interesses entre executivos, conselheiros e acionistas no contexto brasileiro.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui ao evidenciar a importância dos Comitês de Pessoas como mecanismos de governança estratégica e sua relação com a criação de valor organizacional. Oferece subsídios práticos para gestores, conselheiros e formuladores de políticas ao identificar pontos fortes e lacunas na divulgação das práticas de RH. A pesquisa preenche lacuna empírica relevante, servindo como base para a evolução das práticas de governança de pessoas e para o fortalecimento da transparência no mercado brasileiro.
Referências Bibliográficas
Aguilera, R. V., Marano, V. & Haxhi, I. (2019); Bardin, L. (2011); Bebchuk, L. A. & Fried, J. M. (2004); Conyon, M. J. & Sadler, G. (2010); IBGC (2022); Zucco, A., Oliva, E. C. & Kubo, E. K. M. (2018); Marquezan, L. H. F.; Velho, M. L. P.; Souza, F. S.; Degenhart, L. (2023); Plumlee, M., Brown, D., Hayes, R. M. & Marshall, R. S. (2015); Pucheta-Martínez, M. C. & López-Zamora, B. (2018); Reimsbach, D., Hahn, R. & Gürtürk, A. (2018); Vickneswaran, A. (2025); Aguiar, A. C., & Pimentel, F. A. (2017); Burchman, S. (2020); Edmans, A.; Gabaix, X.; Jenter, D. (2017); Gil, A. C. (2017).