Anais
Resumo do trabalho
Empreendedorismo · Empreendedorismo Social
Título
MULHERES NA CAFEICULTURA: TRAJETÓRIAS, DESAFIOS E CAMINHOS DO EMPREENDEDORISMO NO MEIO RURAL
Palavras-chave
Café
Desenvolvimento rural
Empreendedorismo feminino
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com o apoio das seguintes agências: Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), (número do projeto: CSA APQ 02264/22); Fapesp (processos nº2022/09319-9; n° 2025/10368-2 e nº 2023/18453-3). Agradecimentos à Universidade Federal de Lavras (UFLA) e ao Agritech UFLA pelo apoio técnico e didático.
Autores
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Fernanda Nunes MacielUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Jessica Ferreira HelvecioUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Caroline Mendonça Nogueira PaivaUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Gustavo Nunes MacielUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
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Alessandro Silva de OliveiraUNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS (UFLA)
Resumo
Introdução
O empreendedorismo rural tem ganhado destaque como estratégia de fortalecimento da agricultura familiar, geração de renda e valorização de práticas sustentáveis em contextos territoriais diversos. Na cafeicultura mineira, especialmente no Sul de Minas Gerais, observa-se o crescente protagonismo de mulheres que, embora historicamente invisibilizadas, vêm assumindo funções de liderança, gestão e inovação nas propriedades. Elas constroem percursos marcados pela resiliência, rompem barreiras simbólicas e estruturais e ampliam sua presença em espaços decisórios.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como mulheres produtoras de café no Sul de Minas Gerais constroem suas trajetórias empreendedoras, enfrentam barreiras estruturais e simbólicas e conquistam visibilidade e reconhecimento no meio rural? Para responder a essa questão, o estudo tem como objetivo analisar os desafios, estratégias e práticas adotadas por essas mulheres, considerando suas vivências na cafeicultura, suas formas de organização e os processos de afirmação enquanto agentes de transformação no campo.
Fundamentação Teórica
O estudo apoia-se na literatura sobre empreendedorismo rural e gênero, reconhecendo o papel das mulheres como agentes econômicos e sociais no campo. Pesquisas destacam que, embora historicamente invisibilizadas, produtoras vêm assumindo funções de gestão, inovação e liderança na cafeicultura (Santos; Bohn; Almeida, 2020). A atuação feminina envolve saberes tradicionais e técnicos, redes colaborativas e práticas de resistência frente a barreiras estruturais, simbólicas e institucionais
Metodologia
A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com dez mulheres produtoras de café de cinco municípios do Sul de Minas Gerais. As participantes foram selecionadas intencionalmente, considerando diversidade de perfis. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo temática, permitindo a identificação de categorias como motivações, desafios, gestão, capacitação e reconhecimento.
Análise dos Resultados
Os resultados evidenciam que as trajetórias das mulheres na cafeicultura são atravessadas por vínculos familiares, afetivos e identitários, revelando um protagonismo historicamente construído. As entrevistadas enfrentam desafios como desigualdade de gênero, invisibilidade em espaços decisórios e dificuldades de acesso a crédito e capacitação. Em resposta, desenvolvem estratégias próprias de gestão, fortalecem vínculos em redes cooperativas e passam a ocupar posições de liderança, conquistando reconhecimento social, autonomia econômica e projeção no mercado.
Conclusão
A pesquisa revelou que as mulheres da cafeicultura mineira vêm rompendo com padrões históricos de invisibilidade e subvalorização, construindo trajetórias empreendedoras marcadas por resiliência, inovação, vínculos afetivos e busca por reconhecimento. Ao enfrentarem desigualdades estruturais e simbólicas, e ao desenvolverem estratégias próprias de gestão, capacitação e articulação em redes, reafirmam seu papel como líderes no campo. Com isso, ampliam sua presença em espaços decisórios, qualificam sua produção e consolidam novos sentidos para o trabalho feminino no meio rural.
Contribuição / Impacto
O estudo contribui para dar visibilidade às experiências femininas na cafeicultura, evidenciando como suas trajetórias desafiam estruturas desiguais e constroem novas formas de atuação no meio rural. Reforça a importância de políticas públicas, programas de capacitação contínua e ações de fomento ao empreendedorismo com perspectiva de gênero. Ao destacar vozes muitas vezes silenciadas, oferece aporte para o fortalecimento da autonomia das mulheres rurais e indica caminhos para práticas mais inclusivas, sustentáveis e socialmente justas nas cadeias agroalimentares.
Referências Bibliográficas
ENDO, G. Y.; BACK, V. T.; HOFER, E. Empreendedorismo rural: motivações para a diversificação de culturas na agricultura familiar do oeste de São Paulo. Revista Livre de Sustentabilidade e Empreendedorismo, v. 3, n. 5, p. 5-21, 2018.
SANTOS, J. B; BOHN, L.; ALMEIDA, H. J. F. O papel da mulher na agricultura familiar de Concórdia (SC): o tempo de trabalho entre atividades produtivas e reprodutivas. Textos de Economia, Florianópolis, v. 23, n. 1, p. 1-27, jan./jul. 2020.
SANTOS, J. B; BOHN, L.; ALMEIDA, H. J. F. O papel da mulher na agricultura familiar de Concórdia (SC): o tempo de trabalho entre atividades produtivas e reprodutivas. Textos de Economia, Florianópolis, v. 23, n. 1, p. 1-27, jan./jul. 2020.