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Anais

Resumo do trabalho

Gestão de Pessoas · As faces da Diversidade

Título

Negros, queer e organizados: a condensação estrutural e o Coletivo Adé Dúdú no Brasil

Palavras-chave

Condensação Estrutural Gays Interseccionalidade

Autores

  • RENAN GOMES DE MOURA
    UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY (UNIGRANRIO)

Resumo

Introdução

Apesar da consolidação global da interseccionalidade como ferramenta analítica, nota-se uma lacuna significativa na literatura internacional no que se refere à historicização de movimentos sociais negros e LGBTQIAPN+ na América Latina, especialmente no Brasil. Os estudos internacionais tendem a concentrar-se nas experiências do Norte Global, marginalizando saberes e práticas produzidas por coletivos do Sul Global que, mesmo antes da formulação teórica do conceito, já articulavam compreensões críticas sobre opressões múltiplas.

Problema de Pesquisa e Objetivo

como o Grupo Adé Dúdú articulou, em sua atuação na década de 1980, denúncias interligadas de racismo, homofobia e exclusão social, antecipando elementos de uma abordagem interseccional antes da formulação teórica do conceito por Kimberlé Crenshaw? Buscando responder à pergunta proposta, este artigo analisa como o Grupo Adé Dudu, enquanto movimento social da década de 1980, produziu saberes críticos que interligavam questões de raça, sexualidade e classe, antecipando conceitos que mais tarde seriam reconhecidos no campo da interseccionalidade.

Fundamentação Teórica

O Grupo Adé Dudu, ao articular desde o início dos anos 1980 as dimensões de raça, sexualidade e classe em sua militância e produção de saberes, antecipou na prática debates que somente anos depois seriam formalizados no campo acadêmico internacional sob o conceito de interseccionalidade. Suas ações e discursos, fundamentados na vivência cotidiana da opressão múltipla, desafiaram tanto o racismo estrutural quanto a homofobia presente nos movimentos sociais, evidenciando que o Sul Global não apenas reproduz teorias vindas do Norte.

Metodologia

No caso desta pesquisa, o corpus foi construído por meio da pesquisa documental, que consiste na análise sistemática de documentos que ainda não receberam tratamento analítico ou que podem ser reinterpretados à luz de novos referenciais. No que se refere ao aporte teórico-analítico optou-se pela Análise do Discurso de tradição francesa, inspirada nos pressupostos teóricos de Foucault

Análise dos Resultados

A partir das análises realizadas com base na Análise do Discurso de Michel Foucault, em articulação com questões de raça, sexualidade e classe, é possível aprofundar a noção de condensação estrutural como um conceito analítico capaz de dar conta da complexidade vivida por sujeitos atravessados por múltiplas formas de opressão. Embora o termo não seja originalmente foucaultiano, ele pode ser mobilizado em coerência com sua perspectiva para pensar como diferentes formações discursivas, como o racismo, a LGBTfobia e o classismo, não apenas coexistem, mas se fundem de forma violenta na produção de

Conclusão

A atuação do Grupo Adé Dúdú, ainda que situada fora das formas organizacionais tradicionais, pode ser compreendida como uma forma alternativa de organização política e afetiva, enraizada em práticas coletivas de resistência e produção de saber. O grupo operava com base em princípios de horizontalidade, solidariedade e reconhecimento mútuo, configurando-se como uma organização marginal contra-hegemônica. Tais práticas antecipam discussões contemporâneas sobre diversidade, interseccionalidade e pertencimento nas organizações.

Contribuição / Impacto

A contribuição original deste trabalho reside, portanto, na historicização de lutas interseccionais que emergiram fora do circuito acadêmico hegemônico, revelando que a crítica à opressão interseccional não é exclusiva das teorizações formais, mas também nasce da experiência vivida e da resistência política cotidiana.

Referências Bibliográficas

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AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2018. (Coleção Feminismos Plurais).
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CELLARD, A. A análise documental. In: POUPART, J. et al. A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos. Petrópolis: Vozes, 2008. p. 295-316.

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