Anais
Resumo do trabalho
Estudos Organizacionais · Epistemologias e Ontologias em Estudos Organizacionais
Título
RESSIGNIFICANDO A TEORIA DO CICLO DE VIDA ORGANIZACIONAL: UMA PROPOSTA INTEGRATIVA À LUZ DA SUSTENTABILIDADE
Palavras-chave
Sustentabilidade
Ciclo de Vida
Estratégia Organizacional
Agradecimento:
O presente trabalho foi realizado com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES)
Autores
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JAMINE BRUNO DE OLIVEIRAUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
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Luana AtaídeUNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO (UFPE)
Resumo
Introdução
A Teoria do Ciclo de Vida das Organizações (TCVO), formulada por Greiner (1972; 1998), estrutura o crescimento organizacional em fases sucessivas centradas em aspectos econômicos. Contudo, diante das crescentes demandas ambientais e sociais, essa abordagem mostra-se limitada. Este ensaio propõe uma releitura crítica da TCVO, posicionando a sustentabilidade como elemento central, transversal e estruturante do desenvolvimento organizacional.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Como adaptar a Teoria do Ciclo de Vida das Organizações para integrar os princípios da sustentabilidade em suas múltiplas dimensões? O objetivo é revisar criticamente a TCVO à luz de desafios contemporâneos, propondo sua atualização por meio da articulação com abordagens como o Triple Bottom Line, a inovação para a sustentabilidade e a complexidade organizacional.
Fundamentação Teórica
A TCVO compreende estágios de crescimento e crise, com foco em lógicas internas (Greiner, 1972; 1998). Críticas recentes apontam sua rigidez frente a contextos voláteis (Levie & Lichtenstein, 2010). Abordagens como Triple Bottom Line (Elkington, 2001), inovação multiescalar (Ceschin & Gaziulusoy, 2016) e a tipologia de negócios sustentáveis (Dyllick & Muff, 2016) ampliam sua aplicabilidade e promovem uma visão integrada e adaptativa.
Discussão
A análise evidenciou que a TCVO original negligencia a sustentabilidade como componente estratégico. Estudos mostram menor adoção de práticas ESG nos estágios iniciais (Moreira et al., 2023), reforçando a necessidade de integração precoce dessas dimensões. Ao incorporar perspectivas contemporâneas, a teoria pode ser ressignificada como um modelo multiescalar, interdependente e alinhado a valores sociais e ambientais.
Conclusão
A TCVO pode ser reinterpretada com base em princípios sustentáveis, deslocando-se de uma lógica linear e economicista para uma abordagem sistêmica e ética. Essa ressignificação desafia pressupostos funcionalistas e neutros, alinhando-se a uma perspectiva onto-epistemológica crítica. O estudo reposiciona as organizações como construções sociais situadas em ecossistemas complexos e politicamente mediados.
Contribuição / Impacto
O ensaio contribui ao propor a sustentabilidade como eixo transversal da TCVO, ampliando seu alcance teórico e prático. Avança nos debates epistemológicos ao evidenciar que teorias organizacionais não são neutras, mas moldadas por visões de mundo. Também oferece subsídios para gestores e formuladores de políticas ao indicar que práticas sustentáveis devem ser incorporadas desde os estágios iniciais das organizações.
Referências Bibliográficas
ELKINGTON, J. Cannibals with forks: the triple bottom line of 21st century business. Gabriola Island: New Society, 2001. GREINER, L. E. Evolution and revolution as organizations grow. Harvard Business Review, v. 50, n. 4, p. 37–46, 1972.LEVIE, J.; LICHTENSTEIN, B. B. A terminal assessment of stages theory. Entrepreneurship Theory and Practice, v. 34, n. 2, p. 317–350, 2010. DYLLICK, T.; MUFF, K. Clarifying the meaning of sustainable business. Organization & Environment, v. 29, n. 2, p. 156–174, 2016. CESCHIN, F.; GAZIULUSOY, I. Evolution of design for sustainability. Design Studies, v. 47.