Anais
Resumo do trabalho
Finanças · Gestão Financeira
Título
GESTÃO DE RISCO EM TEMPOS DE CRISE: Uma análise Comparativa do Nível de Provisionamento de Perdas dos Bancos Brasileiros Pré, Durante e Pós-Pandemia
Palavras-chave
Provisão para Perdas Esperadas
Carteira de Crédito
Pandemia
Autores
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FLAVIA BRAGA DE SOUZAPONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUCSP)
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JANICE FERREIRAPONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO (PUCSP)
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Fabiana Lopes da SilvaFaculdade FIPECAFI (FIPECAFI)
Resumo
Introdução
As instituições financeiras são cruciais para a economia brasileira, representando 14% do PIB em 2023. Estão expostas a diversos riscos operacionais, como o risco de crédito – a probabilidade de não receber empréstimos concedidos, afetado pela política de concessão e gestão. O BACEN exige que essas instituições mensurem as perdas esperadas. A pandemia de Covid-19 gerou impactos econômicos significativos, como uma perda de R$ 553,1 bilhões no PIB em 2020 e o fechamento de 716.372 pequenas empresas, afetando a gestão de risco de crédito.
Problema de Pesquisa e Objetivo
Este estudo analisa o impacto da Covid-19 no nível de cobertura da carteira de crédito dos principais bancos brasileiros, comparando o provisionamento de perdas esperadas antes, durante e após a pandemia. Utilizando uma abordagem estatística, busca identificar variações significativas para entender como os bancos ajustaram suas políticas de provisões, garantindo resiliência em cenários adversos e contribuindo para uma compreensão mais profunda da gestão de riscos de crédito em crises econômicas e sanitárias.
Fundamentação Teórica
Instituições financeiras assumem risco de não recebimento ao conceder empréstimos, exigindo análises criteriosas para reduzir a inadimplência, conforme Vieira (2017). A análise de crédito é crucial, envolvendo a habilidade de analisar incertezas com informações escassas (Segura et al., 2016). A Resolução 2.682 do BACEN e o CPC 48 (IFRS 9) orientam o provisionamento de perdas de crédito esperadas (PECLD), que mitigam riscos, refletem a saúde financeira da empresa e contribuem para a adequada mensuração do patrimônio. O CPC 48 define perdas de crédito esperadas como uma estimativa probabilística
Metodologia
A pesquisa exploratória e quantitativa analisou o nível de cobertura (%PECLD) da carteira de crédito dos cinco maiores bancos brasileiros, de 2018 a 2023, divididos em pré-pandemia (2018-2019), pandemia (2020-2021) e pós-pandemia (2022-2023). Dados de carteira de crédito e provisionamento de perdas esperadas foram coletados de demonstrações contábeis anuais. Calculou-se o %PECLD, agrupou-se os anos, e aplicou-se o teste não paramétrico de Kruskal-Wallis para comparar médias entre períodos e bancos, com nível de significância de 5%.
Análise dos Resultados
Os resultados indicam que não houve diferenças significativas no nível de cobertura da carteira de crédito entre os períodos (pré-pandemia, pandemia, pós-pandemia). Isso sugere que os bancos mantiveram suas políticas de provisionamento, possivelmente devido a medidas de apoio governamentais e do Banco Central. Contudo, diferenças significativas foram encontradas entre os bancos, com o Bradesco se destacando, confirmando que cada instituição tem estratégias de provisionamento distintas.
Conclusão
O estudo conclui que o nível de cobertura de perdas esperadas dos maiores bancos brasileiros permaneceu estável durante e após a pandemia, sugerindo a eficácia das medidas governamentais de apoio. No entanto, foram encontradas diferenças significativas entre os bancos, indicando estratégias de gestão de risco de crédito distintas. As limitações incluem a análise restrita aos cinco maiores bancos e o uso de dados agregados. Futuras pesquisas poderiam incluir instituições menores e uma análise comparativa internacional.
Contribuição / Impacto
Em síntese, este estudo contribui para o entendimento das práticas de provisionamento de perdas esperadas no setor bancário brasileiro, especialmente em momentos de crise e recuperação econômica. A análise revela que, apesar das semelhanças nas condições macroeconômicas enfrentadas, os bancos adotam abordagens diferenciadas para a gestão do risco de crédito.
Referências Bibliográficas
Brasil. (1999). Banco Central do Brasil. Resolução nº 2.682, de 21 de dezembro de 1999. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/res/1999/pdf/res_2682_v2_l.pdf .
Segura, L. C., Molini, L., & Ferreira, C. (2016). Análise de Crédito: um estudo exploratório sobre a sua aplicação nos setores industrial e financeiro. Redeca, Revista Eletrônica Do Departamento De Ciências Contábeis &Amp; Departamento De Atuária E Métodos Quantitativos, 3(2), 58–76. https://doi.org/10.23925/2446-9513.2016v3i2p58-76 .
Vieira, J. P. A História do Dinheiro. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 2017.
Segura, L. C., Molini, L., & Ferreira, C. (2016). Análise de Crédito: um estudo exploratório sobre a sua aplicação nos setores industrial e financeiro. Redeca, Revista Eletrônica Do Departamento De Ciências Contábeis &Amp; Departamento De Atuária E Métodos Quantitativos, 3(2), 58–76. https://doi.org/10.23925/2446-9513.2016v3i2p58-76 .
Vieira, J. P. A História do Dinheiro. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 2017.