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Anais

Resumo do trabalho

Administração Pública · Ambiente, Territorialidades e Políticas Públicas

Título

MOBILIDADE URBANA E ACESSIBILIDADE EM TEMPOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA: O PARADOXO DO MODELO DE CIDADE INTELIGENTE DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO

Palavras-chave

Mobilidade Smart Cities Cidades Inteligentes

Autores

  • Thiago de Almeida de Castro Batista
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UNIRIO)
  • Maiara Marinho
    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (UNIRIO)

Resumo

Introdução

O trabalho parte do contexto de urbanização crescente e da adoção do modelo de cidades inteligentes, com destaque para o caso do Rio de Janeiro. Apesar de reconhecimentos internacionais, a cidade enfrenta contradições em sua política de mobilidade, como queda no uso do transporte público, aumento da motorização individual e limitações de acessibilidade nas periferias. A pesquisa analisa se as iniciativas tecnológicas de mobilidade promovem inclusão ou reproduzem desigualdades históricas.

Problema de Pesquisa e Objetivo

A questão central investiga se as políticas públicas de mobilidade urbana no Rio de Janeiro têm ampliado a acessibilidade em conformidade com os princípios das cidades inteligentes ou reforçado padrões de exclusão. O objetivo é analisar essas políticas à luz das principais iniciativas implantadas, como o BRT, VLT, sistema Jaé e MaaS, relacionando-as a conceitos de acessibilidade e inclusão urbana, por meio da escuta de gestores envolvidos diretamente na formulação dessas ações.

Fundamentação Teórica

A revisão teórica aborda o conceito de cidades inteligentes como ecossistemas integrados que articulam tecnologia, governança e inclusão. Destaca-se que a inovação não deve ser entendida apenas como eficiência digital, mas como instrumento de justiça social. A literatura critica modelos tecnocráticos que aprofundam desigualdades. A discussão sobre mobilidade amplia-se com o enfoque em acessibilidade e nos efeitos das desigualdades raciais, territoriais e digitais sobre o acesso aos serviços urbanos.

Metodologia

A pesquisa adota abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas realizadas com seis participantes: cinco gestores da Secretaria Municipal de Transportes e uma representante da sociedade civil. As falas foram analisadas por meio da Grounded Theory, com codificação aberta, axial e seletiva. A escolha metodológica visou compreender as percepções dos atores institucionais sobre a mobilidade urbana e as contradições da implementação do modelo de cidade inteligente no contexto carioca.

Análise dos Resultados

Os resultados evidenciam tensões entre discurso técnico e desigualdades reais no acesso à mobilidade. A gestão promove digitalização e uso de dados, mas enfrenta obstáculos como ausência de pesquisa atualizada, integração tarifária limitada e falta de dados desagregados. A exclusão digital, o custo do transporte e a concentração de investimentos em áreas centrais persistem. Há reconhecimento da importância da participação social, mas as iniciativas ainda não alcançam equidade territorial ampla.

Conclusão

A pesquisa conclui que, embora o município invista em soluções tecnológicas e busque alinhar-se ao modelo de cidade inteligente, persistem barreiras estruturais à mobilidade urbana inclusiva. A ausência de integração entre políticas urbanas e de mobilidade, a defasagem de dados e a baixa representação de grupos vulneráveis nos processos decisórios revelam limitações institucionais. A cidade inteligente precisa ir além da técnica e considerar o território e a diversidade social em sua formulação.

Contribuição / Impacto

O trabalho contribui ao evidenciar que a mobilidade urbana deve ser entendida como direito e estratégia de inclusão, e não apenas como operação técnica. Destaca a necessidade de articulação entre dados, escuta social e planejamento territorial. A pesquisa oferece subsídios para o aprimoramento das políticas públicas de mobilidade e propõe uma abordagem crítica sobre a aplicação do modelo de cidades inteligentes em contextos marcados por desigualdades socioespaciais, como o carioca.

Referências Bibliográficas

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