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Anais

Resumo do trabalho

Marketing · Marketing e Sociedade

Título

COLONIALIDADE E RACISMO NO MARKETING DE LUGARES: REVISITANDO AS NARRATIVAS SOBRE PAÍSES AFRICANOS.

Palavras-chave

Marketing de lugares Narrativas coloniais África

Autores

  • Horvanda Brazão
    UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA (UFPB)

Resumo

Introdução

Durante muito tempo, a pesquisa sobre marketing de lugares se concentrou em investigar estratégias para promover locais, atrair turistas, investimentos e melhorar a imagem de países no cenário global. Contudo, pouca atenção foi dada à forma como essas estratégias perpetuam o racismo estrutural e reforçam narrativas coloniais, especialmente no contexto dos Estados africanos. A representação desses países no marketing de lugares se relaciona com as estruturas globais de poder e saber que determinam como esses países são vistos no imaginário internacional, olhando para África como um não lugar.

Problema de Pesquisa e Objetivo

Como o racismo estrutural e a colonialidade do poder influenciam o marketing de lugares no contexto africano?
Esse problema aponta para a ausência de uma análise crítica das narrativas reproduzidas pelo marketing de lugares — especialmente no caso dos países africanos — que perpetuam estereótipos coloniais e contribuem para a desumanização e a desigualdade desses territórios no imaginário global.
Objetivo: Evidenciar as conexões entre o marketing de lugares e o racismo estrutural, revelando como a promoção de países africanos frequentemente perpetua narrativas coloniais e desumanizantes.

Fundamentação Teórica

O marketing de lugares ao promover imagens simplificadas dos Estados africanos reforça estereótipos coloniais, ignorando contextos sociais e históricos. Autores como Kotler, Haider e Rein (1993) destacam o papel estratégico dessa prática, mas raramente questionam suas implicações simbólicas. Associando-se à colonialidade do poder (Quijano, 2005) e ao racismo estrutural (Almeida, 2019), essas práticas moldam imaginários baseados na exotização da África e silenciam epistemologias locais, exigindo abordagens mais plurais e construtos decoloniais que promovam representações mais justas dos países.

Discussão

O marketing de lugares, ao promover territórios africanos com base em imagens estereotipadas de “exotismo” e “primitividade”, atua como um dispositivo simbólico de manutenção da colonialidade do poder e do saber. Apresenta 5 exemplos que revelam o quanto os países do Norte Global são retratados como eficientes e modernos, e os países africanos são reduzidos a economias informais e práticas culturais folclóricas, reforçando um imaginário de subdesenvolvimento. Essa disparidade narrativa impacta diretamente políticas de turismo, investimento e cooperação, restringindo a autoimagem desses países.

Conclusão

O estudo evidenciou que o marketing de lugares, longe de ser uma prática neutra, está profundamente imbricado nas lógicas da colonialidade, operando como vetor de reprodução de estereótipos e desigualdades simbólicas sobre África. A análise dos cinco cenários permitiu identificar padrões discursivos que mantêm o continente africano à margem do protagonismo epistêmico, negando sua diversidade histórica, cultural e econômica. O estudo avança propondo um modelo de descolonização das narrativas de mercado, que promove representações mais justas e autênticas dos países africanos no mundo.

Contribuição / Impacto

O estudo conecta o campo do marketing de lugares às teorias da colonialidade do poder e do racismo estrutural, o que ainda é pouco explorado na literatura. Isso oferece um marco teórico inovador e interdisciplinar que enriquece os estudos críticos em marketing territorial. Propõe um modelo de descolonização das narrativas de mercado, com 3 proposições: reconhecimento da colonialidade, valorização das inovações locais e epistemologias plurais que desafiam as representações hegemônicas e eurocêntricas. Esse modelo pode orientar análises futuras e práticas mais éticas e representativas no campo.

Referências Bibliográficas

ALMEIDA, Silvio Luiz de. Racismo estrutural. 1ª edição, São Pulo: Sueli Carneiro; Pólen, 2019.
LAYTON, Roger A. Sistemas de Marketing - Um Conceito Básico de Macromarketing. Revista de Macromarketing. v. 27, n. 3, setembro de 2007.
REIS. Diego dos Santos. A Colonialidade do Saber: Perspectivas Decoloniais para Repensar a Univers(al)idade. Revista Debates & Controvérsias, Educ. Soc., Campinas, v. 43, e240967, 2022.
QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: A
colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. CLACSO, 2005.

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